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Ainda a Casa Pia !
Por Luis
Barreira
CCP sem tostão, nem notícias do governo Por António Cardoso
Ai
Portugal, Portugal,....
Por Luis Barreira
O
Conselho que (ainda) não temos
Por Fernando
Cruz Gomes
Portugal : turismo para “pé
descalço” ? Por António
Cardoso
Quem
não honra o Passado… não merece ter Futuro Por
Fernando Cruz Gomes
Coitado do Zé Maria Por
Fernando Cruz Gomes
Portugueses,
um povo “desenrascado” ! Por Luis Barreira
Por
Fernando Cruz Gomes
Durão
Barroso está a “agradar…” Por
Fernando Cruz Gomes
Entregues
à sua sorte
Por
Fernando Cruz Gomes
Á volta
cá vos espero!... Por Luis
Barreira
Portugal é campeão da Europa !
Por
António Cardoso
Portugal (do Canadá) ganhou a “maioridade”
Por
Fernando Cruz Gomes
A
“Torre de Babel”! Por Luis Barreira
Um “tornado” ou uma
“avalanche”… O que fará o Governo com a derrota?
Por
Fernando Cruz Gomes
A Comunicação Social ganhou com o Encontro de
Macau Por
Fernando Cruz Gomes
De
vez em quando... Foi magia Por
Victor Alves
A
China entrou com pragmatismo inteligente Por
Fernando Cruz Gomes
A “Carta de Macau”
Por Luis Barreira
Fátima em... Macau
Por
Fernando Cruz Gomes
Macau… marco de Progresso
Por
Fernando Cruz Gomes
A
montanha pariu um rato
Por
António Cardoso
Um timoneiro seguro que
o Canadá conheceu Por
Fernando Cruz Gomes
Hoje não é sexta-feira, 13... mas é como se o fosse.
Por Fernando Cruz Gomes
Voto branco ?
Por
António Cardoso
Mais
apoios à Associação Internacional de Jornalistas
Por
Fernando Cruz Gomes
Medalhados
de todo o mundo... uni-vos! Por
Fernando Cruz Gomes
Medalhas em
saldo... Quem quer
mais ? Por
António Cardoso
EURO 2004! Ensaio sobre a
lucidez, ou sobre a cegueira.....
Por Luis Barreira
Os “omniscientes” de meia tijela...Por Fernando Cruz Gomes
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Ainda vamos a tempo de
“acordar”?Por Fernando Cruz Gomes
Portugal vai
andando. Ou melhor... vai fazendo que anda. De eleição em eleição, finge que é
democrata. De orçamento em orçamento, até diz que é verdadeiro. E mesmo que a
miséria ainda campeie e que os ricos sejam mais ricos e os pobres mais pobres,
continua arreigada no cérebro de alguns a ideia de que “ainda vamos a tempo...”
E, no entanto, o
Governo que vamos tendo em Portugal parece estar a desbaratar a onda de
confiança – e de esperança, vamos lá – que os Portugueses nele depositaram.
Vê-se isso, a olho nu, em cada dia que passa. Não só nas sondagens, não. Vê-se,
afinal, no dia-a-dia dos... dias. Foi um Governo que, através do seu líder,
disse que a grande diferença entre a sua gente e a dos seus opositores... era a
verdade e a coragem. Uma e outra invocadas a todo o momento. Uma e outra
deitadas para o saco do lixo das coisas que não prestam, que não existem.
Ainda agora, ao
subir os impostos – os mesmos impostos que se tinha comprometido a não subir –
o Governo deu nota da sua verdade. A
sua coragem não foi outra que a de
“castigar” reformados, desempregados e funcionários públicos – aqueles que
menos se podem defender – para a luta contra o tal défice, um papão que serve
(parece servir) para “explicar” todas as coisas... inexplicáveis.
Verdade e
coragem, não é? – Ninguém entendeu ainda que todo este género de incongruências
serôdias de um Governo que o não é, apenas dá a entender que a Pátria que todos
temos – sobretudo lá naquilo a que se chama “coração” – já não tem identidade.
Perdeu-a nas guerras do alecrim e da manjerona que se sucederam em catadupas
logo após aquilo a que chamaram revolução. Deram-nos liberdade. Deram-nos
democracia. Uma e outra deveriam ter trazido consigo melhor qualidade de vida, mais
desafogo económico, melhor sistema de saúde, melhor protecção social. Só que...
o espelho em que nos miramos a toda a hora dá-nos uma imagem diferente e
contrária.
Há défice nas
contas, com o Estado quase em agonia, com uma onda de desemprego galopante e um
crescente endividamento dos que no futuro têm de viver.
Tudo isto, mesmo
com liberdade e democracia, não pode agradar ao Povo. A confiança social está a
atingir o seu ponto mais crítico. De tal modo que, se hoje fosse possível haver
revoluções em Portugal, já as botas cardadas dos nossos militares se estavam a
ouvir nas calçadas das nossas terras.
E, depois, ainda
há quem acredite que o próximo Presidente da República possa resolver tudo
isto. Que tenha poderes mágicos para inverter toda uma situação. Que abra, de
novo, uma nesga de esperança na noite invernosa e negra em que nos vamos
atolando! É mais do que miragem o que se pede a quem avançar para a cadeira do
Poder.
Não sabemos se já
se interrogaram sobre as razões que levam alguns dos nossos melhores cérebros a
demandar o estrangeiro. Se se interrogaram sobre o que é que os esperaria em
Portugal. Se seria curial pedir-lhes que “aguentassem o barco” e sacrificassem
o melhor de si mesmos a um sonho quase fadado ao insucesso. Os Jornais dizem
que os cérebros portugueses – na proporção de 1 para 5 – fugiram para o
estrangeiro. Os Jornais não dizem, no entanto, porquê. E a História mais
recente de um País como o nosso que tem História... é bem capaz de ter a
resposta. Para já, sabe-se que um quinto dos portugueses com ensino superior
não está em Portugal. E o resto... vai-se sabendo aos poucos. Nas filas de
espera para um simples cuidado de saúde. Nas ruas onde desaguam as nossas
raivinhas e queixas. Nos becos (alguns sem saída) das nossas crises.
Será que ainda
vamos a tempo de acordar?
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Violência urbana ou o estalar do verniz!Por Luis Barreira
A onda de violência
que tem percorrido a região parisiense, se alargou a outras cidades francesas e
ameaça estender-se a outros países europeus demonstra, entre muitas outras
coisas, a fragilidade dos modelos sociais, das nossas actuais sociedades.
Se a
multi-culturalidade crescente das sociedades europeias é apresentada,
teoricamente, como uma vitória do humanismo igualitário e da liberdade e
fraternidade dos cidadãos europeus, na prática, a coesão social, que deveria
corresponder ao “cimento” que nos une, é uma simples capa de “gesso”, pronta a
partir-se à menor pressão.
Preocupadas com os
fenómenos macro-sociais, as classes políticas europeias dão cada vez menor
importância ao desenvolvimento das situações marginais que a própria sociedade
engendra, porque não os resolve, no seu estado latente e só quando elas atingem
a dimensão de um quase “levantamento popular”, passando ao estado patente, é
que reagem, gritando “aqui del rei..”, como se o que está a acontecer fosse um
absurdo, perante o seu conceito de sociedade “arrumadinha”.
Estes milhares de
jovens franceses, descendentes de famílias imigrantes, de há várias décadas,
não se sentem excluídos agora e os
comportamentos sociais marginais, que hoje denunciam com tanta violência, são
factores que sempre estiveram presentes em muitos dos seus comportamentos
particulares. São consequência das várias sociedades paralelas, que se desenvolvem
debaixo dos nossos olhos, alimentadas pelas culturas particulares, que lhes
estão na origem e da incapacidade das sociedades de acolhimento, em dignificar
a diversidade, preferindo a aculturação forçada, tantas vezes pela força da
exclusão social.
Se considerarmos
que essa mesma exclusão social conduz a estados marginais de vida e que esta
marginalidade assume, sempre, formas violentas de expressão, escondidas do
resto da sociedade ou desafiando abertamente a própria sociedade, o tratamento
das consequências, não pode deixar de ter em conta as causas. Se isto não pode
justificar tolerância, perante a violência exibida por esses jovens, não é
igualmente tratando-os publicamente de “escumalha”, como fez o Ministro do
Interior francês, que se pode atenuar as consequências e criar vontades, para
ajudar a resolver as causas.
Nestas condições,
estas sociedades paralelas, que existem de facto (independentemente da cegueira
política de muitos dos nossos dirigentes europeus), acabarão por se fechar
sobre elas, impermeáveis a qualquer aproximação e, mesmo que os ânimos se
acalmem pela força, voltarão a manifestar-se (como já o fizeram no passado
recente), reforçados pela actual experiência e, quem sabe, presa fácil de todo
o tipo de ideólogos da violência.
A integração social
das nossas sociedades europeias, para só falar daquelas onde nos situamos e que
aspiram a um modelo único e ideal, não é um problema simples de resolver e
nunca se pode considerar resolvido.
A diversidade e a
dinâmica das sociedades, é um fenómeno complexo e exigente, a obrigar-nos a uma
atenção e uma acção permanente. E, mesmo que as economias floresçam, o bem
estar dos povos aumente e a satisfação material seja evidente, resta ainda um
grande número de problemas espirituais a resolver. Trata-se da identidade de
valores, de códigos morais de conduta, de respeito por determinadas normas
essenciais à vivência em sociedade. E isto,... meus caros, é muito mais difícil
de resolver, do que a “simples” satisfação das necessidades físicas e básicas,
dos diversos extractos das populações, que compõem as nossas sociedades.
O que se passa em
França, pode passar-se em Portugal, na Bélgica ou na Alemanha. Não é uma
situação típica da sociedade francesa! Não se resolve “encaixotando” populações
em torres de cimento ou em barracas da periferia das grandes metrópoles,
tentando esconder a miséria ou circunscrevendo-a, para melhor a controlar.
Há que partir do
princípio de que todos são cidadãos de um mesmo país, de uma mesma região ou de
um continente, donde queremos erradicar a miséria humana, sob todas as suas
formas.
A começar pelos
bancos das escolas e a terminar na igualdade de tratamento e oportunidades, há
um longo e urgente trabalho a fazer. De nada vale manter a ilusão de que “tudo
está bem, quando acaba bem...”, mesmo que esta violência urbana acabe,
irremediavelmente, pelo uso da força.
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Também somos gente!Por Luis Barreira
Ao longo dos
anos, os órgãos de comunicação social de expressão portuguesa, sediados junto
da comunidades portuguesas no estrangeiro, têm assistido, com a calma e
ponderação que lhes deve ser própria, a um desfile de ideias e projectos, dos
responsáveis pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que se
sucedem ao ritmo dos vários governos que tomam posse em Lisboa.
De cada vez que
um governo português toma posse e, nomeadamente, sempre que o titular da pasta
pertence a um partido diferente do governo anterior, a política portuguesa,
dirigida aos portugueses que vivem fora do País, parte do princípio de que,
para trás, nada foi feito e “inventa” novas perspectivas, novas políticas,
novos aspectos fundamentais da sua orientação que, por incapacidade de, no
tempo e no espaço de uma legislatura, as colocar em prática, acabam sem
resultados práticos e sem nenhum benefício para as comunidades que dizem
pretender servir.
Na realidade, o
resultado de tudo isto é que, as comunidades portuguesas fora do País, (cerca
de 5 milhões de pessoas, entre portugueses e luso descendentes), estão
praticamente na “estaca zero”, relativamente à aproximação com o país de
origem.
Face a esta
situação, (correspondente a uma cegueira política, que nada tem a ver com o
supremo orgulho de “embirrarmos” em sentirmo-nos portugueses e de quem, na sua
maior parte, só deseja o bem de Portugal, independentemente do partido no
poder), o MNE português e a sua correspondente Secretaria de Estado, acaba de
“inventar” um nova forma de comunicar com os portugueses que vivem no
estrangeiro.
Trata-se de uma
revista mensal, feita em Portugal e para os portugueses na diáspora. Uma
publicação “auxiliada” pelo governo português, na sua distribuição de cerca de
50.000 exemplares ( o que convenhamos,...para 5 milhões de portugueses, é uma
tímida tentativa de os alcançar...), em que o MNE vai colocar todos os seus
organismos espalhados pelo mundo, na promoção deste órgão de comunicação.
Mais uma vez o
Governo e Portugal “esquece” a existência de dezenas de jornais, revistas,
rádios e canais televisivos que, do Luxemburgo à Austrália, ou do Canadá à
China, são feitos por portugueses e comunicando em português, com todos os
portugueses que residem fora do seu País.
Nem uma palavra
de agradecimento e encorajamento para estas centenas, senão milhares, de homens
e mulheres, que tanto se esforçam, em países distantes, para manter viva a
língua de Camões e para levar notícias de Portugal aos lugares mais recônditos
do planeta. Não,... “antes de nós, nada existia”, parece ser o lema do actual
governo!
Percebo a
irritação que tal “invenção” do MNE de Portugal, ocasionou entre todos aqueles
que, com tanta “carolice”, tentam manter no estrangeiro, os seus jornais, rádios
ou televisões, em língua portuguesa.
Compreendo até a
forma como a Associação Internacional de Jornalistas, criada há cerca de um ano
e que reagrupa muitos profissionais e órgãos de comunicação de expressão
portuguesa no estrangeiro, se sentiu afectada por tal medida, que não teve em
consideração o interesse e objectivos deste colectivo de gente bem
intencionada, que mais não quer do que contribuir para a unidade e
esclarecimento entre todos os portugueses. Entendendo como “todos”, os
portugueses que se encontram dentro e fora do País!
Mas não
desesperem companheiros! Há pelo menos três razões que, face a este
“esquecimento” do actual governo português, me fazem sorrir (embora de forma
angustiada..).
A primeira é a
de que, hoje, tal como no passado, qualquer comunicação etnocêntrica, baseada
numa leitura umbilical lisboeta, do que é a realidade e centros de interesse,
de uma população tão diversamente espalhada no planeta, só pode suscitar uma
curiosidade inicial, que nem sequer colocará em causa o nosso trabalho
quotidiano de informação e a preferência pelas nossas publicações.
A segunda razão,
é a de que de nada vale esperarmos o reconhecimento governamental português,
pelo trabalho que realizamos. Temos de acreditar nas nossas próprias forças e
na população portuguesa que nos apoia, pela simples razão de que queremos
servir Portugal, e Portugal não é propriedade de um qualquer governo, mas muito
mais do que isso.
A terceira é a
de que, o povo português, continua a ter razão quando diz: “longe da vista,...longe
do coração”. E, se assim é, “amor com amor se paga”!
Deixemo-nos de
embaraços patrióticos e comecemos a recusar a publicação gratuita dos
comunicados, ofícios, iniciativas e tantas outras notas oficiais, vindas de
governos, ministérios, embaixadas, consulados e tantas outras instâncias
governamentais.
Afinal,...
também somos gente!
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O País (Portugal) está perdido!Fernando
Cruz Gomes
Agora que as eleições autárquicas em
Portugal – as principais em que a diáspora deveria votar e não está autorizada
a fazê-lo... já lá vão e pertencem à História – descobrem-se mais umas quantas
“carecas”. A Imprensa, livre até demais, vai atirando cá para fora com dichotes
e mais dichotes. Entrechocam-se ódios. Vivem-se arrogâncias. Há, por toda a
parte, toneladas de desamor. A jeito de “vendidas” ao domicílio. Quem quer
mais... quem quer mais?!
Se os auto-proclamados “pais da Pátria”, depois do 25 de
Abril, pudessem (ou quisessem) falar, se a sua voz ainda fosse ouvida, eram bem
capazes de fazer perguntas duras. Liminarmente ofensivas. Sobretudo os tais
“pais” que são honestos – ainda há alguns – haveriam de perguntar aos “meninos”
de então, hoje políticos de craveira, o que é que fizeram com o País que eles
lhes entregaram. Sim, porque o “25 de Abril” – não tanto o “26” – foi feito
para regenerar o país. Foi engendrado para remover velhos caciques. Para moralizar
costumes. E, no entanto...
-O que é que fizeram à liberdade? E à Democracia? Onde
está o “País Novo” que poderia começar aí? Há mais justiça, melhor saúde,
melhores políticos?
Eles não fazem as perguntas. E os políticos, mesmo que
essas perguntas fossem feitas, eram bem capazes de não saber responder. Eram
bem capazes de titubear, sobretudo por que há, entre os tais “pais da Pátria”,
quem tenha, igualmente, muitas e variadas culpas no cartório.
De resto, pensando bem, é capaz de ser pecha antiga, em
Portugal, o “deixa andar” doentio que faz do país que somos... um país perdido.
É pecha antiga, sim. E ainda agora me lembram... o que, já em 1871 – sim, leu
bem, 1871 – o grande Eça de Queiroz escrevia. Como se adivinhasse o que se iria
passar em 2005. Como tivesse dotes de previsão. Como se conhecesse, realmente,
os “meninos” que hoje manuseiam a bel talante o País que também foi seu.
Já então, para Eça, “o
país perdeu a inteligência e a consciência moral”. E isto porque “os costumes estão dissolvidos, as
consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por
única direcção a conveniência”.
Hoje como ontem, o País entra facilmente à deriva.
Deixa-se manietar. “Não há princípio que
não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se
respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos”. São palavras
escritas por quem vivia os tempos de então. E que, hoje, têm tanta razão de ser
como ontem. É que, de facto, “ninguém
crê na honestidade dos homens públicos,
alguns agiotas felizes exploram, a classe média abate-se
progressivamente na imbecilidade e na inércia”.
O grande Eça conhecia o seu povo. Sim, porque toda esta
“imbecilidade” não é apenas da classe política, dos que mandam. O povo também
tem a sua dose de culpa e responsabilidade.
E, no entanto, como também ele escrevia “o povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma
rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e
tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as
consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido”!
Eça o disse. Nós o confirmamos. E o Povo sabe que é
assim. Mesmo agora, que até tem eleições e tudo. E se vai empaturrando com
democracia de quanto baste e liberdade em doses barbitúricas...
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Mais
uma machadada do MNE nos órgãos de Comunicação Social da
diáspora Por
António Cardoso
A notícia publicada
pela Lusa a 25 de Outubro sobre a criação de uma revista gratuita destinada às
comunidades portuguesas, cujos conteúdos e distribuição ficarão a cargo do
Ministério dos Negócios Estrangeiro, é
um verdadeiro atentado à dignidade e à bolsa dos órgãos de comunicação social da
diáspora.
Uma empresa
privada, a Figure’s, assegurará a edição e a comercialização do espaço
publicitário.
“Publicidade e
patrocínios serão os meios de subsistência da publicação, que quer atingir os
cerca de cinco milhões de portugueses”, diz a notícia da
agência.
A minha primeira
interrogação é de saber que percentagem dos famigerados 10% das verbas de
publicidade institucional que deveriam, em princípio, ser atribuídas à imprensa
regional, de que fazem parte os OCS das
comunidades, vai contemplar esta publicação (ver abaixo portaria da AACS). Em
princípio, pois ainda há pouco tempo tivemos um exemplo revelador de
parcialidade na distribuição das verbas de publicidade afectadas à campanha de
promoção do voto electrónico.
Consideramos que,
com esta medida, o MNE, através da SECP, pretende substituir os órgãos de
comunicação social privados e independentes na divulgação da
informação.
Consideramos que a
empresa editora de uma publicação desta natureza será detentora de privilégios
que lhe permitirão obter por parte dos anunciantes privados e públicos,
campanhas de publicidade que deixarão de contemplar as publicações
independentes.
Da mesma forma, a
distribuição gratuita desta revista através de representações do Estado, levanta
questões de legalidade e prejudicará as publicações vendidas.
Que, tal como
aconteceu em França com a Dassault ou a Hachette, grupos privados se apropriem de órgãos de
comunicação social para se auto-promover ou dominar jornalistas irreverentes
ainda passa, que um governo de um país democrático tente fazer o mesmo é no
mínimo preocupante.
Portaria n.º
1/91
de 2 de Janeiro
A actividade
desenvolvida quer pela imprensa regional, quer pelas rádios locais tem
constituído um meio de inegável importância na defesa e promoção dos interesses
das comunidades locais em que se inserem.
Assim, reconhecendo a
importante função social que aqueles meios de comunicação têm vindo a
desempenhar, entende o Governo proporcionar-lhes ajudas financeiras que não
dependam directamente do Orçamento do Estado, tendo, em consequência, natureza
variável, mas que, pelo contrário, possam constituir fontes de receita de
carácter permanente.
Nestes termos, em
cumprimento do disposto no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 330/90, de 23 de
Outubro:
Manda
o Governo, pelo Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e da Juventude,
o seguinte:
6.º Uma
percentagem não inferior a 10% do valor bruto dos investimentos realizados com a
distribuição da publicidade de Estado deve ser colocada, através da
Direcção-Geral da Comunicação Social ou pelos próprios serviços promotores, nas
estações de rádio de cobertura local devidamente licenciadas pelo Instituto das
Comunicações de Portugal e nos jornais de imprensa regional regularmente
registados na Direcção-Geral da Comunicação Social, desde que tal colocação não
se revele incompatível com os objectivos ou condicionalismos técnicos e
operacionais subjacentes à respectiva campanha
publicitária.
7.º A colocação das campanhas de
publicidade de Estado nos órgãos de comunicação social mencionados no número
anterior deve realizar-se em partes iguais, para as estações de rádio locais e
para a imprensa regional, tendo em atenção, dentro de cada uma destas
categorias, critérios de operacionalidade, eficácia e
equidade.
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Os emigrantes... que paguem a crise!
Fernando Cruz Gomes
O ano de 1976 era
ainda uma criança. No jornal “O Dia”, que então ainda se podia ler, dirigido
como tinha sido pelo grande Vitorino Nemésio, a que sucedeu Alçada Baptista,
havia um naipe de verdadeiros Jornalistas. Eram do grupo que a “democrática”
atitude de José Saramago tinha corrido do Diário de Notícias. Nas longas noites
de cavaqueira, e no meio das muitas anedotas que surgiam sempre, apareceu uma
vez uma frase que haveria de ser célebre, tanto que a usávamos sempre quando
queríamos zurzir nos (des)governos que iam sucedendo no País que temos.
João Fernandes – o
mais “brincalhoteiro” de todos – a cada medida que visava, afinal, os que menos
ganhavam, dizia: “...muito bem, os pobres que paguem a crise, claro, já que,
para mais, já estão habituados... e são mais do que nós, os ricos”. O João era,
em bens materiais, mais pobre do que os mais pobres... mas brincava assim com
as asneiras que via fazer aos Governos – qual deles o pior – que iam abancando
na mesa do orçamento...
Os povos que
paguem a crise! Agora... António Braga, o secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas, anda por aí a dizer mais ou menos o mesmo. Os emigrantes que
paguem a crise!
Em Caracas, onde o levou a sua ânsia de contactar com as comunidades,
disse, alto e bom som que... Portugal espera que os seus emigrantes contribuam
para o crescimento económico nacional. Disse mesmo acreditar que os portugueses que vivem fora de Portugal podem ajudar ao
crescimento da economia portuguesa. Participava numa reunião com representantes
do Conselho das Comunidades Portuguesas, da Banca e da Agência Portuguesa de
Investimento, ali acentuando coisas mais ou menos coerentes que só pecam por
não estarem englobadas num projecto sério de captação de interesse e
entusiasmo. Frisou que, além de ser uma plataforma de comunicação com a Europa
e estrategicamente um ponto de encontro de muitas rotas, “Portugal é cada vez
mais um país de oportunidades”. E espicaçou os presentes, opinando que “há hoje
condições de desenvolvimento que permitem que haja parcerias entre os
empresários tão bem sucedidos nas comunidades e os empresários que vivem em
Portugal”.
Amen, diremos nós
cá de longe.
Alguém nos disse
que, logo após a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética
criaram autênticas agências de “caçadores de cérebros” alemães e de outras
nacionalidades com eles ligados, por forma a enriquecer a sua então emergente
Ciência. Era certo e sabido, por essa altura, que a Alemanha tinha cabeças
poderosas. Para além do megalómano Hitler e seus sequazes havia cientistas e
inventores que poderiam enriquecer a nomenclatura científica da época.
Verdade ou
mentira, é bom não esquecer que a ida à Lua foi gizada e planeada por nomes
alemães - onde avulta o de Von Braun - então já ao serviço dos americanos.
Idênticos “feitos” se passaram, decerto, na União Soviética, onde pelos vistos
até mudavam os nomes aos tais “malandros” alemães que se iam apanhando...
Hoje, Portugal,
reduzido à sua mais ínfima expressão, precisava, também, de uma brigada de
caçadores de cabeças. Talvez até de uma brigada de caçadores de cabeças e de...
investidores. Encontra essa gente nos mais diversos confins da terra.
Disseminados em vários países e a enriquecer outras culturas. Talvez a fungar
saudades da terra-mãe que sempre lhes foi madrasta.
Caçadores de
cabeças! Uma necessidade imperiosa para o nosso pobre país de origem, que
continua, paulatinamente, a bancar de grande senhor, rico e poderoso. Que
continua cego e surdo aos “clamores da saudade” - com os nossos também à
mistura - que pedem, apenas, reconhecimento e lhaneza de trato. Que se
interrogam sobre como é possível dedilhar lá longe as cordas piegas de um
“saudosismo” que nem governantes nem governados têm, a respeito dos que, um
dia, por este ou aquele motivo, sairam do torrão natal.
O sr. António
Braga e os seus companheiros deveriam aprender, de facto, a lidar com as
comunidades. Ele e um monte de outras pessoas que passaram pelo Palácio das
Necessidades e se sentaram à “mesa do Poder”. Talvez que as comunidades – que
são tratadas como “pobres” quando se trata de receber seja o que for de
Portugal, pelo menos no chamado “resto do mundo” – entendessem melhor a
mensagem que agora chega.
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Afinal quem poderá
votar para o presidente da República ?
Antonio Cardoso
A minha última crónica
sobre o direito de voto dos emigrantes bi-nacionais para as presidenciais em
Portugal, causou alguma confusão na mente, não só, dos interessados em exercer
esse direito como na certos funcionários públicos, sempre prontos a responder
ao que desconhecem com os habituais disparates.
Julgo pois ser
pertinente voltar a escrever sobre esta matéria e propor a instauração de um
debate público até às próximas eleições presidenciais.
Soubemos entretanto que,
alegadamente, “Lisboa já foi consultada” por vários embaixadores e cônsules
sobre a interpretação da Lei Orgânica 5/2005, que a invariável resposta seria
de “deixar andar, há juristas a trabalhar no assunto” e não dificultar, por enquanto,
o recenseamento dos candidatos... a eleitor.
Passei algumas horas a
tentar interpretar as intervenções dos deputados na Assembleia da República
sobre esta matéria . A minha conclusão é simples : se em 1997, o Partido
Socialista não tivesse tido receio do resultado dos votos dos emigrantes, teria
aceite que no texto constitucional, ficasse definitivamente delimitado o
universo eleitoral dos emigrantes que poderiam votar nas eleições para o
Presidente da República.
Em vez disso, tomaram-se
disposições provisórias que geraram a Lei Orgânica 3/2000 e atribuiu capacidade
eleitoral aos cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais até Agosto de 2000,
data da publicação dessa lei.
Um dos artigos (1° B –
3.), da Lei 5/2005, que daria para rir se o caso não fosse tão sério é o
seguinte: “São também admitidos ao recenseamento eleitoral do Presidente da
República, para além dos casos referidos nos números anteriores, os cidadãos
portugueses que se tenham deslocado e permanecido em Portugal pelo menos 30
dias nos últimos cinco anos e fizeram prova de conhecimento da língua
portuguesa”.
Resta saber como se
poderá comprovar a dita permanência, se é 30 dias em cinco anos ou duma só vez
e se vão arranjar professores de português para verificar o conhecimento da
língua portuguesa de quem se quer recensear.
Por muito que tente, não
consigo entender que um cidadão português no estrangeiro possa votar para o
Parlamento e não possa exercer esse mesmo direito, segundo os mesmos critérios,
para a Presidência da República.
Um dos nossos leitores,
bastante enervado, falou-nos da discriminação que existe em Portugal em relação
aos emigrantes, invocando nomeadamente a desproporção de representatividade na
Assembleia da República. De facto, a representação proporcional é um princípio essencial
do sistema político português e está garantido contra a revisão
constitucional. Com quatro deputados
que representam cerca de quatro milhões de emigrantes espalhados pelo mundo, é
evidente que esse princípio não é respeitado.
Vamos obviamente voltar a este
assunto, com entrevistas, testemunhos e comentários de eleitos e de cidadãos
bi-nacionais que querem exercer os seus direitos cívicos no país onde nasceram
e que amam.
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Mudem de vida
- filiem-se no PS
Orlando Castro
Já estou, como dizia o meu
amigo Fernando Frade no seu Bissapa, a ficar matumbo. Afinal Portugal é o quê?
No dizer de António Ribeiro é
um país a caminho do terceiro mundo, talvez porque não haja quarto. Os
socialistas de cartão continuam a ser donos e senhores dos tachos todos. E como
todos podemos ser socialistas, não vejo razões para que os portugueses não
ponham as ideias de Poder acima do poder das ideias.
Vem isto a popósito da
nomeação governamental do deputado socialista Guilherme d’ Oliveira Martins para
presidente do Tribunal de Contas? Não, de maneira nenhuma. Vem isto a
popósito da nomeação governamental do socialista Fernando Gomes para a
administração da Galp? Não, de maneira nenhuma. Vem isto a popósito da
nomeação governamental do socialista Armando Vara para a Administração da Caixa
Geral de Depósitos? Não, de maneira nenhuma. Vem isto a popósito de o
Governo socialista ter contratado o socialista António Vitorino para
representante do Estado nas negociações com os italianos da ENI no processo de
recomposição accionista da GALP? Não, de maneira nenhuma. Com um país
assim, onde são (quase) sempre os mesmos a ter acesso ao poder, sendo todos os
outros relegados para fora de jogo, dou razão a um socialista que, a propósito
das críticas que aqui lhes tenho feito, me respondeu enviando-me uma ficha de
filiação com uma simples mensagem: “Muda de vida”.
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Incêndios, Mário Soares e as eleições autárquicas
António Cardoso
Os incêndios
Escrever
sobre o mês de Agosto no nosso país sem referir os incêndios poderia ser
considerado uma falta profissional por quem habitualmente faz o favor de nos
ler.
O problema é que não percebo absolutamente nada do assunto nem consigo
compreender a incapacidade dos governos que se têm sucedido estes últimos anos
para enfrentar esta catástrofe.
Não sei se é verdade o que terá dito o vice-presidente da Associação Nacional
dos Bombeiros Profissionais : “é inexplicável que se fale em falta de meios
humanos quando há bombeiros disponíveis nos quartéis”. Dá o exemplo dos
Sapadores de Lisboa que só foram chamados no domingo, dia 22 de Agosto - pela
primeira vez esta época... E acrescenta que há “má organização,” com bombeiros
do Centro a combater incêndios no Norte e bombeiros do Norte a combater
incêndios no Centro, enquanto chega uma vintena de bombeiros da Madeira e outra
dos Açores...
O presidente da República sugere entretanto que “as culpas são dos
proprietários que não limpam as matas”, mas o incêndio que ameaçou a cidade de
Coimbra aconteceu na Mata Nacional de Vale de Canas, que pertence ao Estado.
Também não entendo que os nossos jornalistas de televisão e outros estrangeiros
prefiram mostrar imagens de desespero de pobres cidadãos aos gritos, de balde
de água na mão ou com ramos de eucalipto, tentando apagar enormes fogos para
defender as suas casas. Será isto jornalismo? Como diz um célebre director de televisão, “passamos
as imagens que vendem” ou “arranjamos
programas para inserir na publicidade”.
Tem razão um quadro superior do ICEP, quando afirma que, “o que se ganhou em
turismo e credibilidade com o Euro2004, perdeu-se com estas imagens de um
Portugal pobre, desorganizado e desorientado”.
Mário Soares
Contrariamente
ao que repetidamente tem afirmado nestes últimos tempos, Mário Soares, com 81
anos, é de novo candidato a Belém.
É sabido que um dos problemas da velhice é a perca progressiva de memória. Mas
duvido que o ex-presidente, ainda bem verde, sofra desse mal. Acreditamos é que
padece de uma outra doença que se chama “Política”.
Eleições autárquicas
“O Senhor é um mentiroso, mentiroso é o Senhor, eu também sou licenciado, ou
tratam-me por Doutor ou então trato-vos por senhores”.
Estas são algumas das trocas de palavras que ouvimos num debate televisivo
recente entre os candidatos à câmara de Amarante.
Em certa época, estes e outros insultos e acusações, seriam provavelmente
resolvidos em duelo mortal, mas há muito que se tornaram habituais e até
indispensáveis nestes debates, para aumentar as tais audiências.
A jornalista que entrevistava os três candidatos, também lhe chamavam doutora,
tentou timidamente acalmar os ânimos e centrar um debate que poderia ter sido
interessante se os candidatos tivessem realmente ideias novas a propor para
esta cidade que pouco a pouco tem vindo a perder importância e a sua antiga
vitalidade.
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Gralhas ou… grunhos?!
Fernando
Cruz Gomes Gralhas.
Surgem por toda a parte onde há gente e fazem de contas que também o são, mesmo
não o sendo de facto logo que abrem a boca. Pelos vistos, e sem o saberem, são primos
carnais, de primeiro grau, dos grunhos – os grunhos lusitanos – que a Clara
Ferreira Alves, uma finíssima articulista, há tempos descobriu. Como eles
imiscuem-se na vida de toda a sociedade, entravam o caminho do mais sisudo e
sabedor, sem deixar de atirar aos ares as postas de pescada que nem carapaus de
gato são.
Li, há dias, que pode haver grunhos geniais. Só que
essa eventual genialidade terá sempre uma frequência reduzida, já que os
grunhidos, ou seja, as manifestações dos grunhos, são primitivos, estando mesmo
associados ao atraso mental.
- Olha-me esta me...da! Vá para o car...o! Então esta besta não vê que eu estou
aqui... que sei do que falo...!
E olham à volta para ver se outras gralhas lhe aparam o sermão. Na atávica
gralhada que se vai formando, se há mais do que um... ninguém mais se entende.
Em formação quase corporativa, transformam-se pacatos locais de convívio em
gralheiras de fazer tremer o mais pacato dos cidadãos.
No Verão, as gralhas – que são, sobretudo, masculinos e se consideram, a toda
hora, muito homens... - entendem que têm de vender o seu peixe, enfermizando a
estada dos outros. Com muitos fo...-se à mistura e uns quantos f. da. p. Há
dias que perdemos a conta se nos dermos ao traba-lho de enumerar os palavrões e
aleivosias que se ouvem.
Dizem-me que nem é por mal. Que esta espécie de grunhos lusitanos, que foram
emigrando aos poucos para toda a parte, são apenas uns pobres saloios que de
nada sabem. E que atiram aos ares a sua voz altitroante para se darem ares. E
para assumirem uma espécie de protagonismo que não têm.
- Era mesmo o que faltava! Este caramelo agora a dar-me música. Um porra que
não sabe onde cair morto. Vá... vá... que eu não estou para aqui ficar toda a
vida. Olhó o car...o! Uma cambada de cab..es que pensam que têm o rei na
barriga... Se trabalhassem como eu...!
Pedaços de conversa que se ouviram, há dias, no próprio Consulado, a uma gralha
que víamos, dias antes, numa repartição canadiana qualquer, quase de joelhos e
de chapéu na mão a pedir o “please... please... I need...” Ali, não. Que “sou
eu que pago a estas bestas, que estão aqui para me servir... f...-se”.
As gralhas. Os grunhos. Primos direitos. Uns ainda andam por lá a enfernizar os
indígenas da Mãe Pátria. Os outros, transplantados para um ambiente mais
sofisticado (o que nem quer dizer melhor) da emigração... andam por aí, também,
com as mesmas cervejolas no bucho, com a voz entaramelada do ripanço que querem
ter, olhando o seu próprio umbigo e não permitindo que ninguém lhes passe à
frente, mesmo que esteja lá muito mais adiante.
Nos semáforos, nas passagens dos semáforos, ganham novos contornos. Novas asas,
talvez. As gralhas não permitem que ninguém use os seus próprios direitos, se
beliscarem, mesmo ao de leve, os interesses de um desses espécimes.
- Olha-me este sacana... a pensar que me fo...e! Essa agora... ó seu ca...ão.!
Atiram aos ares os palavrões sem nome e levantam o dedo seja para quem for.
Arrancam com o carro numa trovoada de roncos e de... insultos. “Não queria mais
nada este f. da. p. Vá-se fo...er. Era mesmo o que faltava...”
Como a Clara Ferreira Alves entendo que este espécime lusitano, quer seja
grunho ou gralha... deverá começar a definhar... definhar... para se extinguir
de vez. F...-se!
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Portugal! 1580 ou 1640?...
Luís Barreira
De cada vez que regressamos das férias gozadas em
Portugal e, independentemente do ar refrescado ou bronzeado que nos acompanha e
da sensação de “baterias carregadas”, para mais um ano de intenso trabalho,
trago igualmente uma sensação amarga na bagagem, como se uma nuvem de
insatisfação cobrisse a felicidade de umas férias bem passadas. E o mais grave é que essa sensação aumenta, ano após ano! Naturalmente
que isto acontece, porque sentimos o País como o nosso e tudo o que de mal lhe
observamos, são como nódoas na nossa própria toalha de mesa. Além disso, as
nossas observações são, muitas vezes, influenciadas pela análise comparativa
que fazemos com o país em que vivemos e pelas nossas próprias experiências de
vida. Razão da muita “violência” verbal, na nossa análise crítica de Portugal e
dos portugueses que lá vivem.
Somos de facto muito críticos de nós próprios. Exageramos de pessimismo, de
dúvidas, de fados tristes, de resignação fácil e de desconfiança. Flagelamo-nos
tantas vezes de insultos, de escárnios, de piadas mordazes, de combates
estéreis e de invejas incontidas.
No entanto, ao longo da nossa história e apesar de todos os defeitos que nos
caracterizam, fomos capazes, em dados momentos, de desafiar o destino que nos
impunham, renovar as esperanças, mobilizarmo-nos em torno de grandes ideais e
lutar, voluntária e desinteressadamente, pelo bem colectivo.
Mais recentemente e apesar das dificuldades em que o País tem estado
mergulhado, o povo exibia com orgulho a Expo 98, como a sua jóia da coroa e
gritava a plenos pulmões e a bandeiras despregadas, pela vitória da equipa
nacional no Euro 2004, reforçando a sua auto-estima e os símbolos da sua
unidade, mesmo que os motivos evocados não fossem autênticas causas
nacionais!...
Nunca fomos, enquanto povo, “gente rica”, mas sempre soubemos fazer das “tripas
coração” para vencer os obstáculos que nos surgiam e que, algumas vezes, nós
próprios engendrámos. Mas, independentemente do passado longínquo ou próximo, o
que se passa agora, começa a preocupar-me profundamente!
A democracia, uma das nossas conquistas mais recentes, proporcionou-nos a
abertura essencial ao mundo, ao desenvolvimento económico e cultural do nosso
País e, necessariamente, a alterações do nosso tecido social. De um país
marcadamente dividido entre ricos e pobres, nasceram várias camadas
intermédias, a que alguns chamam: “classe média baixa”; “classe média” e
“classe média alta”, quando se aproximam do estatuto de ricos.
Estes estratos sociais têm-se desenvolvido através da diversificação da
economia portuguesa e da necessidade da gestão qualificada, nos mais diversos
domínios e são, naturalmente, consequência das novas condições de vida, que têm
permitido a formação de milhares e milhares de universitários (o que antes era,
quase e só, para os filhos dos ricos...).
E é exactamente uma parte dessa camada intermédia, envolvida na política, na
economia e na vida social do País, que me preocupa cada vez mais!
Habituados a grandes carros de marca, casas com piscina, excelentes
restaurantes e férias no Brasil ou no México, impulsionados pelas políticas de
soluços tecnológicos sem base económica sustentada e aculturados por estilos de
vida falsos e supérfluos, esta parte cada vez mais importante da nossa
sociedade, alimentada pelo fácil estrelato televisivo português, está-se
inteiramente nas “tintas” para as dificuldades estruturais do País e para os
necessários sacrifícios a realizar e empreende uma política pessoal do
“salve-se quem puder”, mesmo que isso implique uma atitude “mercenária”,
relativa à sua identidade nacional, à sua pertença a uma cultura e a um povo,
ou à sua dignidade e verticalidade pessoais.
“Entreguem ‘isto’ aos espanhóis!”, “Precisamos é de um novo Salazar!” e “Ponham
um Comissário europeu a gerir esta ‘história’...”, são frases que correm cada vez mais soltas, na boca desta
gente, não porque estejam a pensar no necessário desenvolvimento do País e do
seu povo, mas sim na continuidade do dinheiro que tem circulado nas suas
bolsas.
Penso que já ninguém, no seu perfeito juízo,
acredita no “orgulhosamente sós”, mas custa-me pensar que, a geração que nos
substitui, possa desejar a alternativa de um futuro “servilmente acompanhado”.
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Combater a pobreza... sem combater a corrupção?!
Fernando Cruz Gomes
Os inefáveis mentores dos G8 – em que,
naturalmente, o Canadá está envolvido – toveram, não há muito, uma reunião.
Pelos vistos tinham como ponto principal em agenda... a tentativa de anular a
pobreza em África. A reboque da boa-vontade de cantores internacionais,
estudavam a possibilidade de eliminar os débitos internacionais da África,
assim a modos de como passar uma esponja pelas dívidas de uns quantos.
E acreditaram estes senhores, alguns dos quais
mais parecendo generais de opereta e, portanto, sem exército que se
veja, que ajudavam África. Que o continente mais pobre teria, com o gesto de se
perdoarem as dívidas, mais uma possibilidade de sair da pobreza.
Naturalmente que a ideia estava votada ao
fracasso. E estava votada ao fracasso, porque o grande flagelo de África não é
a pobreza. O grande flagelo chama-se corrupção. Esta, qual hidra de muitas
cabeças (e não apenas as 7 que o bom do Hércules teria descoberto), campeia à
solta por todo o continente. De Luanda a Abidjan e de Lagos a Kinshasa. Mete-se
no negócio dos diamantes, da mesma forma que se encharca de petróleo e se
mobiliza onde a madeira preciosa avança. E mesmo em zonas onde não há subsolos
tão ricos, há sempre maneira de se fazerem uns trocos...
A corrupção é mesmo o grande flagelo de
África. Com tentáculos por todo o mundo. Como a toda a hora vimos e ouvimos.
Provado. Ainda há dias líamos em tudo o que é Jornal que as autoridades de
Paris vão continuar a sua senda jurídica contra um tal Falcone, apesar das
pressões do Governo de Luanda a exigir a retirada das acusações no âmbito do
caso Angolagate. Pelos vistos, José Eduardo dos Santos está entre os
acusados de receber comissões elevadas no âmbito daquele caso. E que tem a ver
com a venda de armas russas a Luanda por intermédio dos empresários Pierre
Falcone e Arcadi Gaydamak.
Uma das mais recentes edições do Expresso,
que cita “um dos envolvidos” no escândalo (que já tem quase barbas...), diz que
“Eduardo dos Santos é acusado pelo juiz de ter, directa ou indirectamente,
recebido milhões de dólares de comissões”.
Claro que, neste caso, Angola rejeita as
acusações de tráfico ilegal de armas e de fraude fiscal cometidos por Pierre
Falcone, porque o material não seria de origem francesa nem transitou através
de França. Só que a justiça de Paris continua a dizer que o montante das verbas
desviadas neste negócio “atingiu o valor de 300 milhões de dólares”.
E este, naturalmente, é só um exemplo. Um
exemplo que poderia ser multiplicado por muitos. A corrupção é, de facto, o
maior e mais grave problema de África e enquanto os países dos tais G8 não o
reconhecerem oficialmente... são “paninhos quentes” as panaceias que querem
usar na luta contra a pobreza. Já outros o tentaram. Já outros falharam.
Há países em Africa – e Angola será um deles – em que se deveria corar
de vergonha ouvir dizer que há crianças a morrer de desnutrição. Porque, de
facto, esse País – e vários outros do mesmo continente – é demasiadamente rico
para alguém acreditar que... seja pobre! E mesmo que nos digam que é
impossíveis desvendar os mistérios de tanta pobreza, acreditamos – como
Napoleão Bonaparte – que “impossível é uma palavra que só existe no dicionário
dos idiotas”. O general e estadista francês sabia o que dizia.
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Banca
portuguesa em França pode desaparecer Anónio
Cardoso
No
princípio da década de 90, fomos encarregados de
organizar um grande espectáculo gratuito no Zenith de
Paris cujos custos totais, sem contar as agências,
superaram na altura 1 milhão de
francos, para promover a entrada do banco Nova Rede em
França.
Entrevistámos o presidente, Jardim Gonçalves, para o
jornal Encontro e ficámos estonteados com as
perspectivas por ele delineadas para o futuro da banca
portuguesa neste país.
Quinze anos depois, os resultados estão à vista O
banco BCP anunciou para breve a cedência da maioria do
capital a um banco francês. A Banque Franco-Portugaise,
o Banco Mello, a União de Bancos Portugueses, o Banco
Português do Atlântico, o Banco Pinto & Sotto
Mayor e o Banco Borges & Irmão já fazem parte da
história mais recente das comunidades.
De outros, desaparecidos há mais tempo, já poucos se
recordam.
Um banco é uma empresa comercial que tem evidentemente
por objectivo principal realizar benefícios.
Mas há práticas que não podem ser idênticas às do
comércio tradicional a partir do momento que uma
instituição bancária dispõe de poderes suficientes
para criar dependência da parte dos seus clientes.
As comissões ou despesas por vezes “à la tête du
client”, de tenue de compte, dépassement
non autorisé, commande de chéquier urgent,
lettres d’injonction, frais de rejet e
outras simpáticas definições que aparecem no extracto
bancário dos clientes à frente dos montantes debitados
nas suas contas, permitem aos bancos portugueses,
franceses e outros, arrecadar
receitas importantes que lhes permitem melhorar a sua
conta de exploração, explorando o cliente.
As condenações de certas práticas nos tribunais não
assustam os gestores (basta consultar o site internet da
Association des Usagers de Banque, para se ter uma
ideia), pois sabem que são muito poucos os que recorrem
a esse extremo para regularizar conflitos, muito menos
os portugueses, e que a imprensa generalista, também
por vezes dependente, dá pouca ênfase a esses
problemas.
Alguns demonstram grande engenhosidade para subtrair sem
autorização das contas dos clientes somas destinadas a
companhias de seguros do mesmo grupo, após redução da
devida comissão do banco. Assim, a grande maioria dos
clientes da Caixa Geral de Depósitos em França, com
excepção de alguns, talvez considerados mais eruditos,
é debitada todos os anos dum montante de 19,06 Euros,
sobe a denominação “compte de sécurité”.
Esta verba, multiplicada por uns milhares vai de
facto direitinha para a companhia de seguros Fidelidade.
Foi certamente uma boa ajuda para inaugurar as novas e
independentes instalações na Ópera, patrocinar o Parc
des Princes e dotar a companhia de meios para angariar e
assegurar contratos na área do futebol da capital
francesa, provavelmente motivados pela paixão
desportiva do seu director.
Confirmação feita pelos responsáveis do banco, um
deles garante-nos que este “seguro de vida” (que
nenhum dos nossos interlocutores clientes da Caixa diz
conhecer) “...até já tem servido... os clientes
foram devidamente informados através de uma carta em
1998 ou 99, tinham um certo tempo para dizer que sim ou
não e foram ou não debitados em função da
resposta”.
Ainda bem que os seguros servem por vezes! Quanto à
informação, o banco enviou uma proposta para esse
seguro e quem não respondeu foi debitado, ou seja
praticamente todos os clientes seleccionados. Dizemos,
“seleccionados” porque detectámos vários clientes
que respondem às condições de adesão e que nunca
foram angariados nem debitados.
Julgamos nós, que se trata de uma venda forçada que a
jurisprudência condena. Um outro funcionário
do banco disse à Vida Lusa que tinham ordens para
creditar a soma a quem reclamasse, não sem tentar
justificar e vender o produto. Reconheceu que foram
sobretudo os mais jovens a pedir a restituição das
verbas, algo que pudemos confirmar com vários clientes.
Outros, provavelmente a maioria, disseram-nos que não
tinham gostado da maneira como tinham feito
“aquilo”, mas tinham também as contas em Portugal e
não se queriam chatear com o banco por causa disso.
Por sua vez, o director da Fidelidade, Carlos Vinhas
Pereira, minimiza este procedimento avançando entre
outras justificações que “este tipo de seguros nem
sequer é rentável para a companhia e também existe
nos outros bancos”.
É caso para nos perguntar-mos porque o fazem, correndo
o risco de receber reclamações de clientes
descontentes. Quisemos verificar se esta forma de agir
seria comum a todos os bancos que propõem este produto,
mas constatámos, nomeadamente no BCP, que o cliente só
é debitado depois de ter sido informado pessoalmente e
ter assinado o documento.
Depois da perdas dos câmbios, consequentes à entrada
do Euro, os bancos portugueses tiveram obviamente de
arranjar outras fontes de receita para as colmatar.
Com a entrada em vigor da directiva europeia (ver Vida
Lusa n° 79) sobre a obrigação dos bancos comunicarem
à administração fiscal dos países de residência o
montante dos juros das contas de poupança, já se prevê
uma forte diminuição nas transferências dos
emigrantes para Portugal, que muita falta vão fazer
agora que o rating de Portugal nos mercados financeiros
foi reduzido devido à situação económico-financeira
do nosso país.
Os bancos que mantêm grandes discrepâncias entre depósitos
e empréstimos tonam-se como já escrevemos, cada vez
mais dependentes do mercado monetário que está muito
mal de saúde neste momento.
Na realidade a banca portuguesa, habituada que está a
pedir garantias muito superiores aos empréstimos
propostos (lembra-nos aquela de emprestar o chouriço a
quem dá um porco) com as taxas mais elevadas do
mercado, vê, aparentemente sem preocupação, os
clientes passarem para a concorrência francesa.
Resultado, bancos como o BCP terão provavelmente duas
vezes mais depósitos que empréstimos concedidos. A
diferença vai para o mercado monetário, com pouco
risco, mas com taxas muito inferiores às que obteria
concedendo crédito à clientela.
Lá estão as tais comissões chorudas para compensar.
É provavelmente por estas e outras razões que o BCP
pensa que a banca em França já deu o que tinha a dar.
E, depois de ter adquirido o Sotto Mayor, o Atlântico e
a União de Bancos, prepara-se agora para vender a
maioria do capital à Caisse d’Epargne.
Então o Governo português que impediu que o Sr.
Champalimaud vendesse os seus bancos aos espanhóis,
privilegiando o BCP porque, dizia Jardim Gonçalves, era
necessário termos um grande banco, agora não se
preocupa que se entregue uma boa fatia do mercado étnico
português aos franceses?
Porque não fazer agora também intervir a Caixa Geral
de Depósitos em França já que o BCP acha que o
mercado já não vale a pena?!
E a missão mais nobre da Banca Portuguesa estabelecida
em França não será apoiar as iniciativas da nossa
comunidade, como se vinha fazendo até há poucos anos?
Já esqueceram que se estão cá o devem à emigração?
Não vieram para servir os franceses, estes não
precisam dos bancos portugueses.
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À volta
cá vos espero”!...
Luis Barreira
Uma quantidade apreciável de portugueses,
nomeadamente aqueles que se encontram na Europa, vão partir para as ansiadas
férias em Portugal .
Todos os anos se cumpre este ritual. Todos os
anos, milhares e milhares de portugueses, enchem as estradas e aviões, com um
único objectivo: ver as suas terras e as suas gentes e gozar uns dias de
merecido descanso.
Vai partir esta multidão de “turistas”, que
poupam uns “cobres” durante um ano inteiro, para gastar durante as férias,
dando vida e ânimo comercial às regiões
mais recônditas do País e que têm o “azar” de não serem considerados
estrangeiros e, portanto, não merecerem qualquer reconhecimento particular das
autoridades portuguesas, enquanto fonte de rendimento para aliviar o déficit
das contas públicas. Estes portugueses, “de gema”, continuam teimosamente e
como “formiguinhas”, a seguir o seu carreiro habitual, mesmo que as passagens
de avião sejam cada vez mais caras e a gasolina quase um produto de luxo.
Nesta escolha de viagem, pouco importa se um
governo cai e outro se levanta, se o País arde ou há falta de água, se a
segurança falha ou os serviços estão em greve. Estes “turistas” não decidem as
suas férias em função das conjunturas ou calamidades, eles são parte da sua
terra e não abdicam perante as dificuldades, considerando-as parte integrante
do seu inevitável sofrimento.
Levam na bagagem dinheiro, ideias e vontade de
fazer coisas. São críticos ao que de mal constatam na sua aldeia, vila ou
cidade, pela experiência vivida nos países de acolhimento de onde vêm mas,
sobretudo, porque consideram a terra que os viu nascer como sua e sofrem com a
inércia, a incompetência e o laxismo, de muitos dos seus responsáveis locais e
nacionais.
Estes “turistas”, que falam português, não
escondem o seu desânimo, por ver Portugal cada vez mais longe do estado de
desenvolvimento dos países que os acolhem, mas fazem-no porque, a dor que lhes
vai no peito, é o não poderem regressar mais rapidamente, à terra de onde um
dia partiram.
Estes muitos milhares de homens e mulheres,
que “acartam” os filhos consigo, mesmo que muitos dos garotos já desejem passar
férias noutras paragens mais convidativas, mais não fazem do que tentar
prolongar, o mais possível, o amor natural que sempre nos ligou à mãe pátria.
Podem chover críticas ao seu comportamento,
clichés sobre a sua identidade e oportunistas dos seus recursos. Podem mesmo
alguns serem objecto da já tradicional inveja e sentirem-se desintegrados na
sua própria terra mas,... os portugueses, que vivem e trabalham fora do seu
país, já estão habituados a sofrer esse tipo de incompreensões e não
desistem de clamar que, aquela terra, também é sua!
Nesta debandada geral alguns regressam mais
animados, mais conscientes das suas origens, mais optimistas, para um novo ano
de trabalho e sacrifício e com as “baterias” carregadas de saudade. Outros,
tantas vezes vítimas do nível das suas próprias expectativas, não deixam de
expressar um certo descontentamento e desilusão, sentimento que, um ano de
afastamento, acabará por dissipar.
O mais importante, no entanto, é que partam e
regressem de excelente saúde porque,...”à volta cá vos espero”!
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Assobiar
para o lado...
Fernando Cruz Gomes
O governo de José Sócrates, a despeito de dispôr
de maioria parlamentar, é um governo fraco. Daqueles que necessita de se defender até da própria
sombra. E vai dando saltos em frente que mais não são do que... saltos à
rectaguarda. Chega a parecer confrangedor assistir ao dia-a-dia de um Governo
assim. E a verdade é que até diz coisas bonitas, palavras de esperança. E traça
caminhos que poderiam ser úteis. Para quewm tem uma maior parlamentar como a do
PS, não restam dúvidas de que já deveria ter feito mais, aproveitando,
sobretudo, o “estado de graça” que pensa ainda ter.
Ainda agora, com a ideia consolidada de fazer
referendo sobre o aborto, José Sócrates mais não fez do que tentar desviar as
atenções dos Portugueses para a sua quase inépcia governativa. Quem o diz é
Marcelo Rebelo de Sousa, na RTP. Para
este pensador, o PS está a utilizar a convocação de um novo referendo ao aborto
como um estratagema para “desviar as atenções”. Há que preparar um orçamento
difícil para 2006? Há que preparar os Portugueses para duas derrotas mais do
que evidentes? – Dá-se um saltinho em frente e atira-se com um referendo que,
esse sim, se arrisca a ganhar.
Esta consulta é assim a modos de “pão com mel”
para quem se está a pôr a jeito para seguir “de vitória em vitória... até à
derrota final”. Nas Eleições Autárquicas e nas Eleições Presidenciais é
previsível que a cor rosa fica algo desbotada. Salta aos olhos que o referendo,
para mais entre as duas eleições, é algo que vem mesmo a calhar.
Raciocinava o professor que “o PS vai ter o
seu grande teste económico e financeiro com o Orçamento para 2006 porque com
este Rectificativo ele ainda pode dizer que é uma rectificação do Orçamento de
Santana Lopes”. Pois... mas vêm aí contestações e mais contestações. Talvez lá
para Outubro. E esse orçamento vai ser criticado a bom criticar, com os
socialistas do Governo a terem de avançar com uma ou outra medida desagradável.
Assim, nada melhor que o tal referendo para desviar as atenções do Orçamento de
Estado.
A situação económica é, de facto, alarmante. E
ao Governo é imperioso ter em atenção as dificuldades das classes mais pobres.
Relançar, assim, o tema do aborto – para mais entre duas eleições – não é mais
do que não entender o que deve ser a prioridade. E confundir as pessoas.
Só que há estrategos que pensam que o melhor é
capaz de ser dar a entender que nada se passa, assobiar para o lado, em suma.
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G8! A
oportunidade de fazer história.
Luis Barreira
A recente cimeira dos G8 (os países mais ricos
do mundo), que se realiza na Escócia, nos próximos dias, vai permitir saber
quem é quem, no complexo mundo deste iniciar de século.
Se os países da União Europeia já reagiram à
extrema desigualdade existente entre países, reservando uma percentagem
significativa da sua riqueza nacional para esse efeito até 2010 e, mais ainda,
até 2015, resta saber como vão reagir outros países, como os Estados Unidos da
América, a Rússia, ou o Japão.
Cercados por um grande atraso cultural,
económico e social, condicionados pela globalização, que lhes reserva um papel
de explorados, no âmbito do comércio internacional, alvo de toda a panóplia de
especuladores de ódios, que lhes vendem armas e, muitas vezes, geridos pelas
castas corruptas dos seus dirigentes nacionais, as populações adultas e
infantis de África, dos bairros pobres da América Latina e das regiões mais
atrasadas da Ásia, continuam a morrer, todos os dias, de fome e pestes, perante
a indiferença dos seus semelhantes, vivam eles a seu lado, ou em países, cujas
“sobras” da sua alimentação e vestuário, poderiam reduzir, a metade, as enormes
diferenças existentes.
Se tivermos em consideração a possibilidade de
desvio das enormes despesas, realizadas pelos responsáveis políticos mundiais
em favor da guerra, para acções em favor da paz e da vida dos seres humanos,
então poderíamos erradicar a pobreza da face da terra, quase que
definitivamente.
No primeiro caso, que nos diz directamente
respeito, enquanto cidadãos, habituámo-nos a viver com as imagens televisivas
da miséria de países distantes, tal como os nossos antepassados, no período
feudal, encaravam, pacificamente, a extrema pobreza, a viver ao lado da extrema
riqueza.
Se felizmente a moral social mudou muito, a
atitude ainda é fraca e desconfiada!
Quantos de nós não pensam nessas esfomeadas
populações, quando deitamos bifes e peixes inteiros, para o caixote do lixo,
porque já não temos mais apetite?
Quantos de nós não se lembram dessas
esfarrapadas populações, quando deitamos fora sapatos, roupas e tantos outros
utensílios necessários à vida quotidiana, porque já passaram de moda ou porque
não nos servem?
E, por fim, quantos de nós não se sentem
impotentes para dar o que podem dar e desconfiados de que, o que damos, não vai
parar à mão das populações que mais precisam?
No caso dos nossos governos, os governos dos
países ricos, que pugnam e se apresentam como paladinos da democracia ( a
soberania ao serviço do povo), sejam eles americanos, europeus ou asiáticos,
que atitude convincente e eficaz têm tomado, no seu conjunto, para diminuir o
enorme e progressivo fosso, entre ricos e pobres deste planeta?
Será que a nossa riqueza se baseia na extrema
pobreza de outros?
Será que é necessário deixá-los morrer, por
imperativos demográficos, ou deixá-los pobres e na ignorância, para melhor os
controlar?
E isto em favor de quem? De nós próprios, para
o nosso bem estar actual, até que se revoltem contra nós e usem as armas que,
alguns de entre nós, lhes vendem?
Estamos num momento de grande viragem social,
à escala mundial! Isto não acontece num dia, num mês ou num ano. A escassez do ouro negro, que produziu o modelo do
nosso desenvolvimento, no século passado, a desigualdade do comércio
internacional, que alimentou a soberba de muitas riquezas individuais e a
expansão, moralmente e mundialmente aceite, dos direitos do homem, estão a
produzir conflitos insanáveis, mantendo a actual visão política dos dirigentes
internacionais.
Espera-se muito desta reunião dos G8! Se as
suas conclusões não perspectivarem um futuro equilibrado, para o planeta e seus
habitantes, a história mundial do futuro lembrar-se-à, da fraqueza e imoralidade
dos povos e dirigentes políticos do ano de 2005.
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Uma geração de “choque”!
Luis Barreira
Com um ligeiro sentimento de estarmos um pouco
perdidos, no meio de acontecimentos que nos escapam, mas dos quais sofremos as
consequências, a minha geração continua na esperança do direito a uma velhice
descansada.
Fomos educados num regime de grandes
restrições. Não podíamos falar mal do governo, do patrão, ...nem mesmo do
vizinho.
Crescemos a pensar que havia uns que podiam
ter tudo e outros que teriam de conformar-se com a miséria ou, na melhor das
hipóteses, serem “remediados”. Os três grandes efes: Fado, Família e Futebol
eram os valores da época (Fado para cantar a tristeza, família para elevar o
sentido de responsabilidade e futebol , para dar escape aos nervos).
Atirados, em plena juventude, para milhares de
quilómetros de distância e de armas na mão, obrigaram-nos a fazer uma guerra
contra seres que desconhecíamos e por razões que ignorávamos.
Longe dos problemas no Médio Oriente, sofremos
no entanto as suas consequências com os “choques petrolíferos”, no início dos
anos 70 e nos anos 80 (e mais recentemente o do “barril a 60 dólars”, por causas outras). Tudo isto com o
inevitável agravamento do nível de vida, com menos “cobres” na algibeira ,mas a
vida é feita de luta e já estávamos habituados.
Não havia salário mínimo, cartões de crédito,
juros bonificados, carros a preços acessíveis, roupas de marca ao alcance de
todas as bolsas e... viagens, só a Badajoz, para comprar caramelos.
Da Europa e do resto do mundo, só os ritmos
dos Beatles e dos Rolling Stones, para balançar as calças à boca de sino e as
camisas às florinhas (compradas nos “Porfírios”), uns livritos e uns jornais
atrasados, lidos à sucapa e enterrados em sacos de plástico e uns cigarros de
contrabando, para fumar em ocasiões especiais.
Com o 25 de Abril de 74, a minha geração, deu
largas à imaginação e berrou o incontido no estômago, no coração e na cabeça.
Era preciso repensar os princípios, a moral, a
família, a sociedade, o Estado, os sexos, a economia, o País e....até o mundo!
Esta geração de “dadores” queria dar tudo o
que não tinha tido, sem perceber que não podia dar o que não tinha!
Hoje, face às dificuldades de um presente não imaginado, mas nem por isso
mais difícil do que um passado experimentado, a minha geração de sentimentais
recorda, com um sorriso reflectido,
que: alguns dos princípios devem permanecer imutáveis, porque actuais; que
algumas condutas morais estão acima dos tempos, por que são essenciais; que uma
sociedade justa é aquela que resulta do equilíbrio de oportunidades; que a
seriedade do Estado, enquanto emanação de uma consciência cívica livremente
superior, não se compadece com o laxismo; que uma igualdade de tratamento entre
sexos, raças ou etnias, não é uma utopia; que uma economia que conduza ao bem
estar efectivo dos seus cidadãos, não se compadece com o consumo das aparências
e que um País solidário e um mundo mais humano, só é possível com o nosso
contínuo envolvimento.
Afinal, quando contemplamos hoje Portugal e o
mundo e comparamos a realidade, com muita da nossa ficção geracional,
parece-nos que muita coisa recuou e outras coisas evoluíram, para além do que
se poderia ter pensado.
Só algo, (cada vez mais evidente na expressão
da minha geração), parece não ter mudado e, curiosamente, é o que de mais
antigo foi refinado pela prática da vida. Trata-se do espírito e tenacidade
para encarar as adversidades e a vontade de lutar por dias melhores.
Mas será que educámos os nossos descendentes
com estas mesmas convicções?
Se calhar não os preparáramos para tal, na
esperança de que já não fosse necessário e, agora, com o mundo a girar em
sentidos tão diversos e a vida a exigir sacrifícios maiores, corremos o risco
de nos sentir culpados e, mais uma vez, chamados a participar na resolução dos
problemas que nos afectam.
E nós a pensarmos numa pacífica
reforma!...
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E se pedíssemos perdão?!
Fernando Cruz Gomes
Manuela Ferreira Leite. Quando tivermos
oportunidade de estar com ela... vamos pedir-lhe desculpa. Perdão mesmo. É que,
de facto, nunca fomos muito à bola com a sua figura de mulher austera, que
muitos chegaram a apelidar de “dama de ferro”. Em nós nunca ela despertou mais
do que... um certo ar de desamor. Perdão, portanto.
E como “só os burros é que não mudam”... nós
também mudamos.
De facto, quando, não há muito, a senhora
esteve na televisão a conversar com Judite de Sousa, deparámos com alguém
superior. Com um ar mais natural do mundo... dissecou todas as coisas que
ultimamente afectam o comum dos mortais em Portugal. Com um jeito quase
maternal, como dizia, há dias, Vasco da Graça Moura, ela nem se exaltou, apenas
dando a ideia de que era uma mestre-escola a explicar um problema de simples
aritmética a uma criança. Pondo a nu, afinal, toda a falácia de um Governo –
aquele que temos agora – que se compraz em atirar aos ares meia dúzia de
macacos que tira de um nariz feio e mais feio parecendo. Um Governo que, pela
cabeça do Sócrates da nossa angústia, toma a sério os dislates demagógicos de
um Governador do Banco de Portugal, que antes de fazer o estudo encomendado já
sabia a resposta a dar.
E a senhora mais não fez do que alinhar
números, jogar com cabeça frente aos problemas que já se avolumam mais do que
estavam e muito mais se vão avolumar. A senhora não teve mais do que dizer a
verdade nua e crua do que sabia e do que sabia... que eles sabiam.
E falou de tudo. Passando pelo défice, pelo
aumento dos postos de (pouco) trabalho, das chamadas Scut, do sigilo bancário,
de certos equívocos na apreciação de contas, das reformas e das remunerações
dos funcionários públicos, das demagogias que têm vindo a ser escalonadas dia
após dia. Trapalhadas... muitas trapalhadas. Trapalhadas que dão, desde já, a
entender que o nosso primeiro não vai resolver nada. E não vai resolver nada
porque se enredou em conversas do fala-só, em questiúnculas que têm a ver com
um certo ódio de estimação aos que o antecederam. E, mesmo assim, ainda vai
tentando dar uma de nicolau... dizendo que não sabia o que antes afirmava a pés
juntos.
Se algum dia estivermos com Manuela Ferreira
Leite... vamos, de facto, pedir-lhe perdão pelo mal que dela pensámos. É que
ela conseguiu desmontar, uma a uma, as peças de uma máquina que tem muito de
artimanha grosseira, de cosmética que já não engana, de erros crassos. Disse,
no fundo, com provas – que só não vê quem não quer – que há banha da cobra a
mais, vendida por um Governo que tinha tudo para brilhar.
Por agora, vamos assistindo, assim,
paulatinamente, e sem nada poder fazer, a palavras de um Governo que, dizendo
embora o contrário, está a aumentar a despesa pública, confronta
desnecessariamente a sociedade civil e ajuda a desagregar as empresas. Vai ser
um fartote. Será que o PS não tinha outra gente? Na gaveta onde o Socialismo
entrou, não havia mais ninguém?
E sem saber como nem porquê, aparece-me na
mente a história dos três papagaios. Um tipinho entra numa loja de animais para
comprar um papagaio. Vendo três juntos, iguais, numa gaiola, indaga o preço. O
da esquerda custa 50 euros – diz o dono. Que caro!, protesta o homem. O dono da
loja explica que se trata de um papagaio muito especial que até sabe operar um
computador. O da direita... vale 100 Euros. Novo espanto e nova explicação. É
que o papagaio da direita, além de saber operar um computador, também domina
Windows, XP, Unix e Macintosh.
Era preciso saber o preço do papagaio do
meio. Esse custa 500 Euros. Era demais. O que é que ele saberá fazer de
tão especial para valer esse dinheiro? Perguntava o comprador. A resposta não
se fez esperar. Na verdade - diz o dono - nunca vi esse papagaio fazer nada mas
os outros dois tratam-no por chefe...
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“Trapalhadas” (agora) com outro nome
Fernando Cruz Gomes
Santana Lopes era primeiro-ministro de
Portugal, quando começou a surgir, dos lados da (então) Oposição, o epíteto.
Eram “trapalhadas” tudo quanto seria um “lapsus linguae” ou um engano de
qualquer dos seus ministros. Trapalhadas. Daquelas que estavam toda a semana na
boca do mundo. Trapalhadas que fizeram cair o Governo, com o sopro auxiliar de
um Presidente da República que não abre agora a boca quando surgem as mesmas...
trabalhadas a que hoje se chamam enganos.
De resto, são tantas as confusões, tantos os
enredos e os embustes deste Governo que mais trapalhada ou menos trapalhada..
vai tudo dar ao mesmo.
Agora, foi a ministra da Educação a considerar
um “lapso” qualificar a decisão de um tribunal açoriano sobre os serviços
mínimos como “um pronunciamento que não é de Lisboa nem respeita à República”.
E vai daí insiste em que “os ministros são pessoas normais e cometem lapsos e
só são diferentes porque têm mais responsabilidades”. Maria de Lurdes
Rodrigues, a autora desta trapalhada, que é apenas mais uma deste Governo,
entende ainda que a tal expressão “saiu um pouco atrapalhada”. Bem nos queria
parecer!
Se fosse antes... era só trapalhada e caía o
carmo e a trindade. Hoje, é pura e simplesmente um engano, um lapso...
Recorde-se que, em declarações a uma estação
de televisão – para o caso a SIC - ao ser confrontada com um despacho do
Tribunal Administrativo de Ponta Delgada sobre a providência cautelar
apresentada por sindicatos, no sentido de evitar os serviços mínimos durante os
exames nacionais, aquela sumidade agora arvorada em ministra disse tratar-se de
“um pronunciamento sobre um despacho do Governo Regional de um Tribunal dos
Açores, que não é de Lisboa nem respeita à República Portuguesa, portanto não
respeita ao nosso sistema”.
Quer dizer, a senhora ministra acabou por
ofender, e grandemente, os açorianos. Enxovalhou os princípios gerais de uma
Nação. Provou que estar na Educação... pode nem sequer significar Cultura. Os
Açores, nas suas palavras, passaram a ser tudo menos... Portugal.
Na óptica do ministra, há satisfação “por ter
fracassado esta tentativa de pôr em causa o trabalho de todo o ano lectivo”,
lamentando ao mesmo tempo “o clima de instabilidade e de ansiedade que afectou
os alunos, as famílias e os próprios professores”. Ora bolas! E as suas
palavras? A sua diatribe contra os Açores e contra Portugal? Foi só um “lapso”?
Salda-se apenas por um “engano”? Não há nada mais?
Maria de Lurdes Rodrigues parece ter provado
que é bem mais capaz de ter condições para tudo... menos para ser Ministra da
Educação. Se ela, numa primeira análise, entra por aquela vereda de ofender os
açorianos. Se entende que a “trapalhada” não é mais do que um “lapso”. Deveria,
no mínimo, demitir-se ou ser... demitida. Sobretudo por estar, com a frase e o
conceito, a deitar achas para uma fogueira que às vezes ainda arde. Uma
fogueira que lembra resquícios de um certo colonialismo que também penalizava
os Açores e os Açorianos.
Será que o próprio primeiro-ministro – tão
coerente e tão púdico – não terá uma palavra a dizer para este “engano” que
antes tinha o nome de “trapalhada”?
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Cunhal. Um homem a que ninguém fica indiferente!
Luis Barreira
Faleceu Álvaro Cunhal! Desapareceu último o
líder carismático do Partido Comunista Português, o homem que durante dezenas
de anos dirigiu grande parte da contestação à ditadura salazarista, o mesmo
homem que tão contestado foi, quando já vivia numa sociedade democrática.
Esta aparente contradição e os reflexos que
teve na história recente de Portugal, não podem ser indiferentes a ninguém! Aos
que dele gostavam e o seguiam, como uma devoção sem limites e aos que o combatiam,
com uma ferocidade incontida.
Entretanto, entre uns e outros, havia uma
massa de gente para quem também, o Álvaro Cunhal, não era uma sombra parda da
sociedade portuguesa. Aqueles que consideravam os seus objectivos expressos
como uma esperança para a realização de uma sociedade mais igualitária e que,
ao mesmo tempo, abominavam a praxis utilizada pelo Partido Comunista, na
concretização da sua política. Também para estes, Cunhal, não era indiferente e
também estes olham a história recente da sua acção, com o “arrepio” de
experiências passadas e a esperança de novas ideias e de práticas humanizantes.
Mesmo para aqueles que, não viveram ou
estudaram, o período histórico imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 74,
este velho dirigente comunista não pode deixar de ser uma figura marcante no
desenrolar dos acontecimentos que conduziram a sociedade portuguesa até aos
nossos dias. Alguma influência da sua acção ainda resta nos nossos dias,
beneficiando alguns e prejudicando outros mas, para todos, ele foi um dos que
fez história.
Amado ou odiado, Cunhal nunca vergou perante
as dificuldades que a sociedade portuguesa viria a criar a si próprio e ao seu
partido e nunca abdicou dos seus conceitos ideológicos. Como se os anos de
cárcere, de dificuldades, de lutas permanentes, dentro e fora do seu partido, o
tivessem ensurdecido e cegado, perante a realidade da sociedade
portuguesa, face às profundas mutações
deste velho continente e a um mundo cada vez mais afastado dos seus
pressupostos teóricos e práticos.
Hesito em dizer se isto merece um elogio ou
uma profunda crítica. Talvez o elogio que se faz a uma estátua de pedra, que só
a erosão do tempo se encarregará de dissolver, possa caricaturar a figura de
Cunhal, ou a crítica inflamada, por contradições de natureza pessoal e/ou
política, que tudo mistura sem avaliação. Em qualquer dos casos ninguém deverá
escarnecer deste personagem!
Seja o que for, Cunhal faz parte da história
de uma País que, nos momentos mais importantes da sua foi o centro de um enorme debate ideológico, político, económico,
cultural e,...talvez, pouco social.
A sua herança ficará selada na memória de um
povo, nos seus escritos e pinturas e na história de um partido, que fez à sua
imagem.
Seja o que for, que ficar, não poderá nunca
ser associado a um simples episódio político, como tantos dos que abundam na
história actual da nossa sociedade. E, se muita coisa lhe faltou, para ser um
político com ideias ajustadas à realidade que pretendia alterar, uma coisa
ficou e que cada vez é mais rara na sociedade política portuguesa: a
personalidade e carisma de homens
despretensiosamente entregues às causas porque lutam.
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Saramago recebeu doutoramento “honoris causa” pela
Universidade de Alberta
Fernando Cruz Gomes
O escritor José Saramago recebeu, na quarta-feira,
dia 8, as insígnias do doutoramento “honoris causa”, em Letras, pela
Universidade de Alberta. Na óptica de muitos dos que assistiram foi também uma
homenagem a Portugal.
À cerimónia, presenciada por cerca de 1200
estudantes de Direito e Ensino, que terminavam o seu ano académico, assistitam
Anne McLelan, vice-primeiro ministro federal, e as mais destacadas entidades do
Senado Universitário, encabeçadas pelo presidente da Universidade, Rod Fraser,
e pelo chanceler, Eric Newell.
José Saramago, depois das palavras de Rod
Fraser, que acentuou “ser a presença do Prémio Nobel uma grande honra que
prestigia a Universidade de Alberta”, observou como que a identificar-se que “a
não poucos deverá parecer estranho que venha falar destes temas – “Democracia e
Universidade”, como chamou à sua conferência – alguém que nunca se sentou nas
aulas de uma universidade e que, além do resto, alimenta desde há longos anos
inclinações ideológicas e políticas que o tornam, aos olhos dos bem pensantes,
em alvo das piores suspeitas”.
A formação como objectivo
Abordou, depois, o que considera mais
importante para uma universidade, a “formação”, entendendo que “a universidade
terá sempre motivos para pensar que cumpriu o seu papel ao entregar à sociedade
jovens preparados para receberem e integrarem no seu acervo de conhecimentos as
lições que ainda lhes faltam, isto é, as da experiência, madre de todas as
coisas humanas”. Não esqueceu que, às vezes, “o problema reside no facto de que até agora me limitei a falar da
formação necessária ao desempenho de uma profissão, deixando de lado outra
formação, a do indivíduo, da pessoa, do cidadão, essa trindade terrestre, três
em um corpo só”.
Entre as considerações tecidas lembrou que
“uma educação que propugnasse ideias de superioridade racial ou biológica
estaria a perverter a própria noção de valor, pondo o negativo no lugar do
positivo, substituindo os ideais solidários do respeito humano pela
intolerância e pela xenofobia”.
Explica então que com estas palavras pretende
chegar à universidade e também à democracia. “À universidade porque ela deverá
ser tanto uma instituição dispensadora de conhecimentos como o lugar por
excelência da formação do cidadão, da pessoa educada nos valores da
solidariedade humana e do respeito pela paz, educada para a liberdade, para a
crítica, para o debate responsável das ideias”. No outro pilar da sua
dissertação, disse José Saramago que “o que chamamos democracia começa a
assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está
apodrecendo o cadáver. Reinventemos, pois, a democracia antes que seja
demasiado tarde. E que a universidade nos ajude. Ela pode, vós podeis”.
“Um dos poucos países à moda europeia
Anteriormente, em conversa informal, já
Saramago se dissera “feliz” por estar “num dos poucos países à moda europeia”.
O cônsul honorário de Portugal em Edmonton, Aurélio Fernandes, que juntamente
com o Professor George Lang, foi o responsável pelo “doutotamento”, disse à
Lusa que “José Saramago sempre se mostrou simples, afável e simpático”.
Antes da cerimónia do doutoramento, o escritor
português e vários dos seus anfitriões estiveram na Rutherford House, uma casa
antiga de 1911, em tijolo vermelho, que faz parte do património cultural de
Alberta. À tarde, o Reitor da Universidade, Rod Fraser, e sua esposa Judith Fraser ofeceram uma recepção privada
a José Saramago no Timms Centre for the Arts.
Domingo, dia 12, José Saramago estará em
Otava, onde proferirá uma conferência em Francês, intitulada Qui est-ce qui parle quand j’écris,
promovida por Ottawa International Writers Festival, na National
Archives-National Library of Canada. O Instituto Camões ofereceu uma colecção
da sua obra para ser exposta durante a conferência.
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A “reforma” da política ou a reforma dos políticos?
Luis Barreira
Tenho a certeza que, durante as próximas
semanas, vão chover muitos comentários a propósito do recente “não” francês, à
proposta de Constituição Europeia.
Como é importante saber o que pensa o povo
europeu, sobre esta decisão do povo francês, aqui fica igualmente a minha opinião.
Em primeiro lugar, os franceses, não disseram
“não” à União Europeia, negaram sim um projecto de Constituição da União, cuja
discussão pública foi fortemente orientada pela política interna do País e as
suas actuais dificuldades, e muito menos no articulado do texto constitucional
que se lhes propunha. Desiludam-se, pois, todos aqueles que, em consequência de
nacionalismos estreitos, de várias tonalidades, interpretam esta atitude dos
franceses como uma rejeição da União Europeia. Desiludam-se, igualmente, todas
as cores, ou fracções partidárias, que interpretam o “não” francês como um
apoio incondicional às suas teses constitucionais.
Os franceses, não são assim tão diferentes dos
outros povos europeus da União, no que diz respeito ao estilo de vida que
adoptam e à forma como reagem politicamente. Se a vida corre bem, estão-se um
pouco nas “tintas” para as decisões e compromissos internacionais dos seus
dirigentes. Se o seu nível de vida é posto em causa, “barafustam” como podem,
exprimindo-se em todas as oportunidades. E o referendo foi uma delas!
Mas será que a política europeia, levada a
cabo pelas várias instituições europeias e nacionais, não teve nenhuma
influência sobre o voto dos franceses? Aí,... eu digo que sim!
Há muito que venho reclamando contra a forma
como as élites políticas europeias têm vindo a tratar os assuntos europeus,
alguns dos quais da maior importância futura para os milhões de cidadãos, que
partilham esta grande “casa” europeia.
De cada vez que a Europa “estremece” com a aproximação
de uma crise, alarga-se a União Europeia, mudando o centro de gravidade dos
problemas, como se “o salto no “precipício”, fosse a solução mágica para problemas antigos e sucessivamente adiados.
Há
sérias dificuldades nas economias dos países da União Europeia e
especialmente nas dos que mais têm contribuído para a construção da Europa,
como é o caso da França e da Alemanha. É preciso resolvê-los, ou atenuá-los,
por duas razões fundamentais: para que os respectivos povos acreditem que a
União Europeia lhes proporciona bem estar e para que as economias desses países
possam gerar os tão necessários fundos de auxílio aos novos países, que agora
entram na União.
Há problemas cada vez maiores de comunicação,
entre os decisores políticos europeus e os povos que representam. Não basta
dizer e decidir que “prá frente é que é caminho” se no decurso da viagem
tropeçamos em “buracos” cada vez mais fundos, que não são “tapados”
convenientemente, fazendo-nos sentir espectadores de um processo que altera
profundamente a vida dos povos, sem que esses mesmos povos tenham consciência
plena das consequências do seu envolvimento.
Alarga-se a geografia mercantil da Europa, sem
que se tenha uma especial atenção aos seus cidadãos e à sua sensibilização para
um projecto europeu comum e depois
admiramo-nos que o resultado de uma consulta democrática, ponha em causa os
juízos pré-concebidos dos dirigentes políticos!...
Vão seguir-se outros referendos com o mesmo
propósito e, eventualmente, a resposta de outros povos irá no mesmo sentido.
Se tal acontecer, espero que alguém não se
lembre de afirmar que a União Europeia está a ser posta em causa pela prática
democrática dos seus povos!...
Se tal acontecer e o que verdadeiramente isso
pode representar, é a necessidade de modificar a prática política dos seus
dirigentes, ou seja, reformar a forma como estão na política, antes que os
povos tomem a decisão de os reformar.
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A União para a paz
Luis Barreira
A recente evocação
do 60° Aniversário do fim da Segunda
Guerra Mundial, associado ao dia da Europa, que foi um dos grandes palcos da
guerra , opondo os aliados às potências do Eixo: Alemanha, Japão e Itália,
merece alguma reflexão.
Não gostaria de
falar sobre os “resquícios” daquele enorme conflito, que ainda hoje alguns
teimam em utilizar como arma de arremesso político, quando lhes convém, ou como
justificativo de outras barbaridades, sempre que cometem actos mundialmente
condenáveis. Não gostaria de aqui recordar, mas é conveniente não esquecer!
Na minha opinião, o
importante a recordar, nos dias de hoje e se tivermos em consideração Europa
que estamos a construir é, por um lado, o sofrimento e a morte causadas a milhões
de seres humanos, tivessem sido eles judeus, minorias étnicas, russos,
americanos ou alemães. E nesse aspecto e à luz da nossa sensibilidade actual,
tal catástrofe humana deve ser evitada a todo o custo e banida dos propósitos
de qualquer líder sanguinário.
Por outro lado, a evocação do Dia da Europa,
num contexto particularmente pacífico, em que se encontra este velho
continente, há cerca de 60 anos, após séculos de hostilidades, guerras
sangrentas e disputas permanentes, é algo que, enquanto for viva a memória da
Segunda Grande Guerra, nos faz meditar no quanto de positivo, para os nossos
povos, teve a construção do Mercado Comum e, agora, o da União Europeia.
E porque nos é tão
cara, do ponto de vista económico e social, esta construção continental europeia,
com todas as suas variantes políticas nacionais e comunitárias, devemos
reflectir sobre o futuro desta arquitectura, olhando os problemas do presente,
à luz das velhas aspirações do seu passado, que teve, em Robert Schuman, um dos
seus grandes mentores.
De facto, se a
Europa começou por ser o grande mercado de circulação de pessoas e bens,
procurando que os benefícios dessa circulação fossem redistribuídos pelos povos
que nela participavam, a Europa de que hoje falamos, com um sem número de
instituições autónomas e aspirando a uma Constituição comum, já não é só a
Europa das mercadorias, é o igualmente dos seus povos, de cada um dos seus
seres humanos, que se sentem europeus por direito e por pertença a um projecto
comum de vida.
E a ser assim e porque
habitamos a mesma “casa europeia”, gostaríamos todos de saber o que tem sido
feito para conhecermos todos os inquilinos?! Que esforços têm sido realizados
para dar às novas gerações (para já não falar das pessoas de meia idade), um
conhecimento mínimo da diversidade cultural, histórica, económica, linguística,
etc, destes milhões de habitantes que se agrupam sobre o mesmo “chapéu” da
União Europeia? Que trabalho tem sido realizado pelas instituições europeias
para encurtar a ignorância mútua entre lituanos e portugueses, entre eslovacos
e irlandeses, ou entre gregos e finlandeses, para só falar destes?
Cada um dos países,
que actualmente compõem a União Europeia, teve uma história marcada por séculos
de atribulados acontecimentos, que marcaram os povos desta grande região do
planeta e que ainda hoje são responsáveis por muitas das suas atitudes,
incompreensíveis aos nossos olhos. A única forma de evitar conflitos, como foi
o da Segunda Guerra Mundial, é proporcionar um conhecimento mútuo entre os
povos e estabelecer uma escala de valores comuns, a que todos se sentem
ligados.
Sermos apenas
produtores de bens e consumidores dos mesmos produtos, não é condição segura
para a paz. Isso já o éramos, embora em menor escala, antes e durante os
conflitos, que aconteciam em grande parte, em consequência da disputa de
mercados ou de matérias primas.
A paz e a
prosperidade, que a União Europeia deverá proporcionar, tem que assentar em
bases mais sólidas do que as que resultam da simples transacção de mercadorias.
Estamos a falar de
gente, de pessoas que podem amar-se, detestar-se ou ignorar-se! E não consta
que esta última atitude seja sinónimo da tranquilidade essencial a uma paz
duradoura.
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O “Zé” de Portugal ainda mexe...
Fernando Cruz Gomes
“Zé”. Chama-se
“Zé”, simplesmente “Zé”. Na Europa das várias velocidades, reside e trabalha
agora num dos cantos das coisas finas. Onde os narizes dos mortais só o são
verdadeiramente se forem arrebitados. Assim a modos como se fossem mais
importantes. Vive e trabalha na Europa dos “As”. Naquela Europa onde só se
conhecem como válidas as pessoas... que sacrifiquem à Libra mesmo que tudo à
sua volta já navegue em Euros. Onde quem não for “very... very british” é
oriundo de um país do Terceiro Mundo.
O Zé – o nosso Zé
– teve a ousadia de falar no mesmo tom que os demais. Trabalhando com afinco,
conseguiu pequenas maravilhas. E foi galgando espaços e atingindo os céus da
profissão que escolheu. Profissão onde, naturalmente, face à dor que alguns têm
no respectivo cotovelo... há inimigos a mais. Para dar e vender. Daqueles que,
vermelhuscos e façanhudos, especialmente depois das libações de uma “beer...
very british”, arrotam postas de pescada e se julgam deuses entre os mortais.
Inimigos que não perdoam ao “Zé” jogar o jogo da verdade e da qualidade...
melhor que os “pais da Pátria” e de muitas coisas mais...
A fama do “Zé”
cresceu. Entrou de rompante em locais onde nunca os outros tinham entrado.
Virou celebridade. Ao mesmo tempo que os tais donos da terra... se roíam de
inveja. E insistiam nos dichotes em que importavam o nosso “Zé” do tal Terceiro
Mundo.
Como a fama tem a
perna longa e anda depressa, especialmente em tempos de “Santa Electrónica”, o
“Zé” começou a ser falado. A sua fama foi badalada em todo o mundo. E até já o
levaram a Israel, a servir de emblema para a Paz. E como a fama corre
depressa... também chegou às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
Entrou também nas comunidades, também elas oriundas de Portugal. Comunidades
boas – boas mesmo, acreditem – mas onde às vezes prolifera um defeito que vem
dos séculos e que nem os séculos vão banir. Há nas comunidades portuguesas no
estrangeiro – tal como em Lisboa e na Malveira, em Ponta Delgada e no Funchal –
um monte de omniscientes. Daqueles que sabem de tudo. Daqueles que são
cientistas e políticos, treinadores e jornalistas, médicos e... loucos. São
tudo porque são “omniscientes”.
Para além disso,
e contrariamente ao que muitos acreditam, o desporto predilecto de muita da
nossa gente é, ao invés do futebol, o “tiro ao alvo”, para partir as pernas do
que vai à frente.
Quando o Zé, há
dias, já depois de ter vencido barreiras mil e levado ao mais alto pedestal,
perdeu uma... oportunidade... aí apareceram as doutas opiniões. Em tudo o que
era lugar e buraco (talvez naquele até onde as costas mudam de nome...) E vá de
zurzir o bom do Zé com os epítetos mais finos da omnisciência bacoca e saloia.
O Zé... não sabia o que estava a fazer... era assim a modos que um aprendiz...
era, pelo menos, arrogante. O Zé era, de facto, uma imitação.
Os omniscientes
de uma comunidade como a nossa atiraram-se ao Zé como gato a bofe.
Mimosearam-no – de longe, claro – com nomes soezes e de uma forma geral usados
pela escumalha que há em todas as comunidades. Em toda a parte. Mesmo em
programas radiofónicos e em coisas que parecem Jornais. O Zé merece, pelo
menos, ser crucificado! Cometeu o crime de “ser bom” e de levantar bem alto o
nome do País onde nasceu.
É evidente que
José Mourinho – e é dele que estamos a falar – está a marimbar-se para as
doutas opiniões dos... doutos omniscientes desta terra onde vamos deixando os
ossos. Só que, de facto, vem ao de cima a frase-conceito que muitas vezes
ouvimos. Diz-se muitas vezes, por cá, que os Portugueses não precisam de ter
inimigos entre os outros componentes deste chamado “mosaico cultural”. E não
precisam porque, de facto, eles são inimigos uns dos outros...
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A Europa e arredores
Vem aí o dragão chinês
Comunidade desunida jamais será ouvida
Antonio
Cardoso
A Europa e arredores
Alguns dos que só olham para o seu próprio
umbigo estavam provavelmente convencidos que as fronteiras da Europa tinham
sido criadas a leste da França, da Alemanha ou da Itália. A oeste nada a temer
com o Atlântico, desde que se aceitara a entrada de Espanha e de Portugal.
Sabiam que existiam outros membros, uns países nórdicos, ricos, mas que não
chateavam ninguém nem forneciam mão-de-obra para tirar o emprego aos
“verdadeiros” europeus.
Desde o último alargamento aos países de
leste, os tais cépticos olham para esta nova Europa com desconfiança acentuada
e já se manifestam contra tudo o que dela vem. Como se não bastasse,
anunciaram-se as possíveis adesões em 2007 da Roménia e da Bulgária,
analisam-se a entradas da Croácia, do que resta da ex-Jusgoslávia e da Turquia,
tudo países pobres.
Só faltavam uns políticos de má fé, a
directiva Bolkestein e alguns pedreiros e canalizadores polacos para justificar
os argumentos de quem vai votar contra a Constituição Europeia no referendo de
29 de Maio.
É verdade que é muito mais fácil culpar os
outros das nossas próprias deficiências.
Vem aí o dragão chinês!
Cerca de 150 mil, é o número de portugueses
que vão perder o emprego na área do têxtil. Treze países da UE, incluindo
Portugal, a Espanha e a França intimaram o comissário
europeu do Comércio, Peter Mandelson, a agir rapidamente contra as entradas de
têxtil chinês na UE.
Estes países exigem, entre
outras medidas, a limitação de importações de vinte produtos com vista a
protegerem o emprego no sector. O Reino Unido e os países nórdicos discordam
destas medidas de “proteccionismo” alegando que os outros também tiveram tempo
para se adaptar às novas regras, desde a adesão da China à Organização Mundial
do Comércio (OMC).
Posição idêntica defende
também a China que se manifestou com a “maior firmeza contra toda e qualquer
limitação” das suas exportações, atribuindo a culpa desta situação à má
preparação de “alguns países europeus”.
Nunca compreendi como
desejaria a forma de pensar dos chineses, mas desta vez acho que têm razão.
Comunidade desunida jamais será ouvida
Festejei os trinta e um anos da Revolução
dos Cravos em Fontenay sous Bois, (arredores de Paris) na praça da Amizade
entre os Povos, frente ao monumento dedicado ao 25 de Abril.
Convidado pela Association Récréative et Culturelle
Portugaise (ARCP), participei no desfile com archotes e bombos, ouvi em sentido
os hinos português e francês desafinadíssimos, cantares revolucionários
vulgarizados pelo Zeca Afonso e o Léo Férré, entre outros. Apreciei os
discursos inflamados com cravos nas lapelas, do Sénateur-Maire Jean-François Voguet, do meu amigo Batista
de Matos, presidente da associação e outro mais comedido do jovem e novo cônsul
de Nogent-sur-Marne. Estranhei que a palavra não fosse dada ao deputado Carlos
Gonçalves, mas existem certamente razões que a razão por vezes desconhece.
A festa continuou na
fabulosa sede da associação em Fontenay. Regressei a casa contente por ter visto
tantos portugueses festejar a liberdade e triste por ter presenciado uma
campanha contra a Constituição Europeia.
No automóvel, dei por mim a cantar: “comunidade desunida, jamais será ouvida...”
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Luis Barreira
Celebrámos
recentemente o trigésimo primeiro aniversário do 25 de Abril de 74. Digo
celebrámos na medida em que, à parte alguns saudosistas do antigo regime
(muitos deles sem saber objectivamente porque é que o são...) e alguns
bafejados pelo azar da vida, (julgando que a ditadura os poderia ter
protegido), a esmagadora maioria do povo português, dentro e fora das suas
fronteiras, festejou este dia simbólico, que marcou profundamente a história
moderna de Portugal.
Para a geração que
à data ainda não tinha nascido ou que, embora já o tivesse, ainda não
compreendia o significado das transformações que se estavam a operar no país, a
existência de uma ditadura, com todas as suas formas de perseguição, censura,
medo, de isolamento do país, de todo o género de proibições sujeitas a severos
castigos, que iam da simples e ridícula
licença de utilização de um isqueiro a uma difícil autorização para ir a
Badajoz comprar caramelos. Essa geração do pós-25 de Abril, agora já próxima
dos 40 anos, deve sentir que tudo isso faz parte de um passado longínquo, que
alguns “velhos” querem, teimosamente, continuar a lembrar.
Mas, a geração
activa do 25 de Abril de 74, aqueles homens e mulheres que assistiram e
participaram na tremenda reviravolta das mentalidades e comportamentos sociais,
culturais, políticos e económicos do País, ainda cá está. Mais não seja para
lembrar aos vindouros que, o passado, afinal, ainda está muito perto de nós!
Esse passado que
incluía o drama de milhares de homens, quando arrancados às suas origens,
famílias e lares, eram armazenados em porões de navios (aos milhares e sem as
mínimas condições de salubridade) e despejados a muitos milhares de quilómetros
de distância, em terras que não imaginavam, em guerras que sentiam não serem
suas e tantas vezes mal aceites pelos colonos que, pretensamente, iriam
defender.
Esse drama de
milhares e milhares de jovens, que pisavam cautelosamente aquelas terras
quentes, com medo das minas, que escondiam a cabeça atrás dos ebondeiros, com
medo dos tiros, que viajavam em cima de sacos de areia e dormiam em abrigos
cavados na terra, com medo das minas anti-carro ou dos morteiros. Esse medo,
não por cobardia, mas por um profundo sentimento de serem vítimas de um regime
despótico, que não lhes dava alternativa, nem conseguia justificar a razão e a
justeza de um conflito fora do seu tempo. Esse medo,...transformado tantas
vezes em morte, em membros despedaçados, em corpos inertes, em graves problemas
psicológicos, em sofrimentos atrozes desses actores de um filme, para o qual
não tinham sido convidados, é hoje, ainda,... a maior injustiça não resolvida
pelo 25 de Abril.
Encontraram-se
subsídios e empregos para os colonos regressados do antigo Ultramar!
Pagaram-se
indemnizações aos banqueiros que ficaram sem os bancos, aos empresários que
perderam as suas fábricas e aos latifundiários que viram as suas terras
ocupadas!
Pagaram-se viagens
de expulsão aos grandes esbirros do poder ditatorial, investiu-se na integração
dos pides, legionários, censores, guardas republicanos, bufos e outros
apaniguados do regime!
Há dinheiro para
manter um exército de profissionais, acima das capacidades e necessidades de um
país, agora defendido por um forte conjunto de alianças e numa situação geo-estratégica
que, do ponto de vista militar, nada tem a ver com o mundo de há trinta anos!
No entanto, o
Estado português, continua a não querer aceitar assumir completamente a
injustiça de que hoje, tal como ontem, foram vítimas os ex-militares. Esses
milhares de homens, forçados a defender o próprio Estado durante alguns anos da
sua juventude, a abandonar os seus empregos que, tantas vezes, e em virtude da
precariedade do trabalho, não permitiu a sua posterior reintegração. Esses
homens que, com farda ou sem ela, tanto contribuíram com a sua generosidade
para o sucesso da democracia em Portugal. Pois bem, esses portugueses, que já
estão reformados ou muito próximos desta situação, ainda não viram o Estado
português considerar o seu tempo de serviço militar obrigatório, para efeitos
de reforma.
O 25 de Abril
deve-lhes isso! Por isso, e mesmo que seja só por isso, vale a pena recordar os
ideais de Abril.
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A RTPi da nossa angústia
Quem tem um Jornal das Comunidades… tem tudo!
Fernando Cruz Gomes
É uma alegria. Quem tem um Jornal das
Comunidades assim… tem de facto tudo para achar que vale a pena esquecer a RTPi
da nossa angústia. A verdade é que é assim a modos que uma mexerufada de coisas
ditas e reditas, um lençol de frases feitas, uma salada russa quase sem nexo,
uma “rebaldaria” em que vale tudo para encher aquele tempo de pasmaceira. É um
ver se te avias…
No último, começámos por ouvir a
“menina-pivot” – sabemos que não é assim que se chama, claro – a debitar umas
quantas coisas a respeito da menina que perdeu a vida no terrível incêndio. Mas
fê-lo como se estivesse a dar uma notícia, esquecendo-se que há uma forma de
fazer notícias para o imediato, para a linha das agências e para o segmento do
telejornal (diário) e outra, totalmente diferente, para os programas semanais
ou de referência. Esqueceu-se, pronto.
A seguir veio o Sindicato dos Trabalhadores
Consulares, pela voz e mão do sr. Veludo… que aveludadamente foi dizendo da sua
(in)justiça a respeito de uma questiúncula que há lá pelas bandas de Londres. Tempo
a mais para uma coisa que, trabalhada como o foi, tem pouco a ver com as
comunidades.
Claro que, até ali, era só a Europa a
funcionar. A exemplo do que é habitual naquela que se chama eufemisticamente a
RTPinternacional, mas de internacional bastas vezes tem apenas a componente
europeia. E mais Europa ficou quando deu voz e... vez a uns “meninos prodígios”
que andam pela França na Comunicação Social francesa a fazer coisas de truz. E
trouxeram à liça uma Karine Lima e um Paul Moreira. Uma e outro a dizerem das
suas. E a cantar loas à sua forma de actuar. Daí não viria mal ao mundo... se
nos lembrássemos de ter visto idêntico critério – naquele inefável Jornal das
Comunidades – em relação aos muitos “prodígios” que há pelos Estados Unidos e
pelo Canadá, pela Venezuela e pelo Brasil. Mas isso não, que fica muito longe!
A distância é capaz de não ser coisa de somenos, mas, de facto, por lá, mesmo em
Paris... quem estas linhas escreve poderá dar ideias acerca de vários outros
colegas – e de peso no mundo da Informação – a trabalharem em orgãos de
Informação “nossos”. E que poderiam dar ao tal Jornal... o verdadeiro prisma
das comunidades.
Por falar em comunidades... falou-se outra vez
– com lágrimas à mistura – nos bairros da lata dos anos 60 e 70, em... Paris
(onde é que poderia ser?!) E abordou-se a problemática de uma família pobre...
que veio pobre... que viveu pobre... e é agora rica (pelo menos em matéria de
dinheiro).
Um Jornal das Comunidades assim... não dá para
ver! Desligámos o aparelhómetro e fomos deixar que um café bem quente nos
acordasse para a realidade. Uma realidade das coisas que fazem que andam... sem
andarem. Como é o caso dos muitos “Contacto” que a RTP vai tendo. E que seria
para forçar à triangulação da Informação. Só que serve apenas para nos
sensibilizarmos uns aos outros. Paris vai sabendo o que se passa na África do
Sul, o Canadá nos Estados Unidos, Macau saberá o que se passa sabemos lá onde.
Mas... Lisboa continua a olhar para o seu próprio umbigo. Sem enxergar o tal
“Contacto”. E a pensar, paulatinamente, que Portugueses são apenas... os 10
milhões que vivem nas fronteiras portuguesas. Não contabiliza os quase 5
milhões de Portugueses e luso-descendentes que vivem no mundo. Não contabiliza
porque vale a pena sonhar... que emigrantes são só os de i... já que os outros é até bom que desamparem a
loja.
O outro Governo dizia que Portugal era cada
vez menos só o rectângulo dos 10 milhões... para ser também os 5 milhões
de fora. Só o dizia? É evidente que sim. Este Governo ainda não disse nada a
esse respeito. Pelo menos a avaliar pelos discursos que já ouvimos das excelências
todas que tomaram posse...
A RTPi da nossa angústia... vai de mal a pior! |
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Assembleia Regional dos Açores continua “coxa”
Amor com amor se paga…
Fernando Cruz Gomes
Zangados. Abertamente zangados. Ainda somos
daqueles que acreditamos, vez por outra, nas promessas dos políticos. Achamos
que aquilo que se diz, em matérias que têm a ver com o todo geral de um País é…
mesmo para valer. A não ser, evidentemente, que nos dêem uma explicação
convincente. E até à data ninguém nos explicou porque é os açorianos residentes
fora das fronteiras das ilhas – e são numericamente mais do que os que vivem
lá… - não vão votar para as respectivas Assembleias Regionais.
Uma qualidade
intrínseca ao povo açoriano, mesmo àquele que vive na diáspora, é o apego à
tradição, pugnando por que usos e costumes daquele Povo das 9 ilhas se
transplante para o local para onde se vai. Acontece isso nos Estados Unidos e
nas Bermudas, no Brasil e na África do Sul. Acontece isso, naturalmente, também
no Canadá. E neste País talvez até com mais razão de ser, já que são mais os
açorianos que por cá vivem - fungando saudades - do que os residentes nas 9
ilhas.
Tudo visto, os
Açores perderam agora – estão a perder – uma soberana oportunidade de “estender
os braços” a quantos, na diáspora, continuam a entender a regionalização como
algo que importa preservar. E a quererem ser Portugueses (e neste caso
Açorianos, claro) de corpo inteiro. Bastaria, para o efeito, que se cumprisse o
que nós próprios ouvimos a altas figuras dos dois maiores Partido. PS e PSD, à
compita, afirmavam que desejavam criar um círculo eleitoral para os açorianos
que residem no estrangeiro.
Disseram-no,
designadamente, Carlos Ávila, então director-geral do PS Açores, e Victor Cruz,
líder regional social-democrata açoriano. Disseram-no em Toronto, Canadá, não
em termos de campanha eleitoral – onde, por norma, vale tudo… - mas em reuniões
separadas das comunidades. E ninguém precisou de lhes fazer a pergunta ou de
dar a sugestão. Um e outro, por sua alta recriação, afirmaram, alto e bom som,
que “dar voz” aos açorianos da diáspora era uma das prioridades.
Com palavras espalhadas por toda a parte,
primeiro Vítor Cruz, presidente do PSD Açores, e depois, Carlos Ávila, na sua
condição de director-geral do PS Açores, disseram a quem estas linhas traça que
era quase “dogma de fé”, no melhor sentido do termo, fazer com que na revisão
da Constituição Portuguesa, ficasse consignada a criação de círculos para os
açorianos e madeirenses residentes no exterior no que toca às eleições
regionais.
Foram
promessas… que não passaram disso mesmo.
Agora, na revisão
do sistema eleitoral por que se vai reger a Região, ambos os Partidos se
esqueceram da diáspora. Acharam preferível ignorar o que, quando adregam de
passar por cá, todos dizem querer. E quando assim é… ninguém pode levar a mal
que os que vivem no estrangeiro se comecem a esquecer dos que vivem por lá.
Para já, sabe-se
que uma delegação do parlamento dos Açores entregou na Assembleia da República
o projecto de revisão do sistema eleitoral aprovado pela maioria regional PS. A
proposta de lei agora aprovada aumenta de 52 para 57 o número de deputados
regionais. É uma espécie de círculo eleitoral de compensação, que se juntam aos
9 já existentes. A razão principal, pelo menos a que foi alegada, é a de que se
pretende melhorar a proporcionalidade do sistema, evitando que a força política
mais votada em eleições para o parlamento açoriano não obtivesse, porém, o
maior número de mandatos. Apetece coçar no nariz, à boa moda de Herman José…
porque chega a dar a entender que não é isso, não.
De qualquer
maneira, perdeu-se uma oportunidade soberana para “unir” mais os açorianos a
viverem nas 9 ilhas e aqueles – em muito maior número – que vivem no
estrangeiro, designadamente no Canadá e Estados Unidos.
Admiram-se, depois,
que os chamados emigrantes se vão “diluindo” nos países onde residem e mandem
às malvas a saudade que ainda têm... É que amor com amor se paga!
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Os “fundamentalistas”
católicos!
Luis
Barreira
Um destes dias, num
programa radiofónico da Rádio Latina no Luxemburgo, onde se pedia a opinião dos
ouvintes sobre a personalidade e obra de João Paulo II, a opinião de um ouvinte
deixou-me perplexo.
Interrogado sobre
os aspectos mais conservadores e mais evolutivos, do período em que este Papa
esteve à frente dos destinos da Igreja Católica, o ouvinte em questão,
reafirmando o total apoio ao Papa agora desaparecido, fez questão em sublinhar
o seu total repúdio pelos “ps....” (que deseducadamente não soube ou não quis
designar como homossexuais), transmitindo a opinião que o Papa faz muito bem em
não aceitar a sua existência e que
todos os homossexuais deveriam ser mortos,.. liquidados!
Com toda a franqueza,
já pouco me importa os palavrões utilizados pelo ouvinte, para apelidar os
homossexuais. Também, e a avaliar pela ignorância e maldade que grassa no
mundo, pouco me importa a opinião deste senhor sobre o referido assunto. O que
para mim é importante é que, eventualmente, outras pessoas possam pensar o
mesmo, após terem ouvido tais disparates. O que mais me afectou é pensar que,
de algum modo, as mensagens de João Paulo II, possam ter causado tão pernicioso
efeito nas consciências de alguns crentes. E isso sim, é preciso desmistificar!
É verdade que o
falecido Karol Józef Wojtyla, numa eventual contradição entre as suas atitudes
verdadeiramente inovadoras: em favor da paz no mundo, da aproximação entre as
várias religiões monotaeístas, do perdão pelos pecados cometidos em nome da
Igreja e da grande aproximação humanista para com todos os seres humanos,
independentemente da sua natureza ou fé confessional, assumiu uma postura
conservadora em relação a muitos dos aspectos da vida da igreja e da moral social.
Mas, sem que queira justificar as eventuais dissonâncias do legado de João
Paulo II, a minha opinião é a de que, estas possíveis discrepâncias, entre um
papado da actualidade, coexistindo com uma moral preconceituosa, tinham um fio
condutor no pensamento do falecido Papa, ou seja, a defesa da vida humana, na
óptica da Igreja.
Nunca o Papa
desejou ver liquidados os homossexuais! Afirmar isto é uma aberração levada à
extremidade da condição humana.
Os homossexuais,
homens ou mulheres, não são produto de uma degenerescência social, de um vírus
maligno ou portadores de alguma doença epidémica e mesmo que o fossem, deveriam
ser tratados como seres iguais a todos os outros, com a compreensão e o
respeito que todos os homens e mulheres devem merecer.
Ser homossexual só
significa ter uma atitude, em relação ao sexo, diferente daquela que é mais
vulgar, mas dessa diferença não advém nenhum mal à sociedade em geral.
Um ou uma
homossexual, ama, sonha, trabalha, chora e ri, como qualquer outra pessoa e
deseja estar integrado na sociedade, como qualquer outro ser humano.
Todos nós, homens
ou mulheres, na nossa constituição genética, contemos elementos do sexo oposto,
em menor ou maior quantidade e isso não é obra do diabo. Somos assim,
cientificamente concebidos e não querer entendê-lo só pode ser consequência da
ignorância, de uma deseducação assente em preconceitos estúpidos, ou por pura
maldade.
Para o ouvinte que
emitiu a opinião citada e para todos os católicos que, no Luxemburgo ou em
qualquer parte do mundo, querem posicionar-se em torno dos valores defendidos
pela sua Igreja, aconselho a leitura das teses do Jubileu do ano 2000.
No caso concreto da
Arquidiocese do Luxemburgo, num documento de 7 de Março de 2000, no seu artigo
4, na pg. 5, dizem nomeadamente sobre este assunto: “No domínio da moral
sexual, o comportamento da Igreja e dos seus representantes, face às pessoas
homossexuais, merece ser considerado à parte: a Igreja e os cristãos têm hoje
um sentimento profundo, olhando a homossexualidade de maneira muito diferente.
Nessa apreciação, é preciso partir do facto de que os homossexuais não
escolheram o seu destino (...) e que uma alteração da sua tendência é julgada
impossível, por uma grande parte das comunidade científica.”
Face a isto,
defender a aniquilação dos homossexuais não é ser “mais papista do que o Papa”,
é, pura e simplesmente, ser contra o Papa!
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Será coragem ou demagogia?
Fernando Cruz Gomes
O governo de José Sócrates está a
andar. A todo o vapor, como dizem alguns. Todas as semanas, há medidas a serem
anunciadas. E a dizer ao povo que, agora, sim, é para valer. Com uma maioria
que se espera consistente, só não governa bem... se não quiser. Das propostas
quase todas têm como meta entrarem no coração do povo. Ou melhor, dar ao
povo... o que o povo precisa.
Será coragem? Será demagogia?
No fundo, para quem tem uma maioria tão
coerente na Assembleia da República, atirar-se ao “lobby” das farmácias, não é
mais do que dizer ao Povo que vai ter Governo. E governo que quer mesmo
governar. Idem para as alterações nas férias judiciais. Uma e outra das
iniciativas que nem parecem demasiadamente corajosas... vieram dizer que “temos
Governo”. Sobretudo porque, de há muito, se barafustava pelo facto de se ter de
ir sempre à farmácia mesmo para um medicamento para os calos. E que falar em
casos “urgentes” nos Tribunais teria de ser antes (ou depois, claro) das férias
judiciais.
Vem agora, também, já agora, a ideia de criar concursos públicos para cargos
directivos da Administração Pública. A exemplo do que acontece na maior parte
dos países a sério. Onde a actividade pública prossegue em boa ordem... mesmo
que, porventura, não haja Governo.
Como as
medidas propostas estão a andar à média de uma por semana... entendemos que é
bem capaz de ser necessário refrear os ânimos. Fazer com que se ande em frente,
sim... mas mais devagar.
Alguém nos
lembrava, há dias, a história do sapo de Einstein. Diziam-nos que, se alguém
pusesse um sapo numa panela com água e fosse aumentando a temperatura,
devagar... devagarinho, o sapo acabava por se ir habituando e morria
cozido. De outra maneira, se se colocar
o sapo numa panela com água quente, ele mesmo percebe imediatamente o choque da
temperatura e salta cá para fora.
Andar tão depressa assim... pode parecer que Portugal está
a passar pelo processo da fervura do sapo. De repente, tudo em água quente, não
dá. Para que as asneiras que outros fizeram... sejam eliminadas, será melhor
começar com “água fria” e ir aumentando o calor. Os problemas em presença (as
tais asneiras)... são bem capazes de morrer.
Coragem? Demagogia? O tempo vai dizê-lo em breve.
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Viva o
optimismo!
Luis Barreira
Uma curta visita a Portugal deu para entender que as coisas não vão bem,
mas a esperança é grande!
O pessimismo da generalidade das
pessoas, a braços com o desemprego, a precariedade do emprego e a febre
do consumo, perante uma carteira sem “sumo”, tem vindo a conduzir a população
citadina do País a uma encruzilhada de opções: ou se finge que tudo não passa
de uma situação passageira e haja governo que resolva a situação, no espaço e
no tempo que permitam a reposição do crédito pessoal, ou se volte aos velhos e
económicos tempos de passeios e pique-niques na praia e no campo, concluídos
com uma visita turística a um dos muitos centros comerciais, para comer um
gelado com a pequenada.
Nos meios rurais, agora também a braços com uma seca prolongada que tem
afectado o gado e as sementeiras, ou se é um grande proprietário, possuidor de
um bom “pé de meia”, para fazer face às vicissitudes, ou se volta a trabalhar à
“jorna”, para se conseguir sobreviver.
No entanto, a grande maioria do povo português é de uma “carolice” a
toda a prova!
Ao mudarem radicalmente o governo do País,( mesmo que este partido no
governo tenha sido dos mais comedidos a fazer promessas), eis que os múltiplos
institutos de sondagens passaram a registar um clima de grande optimismo entre
os agentes sociais. Como se o simples acto de votar, na mudança da direcção
governativa fosse, por si só, um remédio miraculoso que tudo vai curar
instantaneamente.
Se várias vezes me tenho interrogado sobre a validade e os objectivos de
tantas sondagens sobre os níveis de confiança dos portugueses, confirmei agora
a razão de tais estatísticas. Os restaurantes, as lojas de trapos e
quinquilharias, as lojas comerciais de marca, multimédia, telemóveis, artigos
para a casa, etc, exibem, com orgulho, os seus novos preços. Só que, para
espanto meu, são idênticos ou superiores aos praticados no Luxemburgo, onde se
ganha muito mais.
De facto, os comerciantes, estão bastante optimistas, nem que seja a
venderem sapatos a prestações!
Depois,... se durante as férias da Páscoa: os voos para o Brasil se
esgotaram, se os hotéis no Algarve se encheram de turistas portugueses e, em
todas as direcções, as estradas se encheram de veículos, mau grado as
reclamações permanentes de falta de dinheiro, gasolina e portagens muito caras
e carros a preços proibitivos, começo a pensar que, de facto, o optimismo dos
portugueses é o elemento fundamental na recuperação do seu poder de compra!...
De que vale andar aborrecido a pensar na prestação da casa, do carro, da
mercearia, dos impostos, da loja da madame “Francisca”, das facturas dos Visas,
Mastercards, Eurocards e outros tantos cartões de plástico? Isso não resolve
nada?!
De que vale o sacrifício de passar uns dias na Gafanha da Nazaré, na
Costa da Caparica ou nas matas do Gerês? O ano passado foi-se a Cuba, este ano
tem de ser o Brasil!? Baixar o status é que nunca! O que é que diriam os
vizinhos????
Há problemas? Há sim senhor! Mas isso o governo que resolva! E,... ou
ele aumenta o nível de vida ou a gente mete lá outro (...).
Bem,...embora simplista, esta minha análise não deixa de ser o resultado
de uma sucinta observação, o meu receio é que, o velho general romano, que
invadiu a península antes da nacionalidade, tenha tido razão quando comentava,
num relatório enviado ao Imperador: “...este povo até é simpático, mas não se
governa, nem se deixa governar”!
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Fernando Cruz Gomes
Quando, em 15 de
Março de 1961 - há que tempos isso lá vai! - deparámos com toda a tragédia do
norte de Angola, aprendemos, então, uma palavra nova: terroristas. Eram
terroristas os que faziam tudo aquilo. Os que matavam indescriminadamente. Os
que violavam. Os que abriam meninas desde as partes baixas até à boca. Nós
vimos tudo isso. Ninguém nos contou. Não lemos em livros. Vimos.
Os poderes
instituídos de então chamavam àqueles homens que iniciavam a tal “luta”
terroristas. O terrorismo começava, então, para nós, a ser algo hediondo.
Avassaladoramente hediondo. Os poderes instituídos de então responderam ao
terrorismo... com uma luta sem tréguas nem barreiras. A que se chamou, também,
terrorismo.
Aos poucos, porém,
vimos outras formas de terrorismo. Aprendemos à força... a entender outros
terrorismos. E a isso nem escapou uma “reciclagem” que fizemos à imagem que
tínhamos acerca da primeira bomba atómica - a arma-“mãe” de todas as armas de
destruição maciça - que fizeram deflagrar por sobre Hiroshima e Nagasaky.
O terrorismo
continuou a ser algo de hediondo. Avassaladoramente hediondo. Mas... ganhou
contornos diferentes. E teve “faces” também diferentes. Até porque os
terroristas de então - 15 de Março de 1961 e outras datas que se lhe seguiram -
são hoje os “senhores todo poderosos” daquele País que (ainda) amamos.
Sentam-se em cadeiras de deputados. Sobraçam pastas ministeriais. Atiraram-se
para as escadas do Poder máximo.
A “reciclagem” que
fizemos ao conceito de terrorismo continuou. E mesmo hoje, que há outros ismos
cada vez mais poderosos... ainda nos interrogamos sobre o que é ser
terrorista.
Há dias, a Imprensa
atirou-nos para a mente com uma frase que não deixa de nos matraquear o
pensamento. O senador norte-americano Robert Byrd escreveu: “Hoje choro pelo
meu país. Depois da guerra temos de reconstruir mais do que o Iraque. Temos de
reconstruir a imagem da América um pouco por todo o mundo”.
Reconstruir a
imagem da América? - O que temos, de facto, é de reconstruir a palavra e o
conceito de terrorista. Se o fizermos a tempo... ainda somos capazes de evitar
que um pensador espanhol de que nos não lembramos o nome tenha razão quando diz
não saber ao certo como iria ser a terceira guerra mundial. Sabia, isso sim,
como seria a quarta guerra mundial. E essa, na sua óptica, seria... a paus e
pedras, porque a terceira acabaria com tudo.
O conceito de
terrorista. O conceito de pundonor. O conceito de “ser” homem justo. Talvez
evitasse até - e nós sabemos que é capaz de não ter nada a ver com o que
deixamos escrito... - que, há tempos, logo após a cimeira das Lajes, na página
oficial da Casa Branca, Aznar, que era o chefe do governo de ent\ao, aparecesse
como presidente da Espanha, que é (ainda) uma Monarquia. E que Durão Barroso
aparecesse como... Durão Burroso! Está lá escrito!
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Pacto de Estabilidade e (ou...) Crescimento. Fumo cinzento!
Luis Barreira
Os ministros das
finanças dos países da “zona euro” experimentam sérias dificuldades em
reformular o conteúdo de um tratado que, ainda não há muito tempo, os uniu em
torno da moeda única europeia. Tão sérias quanto têm sido as dificuldades de
alguns dos países membros deste grupo restrito, em conseguir cumpri-lo, desde a
sua aplicação.
Num esforço de
consertação entre: as políticas económicas nacionais, com as assimetrias que as
distinguem; o rigor financeiro que deve prevalecer no seio da União Europeia,
enquanto base de uma moeda sólida; as “eternas” contradições entre os pequenos
e os grandes países que fazem parte da Europa a 12 (ou a 25), os que cumprem e
os que não cumprem, os que contribuem e os que recebem; o crescimento económico
e a coesão social, para o qual o emprego é um factor decisivo e a estratégia de
Lisboa um objectivo; uma situação económica internacional, pouco propícia a
conjecturas de grande optimismo e uns Estados Unidos a braços com uma crise
orçamental, mas concorrente nos mercados externos, Jean-Claude Junker, Primeiro
Ministro do Luxemburgo e actual Presidente em exercício da EU e um dos mais
notáveis negociadores de consensos que esta Europa produziu, ameaça “explodir”,
face à intransigência de alguns dos seus pares, não aceitando a revisão do
Pacto e deixando ficar as coisas, tal como elas estão!
É evidente que,
e após os “deslizes” orçamentais de vários países, entre os quais Portugal,
(factor de importância muito relativa), deixar ficar as coisas como estão, não
conduz a nenhuma solução dos problemas económicos e financeiros do passado, do
presente incerto e muito menos do futuro próximo.
Com efeito, a
estabilidade financeira não é compatível com todos os modelos de crescimento
económico, se tivermos em consideração o desmesurado aumento dos níveis de
desemprego, de que enfermam muitas das nossas sociedades e a protecção social
dos cidadãos, que constitui um pilar da nossa civilização europeia.
A acrescentar ao
grau de dificuldade, das derivantes dos mercados internacionais, está
igualmente um problema de peso. O clube de países, que constituem hoje a zona
euro e que se pretende alargar progressivamente aos restantes membros, não é um
todo homogéneo, em termos de máquina produtiva, de capacidade de inovação e de
investimento. Por enquanto (...), a União Europeia, não é um todo, mas o
somatório de partes sociais, económicas, culturais e políticas diferenciadas,
cuja gestão global só pode ser conduzida gradualmente, por etapas e com
prioridade para a aproximação de valores consentâneos com uma cultura de
aproximação social, que permita uma mobilização geral, em torno dos mesmos
objectivos económicos e uma consciência política comum, na construção de um
ideal de sociedade.
Razão pela qual
a União Europeia não é comparável aos Estados Unidos da América, nem os
“Estados Unidos” da China, no que diz respeito à competitividade e à capacidade
de mobilização económica, com os recursos humanos e materiais imediatos, mas
ela pode vir a ser muito mais forte, se a “razão” prevalecer sobre o
imediatismo consumista, na construção de um verdadeiro bom nível de vida dos
seus cidadãos.
Há talvez que
inverter muitas das promessas que foram feitas, voltar a precisar muitos dos
caminhos traçados ou reanimar alguns dos compromissos assinados.
Há, sobretudo,
que olhar de mais perto para esta “mancha” humana, que está na infância das sua
redescoberta, propondo-lhes uma visão superior à “manta de retalhos”, com que
actualmente se cobrem!
No contexto histórico
deste velho continente, a ideia de construir uma União Europeia era ainda uma
utopia há bem pouco tempo... .
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E agora, Portugal?
Fernando Cruz Gomes (Sol
Português)
O “20 de Fevereiro” do “nosso contentamento” –
“nosso”, no sentido de uma grande percentagem dos Portugueses – já lá vai.
Inverteram-se papéis. Trocaram-se casacos. O que era ontem… deixou de o ser. E
se o “sonho” que fez andar a máquina for para valer, Portugal vai ter uma fase
de muito trabalho, sim, mas também de muito “alegria”. Bastará que os
vencedores do pleito eleitoral joguem o jogo da verdade e levem avante todo um
programa eleitoral que fez ganhar as eleições legislativas.
Não seremos nós a negar “força” e “vitalidade”
a um grupo de pessoas que, rodeando José Sócrates, o fez avançar e transmitir
ao Povo Português a ideia de que vale a pena sonhar. Que sonhar ainda é
permitido e não paga imposto. E se é verdade que o sonho comanda a vida… valerá
a pena fazer votos por que o sonho se concretize. Uma boa “esquerda” valerá
tanto como uma “boa direita”, sobretudo se tivermos em linha de conta que
“todos os partidos são bons desde que resolvam os problemas do Povo”.
E mesmo não acreditando que um “novo ciclo” se
abriu para a governação portuguesa – hão-de dizer-me qual a diferença temática
entre PS e PSD, os dois Partidos que se reclamam do centro… - somos levados a
crer que vai haver uma nova maneira de encarar os problemas e de aplanar os
caminhos para a sua solução. Problemas que são velhos – com duas décadas ou mais – vão agora ter uma “mão” diferente
a esquematizar soluções que o podem ser.
Apetece dizer mesmo o “Que Deus o ajude”, que
já vimos em letra de forma, algures. Que Deus os ajude!
José Sócrates conseguiu enfileirar entre
aqueles em quem o carisma é fundamental. Não parece ter ganho com os “notáveis”
do seu Partido, mas conseguiu que eles se calassem e o deixassem trabalhar.
Acho que Cavaco Silva também assim foi bafejado pela dama Sorte.
Não
vai ser fácil a tarefa de Sócrates. Basta que resvale no incumprimento de uma
das suas “teses” e aí podemos ter o caldo entornado. O “estado de graça” que o
vai acompanhar nos primeiros dias poderá não ser de muita dura. O chefe do XVII
Governo Constitucional terá de saber contornar as dificuldades e tentar cumprir
muito do que disse e foi preciso dizer. Mil licenciados em tecnologia e gestão
terão de ser colocados em pequenas e médias empresas. O ensino da língua
inglesa desde o primeiro ciclo do ensino básico, também. Idem para formação
profissional ou ensino obrigatório até aos 18 anos, para colmatar a taxa do
abandono escolar. Os jovens são bem capazes de entender tudo isto. Como os
desempregados acabarão por perceber que algo mudou se se criarem os tais 150
mil postos de trabalho.
Só
que para tudo isto é necessária solidificar a tal retoma económica que pouca
gente vê como possível nos próximos tempos. Sim porque há ainda a promessa de
tirar da pobreza... 300 mil idosos.
Tarefas
quase ciclópicas. Tarefas que vão exigir um homem de garra e de determinação
que José Sócrates demonstrou ser em campanha eleitoral. Mas... que tem agora de
consolidar.
Deus
o ajude!
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Portugal
cor de rosa
Por
António Cardoso
Esperava-se
uma derrota importante da coligação PSD/CDS, já anunciada por todos os
institutos de sondagem, mas poucos acreditavam que o Partido Socialista
conseguisse a maioria absoluta de forma tão folgada.
Preocupa-me
cada vez mais o facto de que os eleitores escolham os governos em função da
simpatia, das caras ou do carisma dos líderes dos partidos, em detrimento dos
programas que apresentam. É o que está
na moda em todo o mundo, já não se ganham eleições a partir de programas, o
principal é a imagem dos candidatos metodicamente coordenada ou mesmo criada
pelos múltiplos profissionais que seguiram o exemplo de Jacques Seguéla, o
“fazedor” de presidentes.
Os que
se ocuparam de Paulo Portas falharam redondamente. O homem não parecia o mesmo,
durante a campanha, parecia estar numa má peça de teatro onde houve engano na
escolha do papel principal. Reconheceu ter falhado os seus quatro objectivos
acrescentando sob forma de justificação que Portugal era o único país com uma
diferença de 1% entre democratas cristãos e trotskistas. De quem é a culpa?
Tornou-se
humano na declaração final de despedida tentando impedir as lágrimas que
teimavam despontar.
Santana
Lopes recuperou o sorriso, via-se que não era forçado. Estava à espera daquele
resultado e isso era já visível na última semana de campanha. Pergunto-me se
esse sorriso não seria de troça, pensando no desapontamento dos históricos do
PSD que esperavam a sua demissão naquele momento.
Quando
não há alternativas para se fugir aos debates com os adversários políticos que
dominam melhor as matérias, usam-se estratagemas para iludir quem espera
respostas concretas. José Sócrates foi
exímio nesse exercício. Estranho é que continue depois de ser eleito. Fico chocado quando ouço o próximo
Primeiro-ministro do meu país dizer no seu primeiro discurso de vitória,
“conseguimos… os portugueses sancionaram os métodos de campanha dos nossos
adversários”. Não será uma forma de reconhecer que a sua vitória se deve à
fragilidade do adversário?
Esperava
ouvi-lo agradecer obviamente aos eleitores e não só aos do PS, mas dirigir-se
imediatamente a todos os portugueses, falando-lhes das dificuldades da tarefa e
de esperanças no futuro. A primeira acção será de “financiar estágios nas
empresas de mil jovens licenciados em tecnologia e gestão”. Pensava eu que
Portugal tinha problemas muito mais importantes para resolver no imediato.
Mas acredito no homem, parece-me honesto e lutador. Agora que os
conselheiros de imagem já procuram novos desafios, vai certamente pôr mãos à
obra e trabalhar a sério para melhorar a situação de Portugal.
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Vale a pena acreditar!
Pronto,...já está!
O Presidente da
República Portuguesa decidiu dissolver a Assembleia da República, considerando
que a coligação PSD/PP já não tinha condições para governar. O povo português
votou,... e deu-lhe razão!
Esse mesmo povo
modificou radicalmente o seu sentido de voto, atribuindo ao Partido Socialista
uma larga maioria e aos restantes
partidos da oposição, uma situação mais confortável na Assembleia da República.
O povo responsabilizou-os e vai ser exigente com eles!
Mas, pese embora a
maioria absoluta do Partido Socialista, que lhe vai permitir governar sem
sobressaltos e sem o quebra-cabeças do “queijo Limiano”, a responsabilidade
deste partido é de tal ordem que, a não ser que se modifiquem muitos dos procedimentos
governativos habituais, deste histórico partido, a sua acção vai ser
constantemente posta em causa, pela oposição e por largos sectores do
eleitorado que, desta vez, lhe deram a preferência do seu voto.
Ficou provado, mais
uma vez que, em Portugal, nenhum partido se pode arrogar de ter um eleitorado
substancial e estável.
Todos os partidos
políticos que, a 20 de Fevereiro de 2005, ganharam votos, vão ter, mais tarde
ou mais cedo, que prestar contas a quem os elegeu
O Partido
Socialista deve a sua vitória aos sectores da população mais inclinados à
social-democracia moderna, descontente com o seu partido natural.
O Partido
Comunista, contra todas as expectativas, atingiu a estabilidade perdida, pela
postura humanizante do seu novo Secretário-Geral.
O Bloco de Esquerda
triunfou, eleitoralmente, porque soube dar voz inteligente às minorias
produzidas pelas nossas modernas sociedades.
Mas,...todos os que
obtiveram ganhos eleitorais, conseguiram-nos, não tanto pela força das suas
ideias, mas mais pelo descontentamento que a anterior governação lhes provocou.
Por isso se espera,
dos partidos vencedores, uma nova forma de fazer política.
Por isso se aguarda
que, os partidos perdedores, saibam recolher os ensinamentos necessários do que
se passou e assumam, nesta legislatura, uma oposição responsável, séria e
construtiva.
O País não se pode
permitir de outra atitude!
Como gerir, da
melhor maneira, o social e o económico, é o grande desafio que se coloca ao
Partido Socialista. Por isso, este partido tem agora uma enorme
responsabilidade: se a Administração Pública é pesada e obstrutiva; se o nosso
sistema de saúde está doente; se o ensino está mal estruturado; se a justiça
enferma de vícios processuais; se o nosso aparelho produtivo está desadequado;
se a nossa Defesa Nacional está aquém,
da eficácia necessária e muito para além das nossas possibilidades; se a nossa
fiscalidade se assemelha a uma “rede de pesca de carapaus e deixa passar
tubarões”; se o endividamento das famílias portuguesas atingiu níveis
insuportáveis; se a miséria grassa, de forma exposta e encoberta; se as
auto-estradas para o interior são uma ponte, entre uma prosperidade aparente e
a terra de ninguém; se a população envelhece desprotegida e os novos evitam ter
filhos, com medo da vida; se os valores sociais de referência, continuam a ser
os carros de alta cilindrada e os telemóveis de nova geração. Mudar tudo isto,
para melhor, sem perder de vista as grandes preocupações sociais, como: o
emprego, o nível de vida, a saúde e a justiça social, é um trabalho gigantesco,
no tempo e no espaço de uma legislatura.
Por isso a maioria
absoluta não chega!
Se os partidos, que
agora ficam na oposição, se afirmarem pela positiva e não pela obstrução
sistemática, mais tarde ou mais cedo serão recompensados eleitoralmente, pelo
seu empenho nacional e, o País, ganhará.
Se o partido que
agora assume o poder, independentemente da sua não dependência governativa
formal, souber escutar, analisar e decidir, em conformidade com as críticas
justas e mobilizar um povo que, fora e dentro do seu País, está disposto a
colaborar para o progresso da sua terra e das suas gentes, então podemos dar
passos de gigante, em direcção a um futuro melhor.
São talvez
demasiados “ses”, mas vale a pena continuar a acreditar!
Luis Barreira
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O dia 21 de Fevereiro vai ser interessante...
Fernando Cruz Gomes (Sol Português)
Interessante será seguir, calmamente, se
possível, o desenrolar da campanha política em que estamos embrulhados. Dar uma
de saloio e fazer de conta que não vimos, não sabemos, nem queremos saber...
mas vendo, sabendo e querendo saber. É que o pior, em qualquer um dos casos, é
saber – e nós sabemos – que tudo quanto se fizer, agora, em matéria de escolher
Governo vai afectar milhões de pessoas. Que já apertam o cinto há anos a mais.
Que já gemem o temor de ficar pior ou na mesma, sempre que ouvem alguns
políticos a abrir a boca.
Porque,
no fundo – e a ideia nem é nova – há que escolher entre os que não nos
conseguiram tirar da crise, os que nos atiraram para lá e os que haveriam de
continuar no mesmo rumo se estivessem no poleiro. Assim sendo... vai ser um
fartote ouvi-los a todos, dia após dia, a vender a já conhecida “banha da
cobra” que daria para curar todas as mazelas.
Depois
de uma revolução que muitos apelidaram dos cravos – e não o foi tanto assim –
aí temos a chegar a “conta da modista”. Fizeram-se vestidos bonitos a mais,
aperaltaram-se os senhores e abonecaram-se as damas. Vestiu-se fato novo em
cada dia que passava sem lembrar os ensinamentos do nosso Povo segundo os quais
“quem quer andar sempre de novo... anda sempre de velho”. Comeram-se refeições
a mais mesmo em país onde ainda há gente com fome.
Assim,
aumentou o despesismo, caíram as barreiras que impediam o desemprego, foram-se
os anéis... e os dedos ficaram um tanto ou quanto machucados, precisando
rapidamente e quase in extremis de uma operação salvadora. E a Europa,
que nos acenou com cenouras a mais não parece ter contemplações com um parente
pobre que teima em bancar de rico. Manda-nos a conta da modista. E do
merceeiro. E dos muitos fornecedores que teimamos em esquecer.
Se
não conseguirmos fazer marcha atrás, no nosso afã de gastar mais do que
ganhamos, é certo e sabido que entramos numa onda avassaladora. Que nos há-de
manietar de tal modo que não conseguimos despir a camisa (de muitas varas...)
em que nos espartilham. Se não conseguirmos poupar nas galopantes despesas –
até, e sobretudo, com o Estado e seus (maus) servidores – o caminho do fim está
próximo. E nem sequer sabemos se as próximas eleições não serão as últimas. É
que a Europa não há-de querer ter no seu seio um parceiro tão perdulário, tão
despesista, tão “não te rales” que teima em exportar para os outros uma forma
atávica de ser que só pode causar mal-estar.
Houve,
de facto, nos últimos dez anos, muitos desmandos. Dos que nos ajudaram a entrar
na crise e daqueles que, mesmo jurando a pés juntos que nos iriam puxar para
cima, mais não fizeram do que... empurrar para baixo. Talvez porque a panaceia
imposta já não tem pernas para andar. Desmandos muitos a dar-nos a entender que
Portugal, enquanto Nação, necessita cada vez mais de uma clarificação de
intenções, suportada por um rol de medidas práticas que já não podem tardar.
Programas
realistas. Intenções honestas. Políticos que consigam pôr acima dos seus, os
interesses da colectividade. Sem pensar nos chamados “media” que jogam para
todos os lados desde que esses lados sejam os dos seus próprios interesses. Que
não deixam andar em frente mesmo àqueles que fazem disso o seu cavalo de
batalha. E que criticam por igual os ministros que sabem o que estão a fazer e
os outros. Não há, de facto, pachorra para ouvir tantos dislates. Com as
Finanças a sofrerem com isso. E com a opinião pública a ser, dia após dia,
“metralhada” com ideias-força falhas de bom senso.
Felizmente
que já não há tempo nem condições para fazer sair de uma qualquer aldeia ou
vila de Portugal um homem de botas cardadas que ponha o país a pensar certo.
Porque, se o houvesse, neste momento, éramos bem capazes de estar à beira de
algo de que nos envergonharíamos para todo o sempre, já que as ditaduras têm
todas os dias contados.
Desta
forma, a 20 de Fevereiro, importa votar bem. Abjurando as falinhas mansas de
quem só quer o poleiro, mas atendendo tão somente às ideias-força que nos forem
atiradas. Sobretudo importa escolher os políticos que nos injectem uma certa
dose de confiança. Que anda perdida há mais de uma década. E que teima em ser
dama prendada e séria que só se dá a quem a merece. E às vezes... pensamos não
merecer ter confiança.
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Crónica do tempo que passa
Perguntas (ou adivinhas) muito incómodas
Fernando Cruz Gomes
“Os factos não deixam de
existir só porque são ignorados”. A frase é do escritor britânico Aldous
Huxley. Nunca como hoje, no Portugal moderno, teve tanto sentido. Com as
eleições à porta... ignoram-se factos. Atropelam-se corações. Viram-se latas de
ódio. Destila-se veneno. E quando se ignoram os factos, há quem pense que eles
não existem.
Talvez por isso – e lá voltamos nós a citar um escritor, desta feita
escocês – “as verdades mais cruas são, muitas vezes, ditas em silêncio”. Robert
Louis Stevenson sabia o que dizia. E tentava, nos seus romances e poemas, dizer
aos homens seus irmãos... que talvez o silêncio faça muito barulho
São
mais que as mães... os que falam agora na viagem de Morais Sarmento a São Tomé
e Príncipe. No preço da viagem. Nas “férias” que o Ministro teria feito durante
24 horas. No pouco resultado que se vê e se há-de ver. E a Comunicação Social –
a nossa querida Comunicação Social – bate na mesma tecla. Que é imoral. Que não
deveria ser feita a viagem quando o Governo está em gestão. Que...
A
verdade é que, por esta mesma altura, ninguém fala na luzidia comitiva que o
inefável Presidente da República levou à China. Foram mais de 100 pessoas. Até
dizem que foi a maior comitiva que algum dia acompanhou o Chefe de Estado a uma
visita oficial. A Imprensa, neste caso, enche páginas e preenche telejornais.
Canta loas à iniciativa que pode ser – será mesmo? – do maior interesse para
Portugal e para os Portugueses.
Nos
casos em apreço... todos sabem – saberão mesmo?! – quanto custou a viagem de
Morais Sarmento a São Tomé. Os rios de dinheiro que ele gastou... Não sabem –
e, pelos vistos, nem querem saber – quanto custou a viagem de Jorge Sampaio e
dos seus apaniguados a terras chinesas.
E
se nos interrogarmos sobre tudo isto, não poderemos deixar de nos interrogar
também sobre muitos outros casos. Sabemos quais são os gastos do Governo.
Quantos “amigalhaços” eles metem nas secretarias dos Ministérios. Ninguém se
interrogou, ainda, quantos funcionários – alguns a funcionar muito pouco... –
estão na Presidência da República. Quanto gastam por ano. Como é que foram
feitas as respectivas nomeações e a que critérios obedeceram.
Naturalmente
que são perguntas incómodas. Daquelas a que ninguém quer responder. O que
interessa a uns quantos é dar relevo e ênfase às asneiras – ou pseudo-asneiras
– de... uns quantos. O que interessa, na mesma direcção, é esquecer as asneiras
de outros.
Ainda
ninguém reparou, por exemplo, que o PS prometeu resolver o intrincado problema
do défice numa legislatura (4 anos). Ninguém pergunta aos seus dirigentes
porque é que o mesmo Partido sempre exigiu que os outros fizessem esse
“milagre” em dois anos ou mesmo num. Ninguém se interrogou sobre isso. Ninguém
pensou que a clubite da esquerda... tem sempre razão, enquanto que o que parece
direita é sempre... execrável.
E
se entrar em Lisboa... e já que estamos com a mão na massa, pergunte porque é
que será tão importante culpar uns por terem iniciado uma obra que foi
interrompida durante 8 meses (o tal túnel do Marquês), e ninguém dar
importância ao facto do Supremo Tribunal afinal ter dado razão a quem iniciou a
obra?
Perguntas
incómodas, nós sabemos. Perguntas a que ninguém quer responder. Sobretudo nas
Redacções dos Jornais, das Rádios ou das Televisões.
Chega
a parecer que estas perguntas incómodas não são feitas porque o “lobby” da
Comunicação Social, em Portugal, num crescendo que todos fingem não ver, está a
tentar manipular a opinião dos Portugueses. Condicionando assim os resultados
destas e das próximas eleições.
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O “Cabo das Tormentas”
Por Luís Barreira
Dentro em breve os
portugueses, no interior e exterior do País, vão ser chamados a escolher os
seus deputados. Vão ser chamados a designar os homens e mulheres que,
independentemente das suas convicções e dependências politico-partidárias,
virão a ser os legítimos representantes do povo português e os responsáveis
pelos destinos de Portugal, durante os próximos quatro anos.
Quatro anos que,
por razões internas e externas (com impacto interno), não se afiguram como um
simples passeio no “jardim à beira-mar plantado”, mas mais como o enorme
desafio (já vivido no passado) de dobrar o “cabo das tormentas”.
Penso que já se
falou suficientemente sobre as dificuldades internas do nosso pequeno Portugal:
uma economia fraca e em recessão; um déficit público elevado; uma
competitividade empresarial abaixo das necessidades; um desemprego elevado, com
consequências graves, ao nível das estruturas de apoio social; um descrédito na
eficácia das instituições; um pessimismo elevado das populações e dos agentes
económicos; etc, etc.
Penso, igualmente,
que muito já se disse sobre os desafios externos de pertença a uma comunidade
de 25 países, que dá pelo nome de União Europeia: critérios financeiros
dolorosos, para continuar na zona euro; diminuição dos subsídios ao
desenvolvimento; rigor na aplicação das suas directivas; política externa
condicionada e política interna estável; contas públicas transparentes; pressão
sobre a nossa capacidade de inovação; etc, etc.
Os portugueses também
já sabem que vão ter uma legislatura (ou mais), plena de sacrifícios, para
ultrapassarem as actuais dificuldades, alguns anos de paciência e boa vontade,
para poderem instituir um País moderno e próspero.
Não sabem ainda,
mas vão saber, quais são as propostas político-partidárias para sair da actual
situação e encontrar um rumo certo para a Nação.
O que de pouco se
tem falado, vejo e oiço, é sobre a correspondente prática social, a um projecto
de sociedade a precisar de grandes transformações, ou seja, a necessária
mudança de atitude da nossa classe política, para com o eleitorado e para com
as responsabilidades da governação.
Críticos oiço
muitos. Até parece que virou moda ser-se meramente crítico e critica-se cada
vez mais sem substância, confundindo os fait-divers, com os assuntos de
importância decisiva.
Apartidários,
envergonhados das suas verdadeiras convicções ou sem elas, a gente partidária,
com objectivos inconfessáveis ou por mero despeito, os “velhos do Restelo” têm
vindo a assumir um papel preponderante na paisagem mediática, sem que a
sociedade, embriagada por muitos dos programas televisivos de cha-cha (sem h),
se contraponha de forma séria e responsável.
Até parece que é
preciso bater com a cabeça no muro para saber que os média (e nomeadamente os
canais televisivos) não são o primeiro poder do Estado, não são eleitos por
ninguém, não têm que ter nenhuma responsabilidade sobre as decisões
governativas. São, exclusivamente, veículos de expressões várias, algumas
interessantes e a ter em conta, outras, autêntico “lixo”.
Por isso se
justifica cada vez mais uma clareza e frontalidade da nossa classe política. Os
partidos e os seus partidários devem, cada vez mais, apresentarem-se pela
positiva, pelas suas próprias ideias e projectos e muito menos por oposição a
uns e a outros. Os responsáveis partidários, que aspiram submeter-se ao
eleitorado e ganhar a sua confiança e solidariedade, não podem (devem) afinar
os seus discursos pelo diz que disse, pelos títulos bombásticos da imprensa,
pelas suas ambições pessoais ou de grupo. O País precisa de dirigentes
nacionais que saibam conduzir um povo, sem olhar ao seu emblema da lapela.
E não me venham
dizer que é preciso esperar por uma nova geração de políticos, para que as
coisas melhorem. Daqui até lá morremos de fome e,....a fome, nunca foi boa
conselheira.
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O PACTO DE REGIME
Por
Luís Barreira
Há muito tempo que foi diagnosticada uma
“doença” social, política e económica em Portugal, cujo tratamento eficaz,
deveria envolver uma atitude de conjunto de, pelo menos, os maiores partidos
políticos portugueses, uma vez que todos seria, à partida, pedir o absurdo!...
Ao longo dos anos da nossa jovem democracia,
a atitude partidária mais usual, dos partidos portugueses, tem sido sempre a
de, cada uma das forças políticas assumir publicamente o papel de centro de gravidade,
da vida sócio económica do País, excluindo as outras de um projecto global. As alianças pré-eleitorais, quando
acontecem, destinam-se, quase sempre, a valorizar cada um dos partidos
envolvidos, por forma a obter dividendos pessoais que conduzam a um divórcio
posterior e, logicamente, à assunção de um presumível primeiro lugar nos
futuros scores eleitorais.
Esta postura politico-partidária, que não
escapa até à ambição dos pequenos partidos políticos, num contexto de um País
envolvido numa geografia económica e política, de que não pode fugir e que
condiciona a filosofia de todos os projectos
políticos de governação de todos os partidos, “pintem-se” eles com as
cores que quiserem, tem provocado uma acção de retardamento permanente do nosso
desenvolvimento e um caos, cada vez maior, no interior dos próprios partidos
políticos.
A juntar ao quadro negro, da actual situação
em Portugal, os portugueses sentem-se cada vez mais frustrados na sua vida
quotidiana e nas suas expectativas, acentuando um claro desfasamento com os
poderes instituídos, o que pode revelar (perigosamente) uma falta de crédito no
regime e uma apetência pela crítica fácil, em que tudo se confunde, ou por
“vendedores de banha da cobra”, venham eles das ilhas ou do continente.
A actual crise bate no fundo da estrutura
sócio-económica portuguesa, ela é resultado de um “relaxe” permanente das
nossas “cabecinhas pensadoras”, habituadas ao vaivém da alternância do poder,
para o qual, basta apenas trabalhar para o voto. A situação a que hoje
chegámos, não é o resultado de um simples fenómeno conjuntural, provocado por
um aumento súbito do preço da gasolina ou por um mau ano de colheitas, ela
obriga, irremediavelmente, a uma conjugação de esforços entre as maiores forças
políticas e estas não devem ter vergonha de o assumir publicamente, por receio
de serem criticadas.
De nada vale ganharem-se as eleições,
arrogando-se de não terem cometido o “pecado de casamentos de conveniência” se,
após o poder assumido, não se sabe o que fazer com ele, para não cair em
contradições.
Os portugueses já votaram vezes sem conta e
já disseram que querem manter a existência de vários partidos políticos. Por
favor reconheçam-no!
Os portugueses são cada vez mais
indiferentes à filosofia ideológica que lhes propõem e cada vez mais atentos à
forma como vivem. Por favor considerem-nos!
Os portugueses são capazes de compreender
que os homens políticos também se enganam. Por favor sejam mais verdadeiros!
Felizmente que, àquilo que aqui tantas vezes
tenho exposto, muitas vozes hoje se associam. E,...se os nossos políticos não
estiverem dispostos a baixar a guarda de alguma arrogância, de que
historicamente enfermam, fazendo alianças sólidas inter-partidárias, a pensar
em Portugal, que façam um “Pacto de Regime”, sobre as questões fundamentais da
sociedade portuguesa, a pensar nos portugueses!
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Um emigrante
no governo
Por
António Cardoso
Para mim continua
a ser o Carlos, o rapaz que conheci há muitos anos, um funcionário competente do
consulado de Nogent sur Marne, o sindicalista e militante do PSD de Paris e
sobretudo o filho de um Sr. Gonçalves por quem sempre nutri o maior respeito e
admiração. Nada de singular é apreciado por toda a gente. Encontrei-o ainda há
pouco, durante as férias, num supermercado em Castelo Branco onde como eu, fazia
compras com a esposa. “O Carlos passou por cá ontem...” disse como se lamentasse
um desencontro. Fiquei feliz por vê-lo de novo revigorado depois dos problemas
de saúde que o afectaram. Bebemos um café e conversámos, sobretudo sobre as
novas funções do filho, é claro. Tentava disfarçar o orgulho que sentia mas
traía-o um intenso brilho nos olhos, era ainda recente a sua nomeação como
Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Percebi que o sucesso
empresarial alcançado não representava nada comparado com a alegria de ter agora
o seu filho no governo e para mais com o pelouro das
comunidades.
Quis deixar
passar algum tempo antes de solicitar uma entrevista com o novo secretário de
Estado das Comunidades, deixar-lhe o tempo de se confrontar com a realidade da
dificuldade do exercício dessas funções. Não aquela pseudo realidade veiculada
por gente da oposição à maioria governativa actual que critica tudo o que se faz
quando já não está no governo. Gente que sempre se opôs ou apoiou partidos que
sempre se opuseram à obtenção de direitos iguais entre os portugueses
expatriados e os de Portugal.
Carlos Gonçalves
recebeu-me com a mesma descontracção de sempre, no Palácio das Necessidades, era
o mesmo, não tinha mudado nada, falámos de França, de Paris, de Lisboa, de Portugal, das suas
preocupações em assumir compromissos eleitorais e do seu desalento por não dispor de meios suficientes para
responder às carências das comunidades.
Já se diz em
Portugal que o melhor ministro deste governo é António Monteiro, ministro dos
Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas e anterior embaixador de
Portugal em França. Foi também na opinião de muitos, um dos melhores
embaixadores de Portugal que esteve em França, sobretudo para a comunidade
portuguesa. Com um novo secretário de Estado das Comunidades oriundo da
emigração é talvez a primeira vez que temos no governo políticos que defendem
realmente e com a maior honestidade uma verdadeira política de valorização das
comunidades.
Também nós temos
pela frente um grande desafio, implicarmo-nos cada vez mais na vida política
portuguesa por forma a que os nossos descendentes deixem enfim de ser
considerados como portugueses de segunda. |
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A cooperação ibero-americana e a sociedade da informação
Artur Castro Neves*
A economia contemporânea apresenta como
principais características: um forte
peso do conhecimento, inteligência e informação nos processos de concepção,
decisão e programação; e grandes pressões concorrenciais exigindo, primeiro,
economias de escala e, seguidamente, mercados de capitais abundantes,
vocacionados para altos riscos.
Pode dizer-se que nas novas condições
económicas as operações que mais acrescentam valor são aquelas que consistem na
introdução de informação e conhecimento nos processos produtivos: concepção e
desenho, embalagem e marketing. A competitividade mede-se pela capacidade em
armazenar, classificar, tratar, explorar e transmitir a informação.
A expansão mundial dos telefones, dos
aparelhos de televisão e de música, do material informático, das indústrias de
serviços de informação e de entretenimento constituí a expressão e a alavanca da economia global.
Esta internacionalização, que começou por ter
a forma de aumento das exportações, acabou por tornar-se num modelo da
actividade económica, em que o dimensionamento empresarial passou a depender do
acesso ao mercado mundial ou, mais correctamente, a partes significativas deste
mercado. Este dimensionamento põe de novo aos pequenos países e às economias
emergentes o problema das massas críticas e dos investimentos necessários para
ter em conta “break evens” e níveis de risco financeiro extremamente
elevados.
Esta evolução torna imperativas estratégias
de cooperação regional com especial relevo nos sectores da convergência entre as
tecnologias da informação, as telecomunicações e as indústrias de
conteúdos.
Numa sociedade em que os tempos livres
desempenham um papel central na despesa privada (de reconstituição e
desenvolvimento do capital humano), o divertimento e a cultura tornam-se bens de
grande procura
O papel dos ‘programas e conteúdos’, o papel
do entretenimento no interior dos conteúdos, e, finalmente, o papel do
audiovisual, no interior da indústria do entretenimento, tornaram-se factores
estratégicos de crescimento e competitividade.
A existência de uma comunidade de nações
ibero-americanas, reunidas em torno de um conjunto de elementos comuns -
históricos, culturais e linguísticos – constitui um trunfo na definição de estratégias de cooperação e
oferta de conteúdos no contexto da convergência e crescimento da sociedade da
informação.
A
cooperação ibero-americana
O terreno que melhor revela a importância dos
aspectos culturais -e mesmo linguísticos- na competitividade económica são as
indústrias de conteúdos.
Tanto a indústria multimédia (jogos, ensino,
cultura…) como a indústria do entretenimento e do audiovisual, constituem
oportunidades de negócios e de desenvolvimento económico e social, com base em
elementos culturais e linguísticos próprios. Daí que estas indústrias devam
constituir base de desenvolvimento das economias nacionais.
Nesta tripla perspectiva - histórica,
cultural, linguística -, o espaço ibero- americano constitui um quadro favorável
ao desenvolvimento de parcerias nas áreas dos serviços e conteúdos.
A capacidade interna e externa dos operadores
ibero-americanos a dimensionar as suas actividades na escala do referido
substrato comum, constitui um desafio para obter vantagens comparativas no
contexto da sociedade da informação e da concorrência global.
*Presidente da Associação para a Promoção
Cultural do Norte de Portugal Organizador
da 4ª Conferência Internacional “A comunidade das nações ibero-americanas e a
sociedade da informação” (Porto, de 25 a 27 de Outubro de 2004) |
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Eleições americanas. Não
podemos votar, mas podemos pensar!
Por Luis
Barreira
À hora a que
escrevo estas minhas habituais linhas, ainda não sei o resultado das eleições
americanas. No entanto, para aquilo que hoje vos quero dizer, não é tão
importante saber quem ganhou, mas muito mais relevante do que isso é que, seja
qual for o resultado, ele não nos deve ser indiferente.
Com o
desmembramento da antiga União Soviética e todo o conjunto de problemas que
afectaram e afectam a Rússia, o mundo deixou de viver entre o equilíbrio das
duas superpotências, um equilíbrio de terror, sustentado pela ameaça das ogivas
nucleares, de um lado e do outro, para se lançar numa nova era em que, apenas
uma das partes, os Estados Unidos, manteve a supremacia militar e a sua
influência estratégica sobre o globo.
Muitos dos conflitos regionais, em certas
áreas sensíveis do planeta, que antes eram zonas de influência de cada uma das
potências e muitas das vezes resolvidos, ou não, pelos respectivos aparelhos
político-militares, (alguns dentro da maior discrição), passaram para o
conhecimento geral do grande público, como conflitos e guerras dispersas,
alimentados por armamentos de origem diversa e, muitas vezes, pelos mesmos
fabricantes de material de guerra de outrora.
Se a ausência da
paz “podre” de antigamente, nos faz pensar hoje, que os conflitos no mundo nos
parecem fora de controlo, a situação actual não é exactamente essa.
Muitas vezes no
passado, a corrida aos armamentos, era condicionada pela competição das
estratégias político-militares, para preservar hegemonias e influências, capazes
de assegurar o controlo sobre as fontes de matéria prima, tão essenciais às
economias das antigas superpotências e seus aliados.
Hoje, já não é a
competição armamentista e os perigos de uma inferioridade militar face ao
inimigo, que é utilizada como argumento para sensibilizar favoravelmente a
opinião pública, face ao envio de tropas e armas, para qualquer ponto do globo.
No entanto, o objectivo é o mesmo.
Hoje, é a paz que
serve de escudo para todas as intervenções e é em nome de Deus, que se
justificam muitos dos atropelos à lei internacional e muitas das atrocidades
cometidas.
Se tivermos em
conta que só os Estados Unidos mantiveram o seu aparelho militar, ao nível da
intervenção planetária, não nos custa perceber como é perigoso, ter à frente dos
destinos da nação mais poderosa do mundo, alguém, que se intitulando mensageiro
divino, decide ser o polícia do mundo, para assegurar a paz que lhe é
conveniente.
Nestas condições
não nos pode ser indiferente quem vai ser o próximo Presidente americano, por
dois tipos de razões:
Por um lado, pela
política externa deste País, cuja influência no resto do mundo pode conduzir-nos
a desastres humanos e a guerras evitáveis, com consequências para todos, quer
queiramos ou não envolver-nos nos conflitos;
Por outro, pela
posição económica de supremacia que este País tem, sobre o desenvolvimentos das
economias mundiais, influenciando-as, não só por acção da sua política externa,
como também pelas próprias medidas que assume, no contexto interno dos Estados
Unidos.
Razões de sobra
para estarmos vigilantes face ao resultado destas eleições
americanas.
Se antes se
contestava a existência de dois grandes poderes que se digladiavam entre si,
hoje não é menos perigoso que, só um dos poderes, possa ser utilizado por alguém
menos racional ou completamente alheio ao sofrimento dos outros
povos.
A alternativa ao
actual estado de coisas, não é voltar a criar outra superpotência, mas sim criar
uma verdadeira alternativa de política externa, em que prevaleçam as justas
relações entre os povos e o respeito pela sua diferença. Só assim podemos
alcançar a paz possível. |
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Trovoada
nos céus de “São” Pedro
Fernando Cruz Gomes
As nuvens já se acastelam. Vindas de vários
quadrantes, são capazes de rumar lá mais para norte, onde (em Barcelos) se vai
abrir o conclave do Partido que está no Poder e que no Poder se quer manter. E
mesmo que, hoje por hoje, todos os comentários se centrem nas eleições
americanas e naquilo que o mundo pode esperar do seu desfecho, há outros
“caminhos enlameados” onde a turbulência climática se pode fazer sentir. O que
se torna perfeitamente natural, num mundo em que Washington manda, dá cartas e
até apanha os figuetes que antes atirara aos céus, mas que não é ainda “dono
único” das verdades eternas (com grande mágoa sua, entenda-se).
Há, de facto, temas que, mesmo sem
a eventual grandeza das ditas cujas eleições, acabam por ganhar espaço nos
órgãos de Informação do nosso país de origem. Os dias que estão a correr
afiguram-se poder ser determinantes para o actual primeiro-ministro de Portugal.
Pedro Santana Lopes terá de usar todo o cabedal político de que dispõe para se
encrespar contra uma série de pressões que o assolam. E mesmo que tenha, à mão
de semear, uma “arena” onde costuma brilhar – o Congresso a 12, 13 e 14 deste
mês – ainda não é dado adquirido dizer que ele tem o “caminho aberto” para
governar tranquilamente.
Entenda-se que o líder social-democrata há-de
querer fazer do Congresso um patamar de consagração pessoal. Com garantias de
fidelidade. Com afirmação de uma “cartilha” que já está lida. E olhando em
frente, vendo o horizonte das eleições autárquicas e das presidenciais, decerto
que o até há pouco “enfant terrible” do PSD há-de querer trazer uma “capa” de
vencedor. Que, durante muitas luas, lhe fugiu no último minuto.
Só que, já se ouvem vozes no interior do PSD
que se atrevem a culpar o líder das derrotas eleitorais das Europeias e das
Regionais. Serão vozes ainda pouco perceptíveis. Talvez com o tom de quem diz
achar “não ser a altura de abrir brechas...”, mas a darem o mote para muitos dos
que podem alimentar esperanças de o deitar abaixo. E isto, numa altura em que os
autarcas dão mostras de algum descontentamento, pode vir a ser muito mau.
Ainda não há muito, alguém dizia que Santana
terá de “esquerdizar” um pouco mais o seu discurso, tirando o protagonismo ao
seu colega de coligação e fazendo calar as vozes dos que começam a ouvir muito o
estilo de ser de José Sócrates, para quem o melhor mesmo era que Santana saisse
de Barcelos como líder de uma facção do partido e não como... vencedor credível
do partido-referência que é ainda, por agora, o maior de Portugal.
Se juntarmos às “lutas” visíveis, aquelas que
podem advir da tentação de muitos “barões” de deixar cair a coligação – o que
poderia, eventualmente, dar a Sampaio o “mote” para provocar eleições
antecipadas – entenda-se que não vão ser fáceis as próximas semanas do líder
social-democrata e primeiro-ministro. Sobretudo por haver ainda “feridas” que
ainda não sararam. Como é o caso da de Marcelo Rebelo de Sousa. Que a oposição
tem estado a levantar como “bandeira” de quem acredita que o rei vai nu... pelo
menos em matéria de democracia de intenções. E que, mesmo no interior do
Partido, tem apoiantes de certa craveira.
Se o rei não vai nu... importa prová-lo. Cada
vez mais, os tempos não se compadecem de líderes fracos. Daqueles que, olhando à
esquerda e à direita, não vê mais do que... o abismo. Que quer (e ainda pode)
evitar. Mas que só com uns quantos murros na mesa. Mesmo que façam sangue e
provoquem suor e talvez até lágrimas...
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O contraditório... que
ninguém quer
Fernando Cruz Gomes
Terça-feira, 2 de Novembro. A SIC dava como
“notícia” – nota ou “suelto” – a informação de que o Cônsul-Geral de Portugal em
Toronto, ainda retido em Lisboa, tinha sido retirado de Toronto. Era a primeira
vez que aquela estação se referia a um assunto que apaixonou grandes extractos
sociais luso-canadianos. Referia-se, no entanto, a um acontecimento que ocorrera
a 21 de Agosto. Fazia-o, mesmo assim, ouvindo uma das partes. Só uma das
partes.
Como a informação – seria mesmo
(des)informação? – tinha origem em Toronto, é certo e sabido que quando a
“história” foi construída se sabiam muitas mais coisas. Que ficaram, no entanto,
no tinteiro. Como seria de bom tom... para quem quer brilhar, mesmo que seja
necessário atropelar alguém.
É que, agora que tanto se fala no
“contraditório”... não houve contraditório. Esqueceram-se de levar a cabo o tal
contraditório que os ministros exigiram quando o prof. Marcelo Rebelo de Sousa
fazia comentários na TVI. Esqueceram-se pronto.
Sabendo, como sabiam, que Artur Monteiro de
Magalhães não estava autorizado a falar sobre o tal incidente com a OPP de
Aurora, entenderam que era melhor ouvir a Polícia. Como se ela tivesse a verdade
única. Nem sequer se dignaram ouvir o Governo Português, através do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, a saber o que é que se passou. Sim, porque se o
Ministério não deixa aquele diplomata falar sobre o assunto... tem de ser ele a
arvorar-se em advogado de defesa. Se tem autoridade para o proibir de falar,
naturalmente que tem de tomar a parte de defesa.
Mais grave, ainda, é o facto de não terem
ouvido a única testemunha civil (à falta de melhor termo) que assistiu a tudo.
Já não se pede, como é evidente, que se fale com a esposa do cônsul, que ia
também no carro, mas com a acompanhante – funcionária superior de um instituto
em Lisboa – era o mínimo. Como tudo foi feito... só se ouviu uma das partes.
Possivelmente a mais forte por ser autoridade... e por estar armada... mas
faltou o contraditório.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de
Portugal falhou. Ao deixar que numa estação televisiva de referência saísse uma
história como a que saiu sobre um seu cônsul, sem tugir nem mugir, e obrigando a
vítima a estar calada... é, de facto, de bradar aos céus. O António Monteiro,
ministro, que é também embaixador, pode limpar as mãos à parede pelo que está a
deixar fazer... já que, com acusações como as que impendem sobre o seu cônsul –
não é todos os dias que se teria dado um soco num polícia... – fica quietinho.
Não dá um murro na mesa e sai à liça na defesa... da verdade. Deixa,
designadamente, a SIC sem o tal contraditório, de que agora tanto se
fala.
Pobre País! Pobre Ministério! Se quem estas
linhas subscreve não gostasse da actuação do tal cônsul, agora parado em Lisboa,
ficava a gostar pelo enredo em que, face a ele, todos se vão estatelando. Até o
Primeiro-Ministro de Portugal, que soube do caso, atempadamente. Sem se mexer.
Como se não lhe pesasse na consciência... deixar fazer uma injustiça do tamanho
de um camião. É pena que também ele se
vá atolando nestas contradições sem sentido. Contradições que começaram, até,
com o Embaixador português que ainda está no Canadá... a fazer “negócio”, no que
de mais lógico tem o termo, com a presença do Cônsul. Aliás, Silveira de
Carvalho deve estar satisfeito: fez o que fez, não defendendo o cônsul... e
trazendo rapidamente, ainda que em termos interinos, um outro funcionário para o
lugar que é ainda de Artur Monteiro de Magalhães.
A SIC, que nos habituámos a estimar desde a sua
génese, até por termos entre os seus trabalhadores alguns colegas, prestou um
mau serviço à Informação. Pior, no entanto, fez o Governo Português à causa
da... verdade. |
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Não vale a pena maquilhar os problemas!
Por Luis
Barreira
Os habitantes de
alguns bairros periféricos da cidade do Luxemburgo, vieram a terreiro público
manifestar o seu medo e a sua repugnância, pelo crescente trottoir de
prostitutas e seus pares, drogados e traficantes, nas suas zonas de residência
habitual.
Tratou-se, tão
somente, de manifestarem, junto dos poderes públicos municipais, o seu receio
face à marginalidade instalada junto das suas famílias e às consequências
periféricas deste mal estar social, como é o caso de frequentes assaltos aos
cidadãos e dos possíveis problemas causados às suas crianças, face ao abandono
de seringas já utilizadas e às companhias pouco recomendáveis, que entretanto
circulam.
O que se passa na
periferia da cidade do Luxemburgo é, à sua escala, o que podemos encontrar em
Paris, Roma ou em Lisboa.
As sociedades
modernas, à medida do seu desenvolvimento positivo, criam igualmente um lumpem
social, uma zona de “lixo” humano que, a não ser tratado, acaba por se amontoar
e empestar, progressivamente, o resto da sociedade.
Só que, aquilo a
que eu antes chamei de “lixo” humano, são pessoas, seres vivos que devem
merecer, pelo menos, o mesmo nível de cuidados que todos os outros cidadãos e
(pelo menos...) os mesmos recursos económicos, que se colocam à disposição do
tratamento dos verdadeiros lixos!
Mas tal não
acontece. Seguindo o velho ditado “longe da vista,...longe do coração”, a maior
parte dos responsáveis pelo bem estar público, preferem afastar para longe dos
olhares críticos dos cidadãos, este tipo de problemas, convencidos de que tal
anulará o mal. Assim, seguem-se
permanentes medidas de recolocação de toda essa gente, em lugares afastados,
criando “ilhas” de abandonados à sua sorte.
Mas, curiosamente,
os cidadãos luxemburgueses, que se manifestaram agora contra o actual estado de
coisas, fizeram-no de forma sensata e conscientes da sua condição cívica e ao
afirmarem claramente aos governantes que: a prostituição só pode ser controlada,
se for regulada e não exercida da forma selvagem, como existe actualmente; os
drogados devem ser tratados, ajudados e recuperados para a sociedade e não
apenas escondidos dos olhares dessa mesma sociedade; os traficantes devem ser
banidos, presos e escorraçados, através de uma legislação impiedosa e uma
prática policial eficaz e permanente, estes cidadãos demonstraram um elevado
nível de moral cívica.
O que os cidadãos
dos bairros periféricos da capital quiseram dizer aos governantes foi: basta de
hipocrisia social, assim não vamos a lado nenhum!
O que todos os
cidadãos do mundo desejam é políticas de verdade e não de avestruz, soluções
efectivas para os males sociais e não meras manobras de maquilhagem dos
problemas!
Neste caso, e na
situação económica particular do Luxemburgo, o que está verdadeiramente em causa
não podem ser os recursos económicos para a realização das reais soluções e, a
pensar como estes cidadãos o exprimiram, também não é igualmente algum problema
de moral social que está a encravar as decisões.
Tivessem outros
países e outras cidades do mundo, a braços com o mesmo flagelo, as
potencialidades deste País e há muito que caminhávamos para a erradicação
definitiva, de uma boa parte desta doença social. |
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Ainda a Casa Pia !
Por Luis
Barreira |
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Quando todos já nos
interrogávamos sobre o estado actual do “processo Casa Pia”, deixado de lado
pelos grandes títulos da imprensa, eis que o Procurador Geral da República de
Portugal, Souto Moura, desenterrou mais algumas críticas à forma como o
processo foi conduzido.
Desta vez, segundo
ele, o embrólio que tem motivado todo este processo judicial, só foi possível
devido à notoriedade dos acusados. Quer dizer que, se fosse o Sr. Manuel da
mercearia ou o Sr. Joaquim do talho, o processo já teria sido concluído há
muito tempo.
Como também afirma
que, pelas mesmas razões, não foram acautelados os interesses das vítimas, pode
depreender-se que os acusados foram beneficiados em toda esta tramitação legal,
em prejuízo dos miúdos abusados.
É curioso como
afirmações desta natureza podem ser bem aceites pela opinião pública. O povo,
em geral, fica satisfeito por ver os ricos e poderosos serem igualmente
julgados e se os crimes que cometeram, forem sobre crianças desprotegidas das
famílias, como é o caso, os nossos sentimentos são ainda mais arrebatadores.
No entanto, estas
declarações do Dr. Juiz-Procurador Geral, não podem escamotear outras verdades
mais profundas.
Como membro do
corpo judicial de Portugal, o Sr. Dr. Juiz sabe perfeitamente que, se os
acusados utilizaram a “engenharia jurídica” para complicar o desenrolar do
processo, foi porque a lei o permitia e permite!
Independentemente
do juízo que cada um faz sobre as culpas de tudo o que se tem produzido neste
processo, os advogados de defesa dos acusados não cometeram nenhuma injustiça.
Foi a justiça existente que lhes permitiu agir assim e não me lembra de ter
visto, até agora, o Dr. Souto Moura a combater as injustiças da justiça
portuguesa.
Por outro lado, se
os direitos das vítimas deste processo não foram acautelados, pergunto-me o que
é que está lá a fazer o Procurador Geral da República, enquanto juiz da causa
pública?
De tudo aquilo que
se passou até agora, o povo já tirou uma lição: a justiça não é cega ou, pelo
menos, não é cega para todos! Há uns, cuja posição social ou a riqueza
económica, têm o privilégio de ver todos os “buracos” da lei e outros, menos
bafejados pela sorte, que andam completamente às cegas pelos meandros da
justiça.
Era isto que o Sr.
Procurador deveria ter afirmado. Só que, se o fizesse, corria o risco de ter
que pôr em causa, muito da estrutura profissional em que se insere.
Só falta alguém vir
à praça pública dizer que, a culpa de toda esta trapalhada jurídica, é dos
órgãos de informação e de toda a mediatização que foi feita.
Ainda não ouvi
ninguém afirmá-lo de forma contundente, mas tenho a certeza de que não será o
Sr. Procurador Geral a fazê-lo, ainda a braços com as fugas de informação para
os jornais, por parte do pessoal dos seus serviços e a propósito do processo
Casa Pia.
Esperemos que o
processo chegue ao fim, sem mais alfinetadas e com a verdade acima dos
preceitos administrativos da justiça portuguesa. E esperemos que a imprensa
continue a preocupar-se com a divulgação da verdade e não com a criação de
“vedetas ocasionais” que, cada vez mais, abundam na vida pública do país que
nos viu nascer.
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CCP sem tostão, nem notícias do governo Por António Cardos
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Reconheço que não
me apetecia muito « falar » do CCP. Agora que o vice-presidente – que
vai ser presidente e, dizem os entendidos, já o era de facto - criou um jornal
que se diz “concorrente” do nosso, que o utilize para se auto-promover e para
promover os órgãos que dirige.
Estou a brincar,
claro, não misturamos alhos com bugalhos, nós somos profissionais,
independentes e, sobretudo devemos respeito e ética aos nossos leitores.
Também temos o
dever de privilegiar a informação que interessa o público que nos lê e aí temos
de aceitar que o CCP não interessa muita gente na nossa comunidade. Por prova
não se poderá falar só do número ridículo de votantes que o elegeram porque
foram infelizmente semelhantes aos realizados pelos emigrantes nas eleições
legislativas e presidenciais no nosso país. Mas bastará interpelar, tal como
nós fizemos, umas dezenas de portugueses residentes em França e perguntar-lhes
se conhecem esse órgão, para constar que os poucos que já ouviram falar nem
sequer sabem para que serve.
Os autores do
próximo Orçamento de Estado também parecem desconhecer o CCP ou duvidar da sua
real utilidade já que não lhe é atribuído nem mais um cêntimo em relação ao
anterior. Mais, segundo afirma a Secção de França, o orçamento do CCP foi “reduzido
de 400 pc (?) pelo facto de contemplar uma verba de 150.000 Euros para a
realização da reunião Plenária estatutária programada para finais do 1°
semestre de 2005 e cujos custos sempre foram providos e contabilizados para
além do orçamento inicial”
No mesmo comunicado a Secção de França queixa-se igualmente de ter tomado “conhecimento
da proposta apresentada para as Comunidades através da comunicação social e não
como estaria em direito de esperar, através de consulta ou informação prévia e
directa oriunda da Secretaria de Estado das Comunidades ou do próprio
Ministério dos Negócios Estrangeiros”. Coitados, nem uma carta receberam !
O documento refere como exemplo, que, “tendo
em conta a actividade própria da Secção, cada Conselheiro(a) seria reembolsado
de 160 euros pela totalidade das despesas geradas pela sua actividade anual, ou
seja, o equivalente a uma única deslocação de comboio entre Lyon e Marselha ou
entre Paris e Nantes”. O TGV está cada vez mais caro !
Também o Consul Geral em Londres, João Bernardo Weinstein, demonstra pouca
consideração pelo CCP. Segundo afirma o conselheiro no Reino Unido, Gabriel
Fernandes, numa reunião com os membros, terá dito que “embora os mesmos, no seu
entender, não fossem legitimados pela maioria dos portugueses – apenas cerca de
400 votaram – ele ainda assim recebia-os mais uma vez para com eles trocar
impressões”.
Não podemos ainda
confirmar as declarações do cônsul português num país onde, “a eleição do Presidente da República, teve no
Reino Unido cerca de 200 votos, mas com três dias para votar e enormes recursos
financeiros para a sua campanha”, refere ainda o documento transmitido à
comunicação social pelo conselheiro.
Na altura em que fui “conselheiro
do CCP” – nomeado – também nunca me reembolsaram os bilhetes de metro que
gastei para me deslocar. Mas era outra época, agora os conselheiros têm
responsabilidades acrescidas pelo facto de terem sido eleitos e devem responder
pelos seus actos perante quem os elegeu.
Se os eleitores foram
poucos, a culpa é exclusivamente dos governos que criaram estruturas para
“mandar areia para os olhos” dos emigrantes privando-as em seguida de meios
para atingir os objectivos.
Para mostrar o que
vale, o CCP só tem uma solução, manifestar. Se conseguir reunir 50.000
emigrantes à frente do Palácio de S. Bento, tenho a certeza que multiplica o
orçamento por dez. É muito ? Não, é só 1% dos emigrantes. A Secção de França
pode começar por mandar 10.000 – é a mesma percentagem - para a rue Noisiel, a
título de experiência.
Brincadeira à parte, há
gente de grande qualidade e dedicação no actual CCP e noutros passados, gente
que vai perdendo coragem para defender causas que deveriam merecer mais
interesse por parte do governo português.
Ficarão sempre os
outros, aqueles que se servem do CCP com trampolim para outras ambições. Se
calhar é isso mesmo o que os nossos governantes pretendem.
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Ai Portugal, Portugal,....
Por Luis Barreira
O escândalo da
colocação dos professores em Portugal, sim, porque é de um verdadeiro escândalo
que se trata, atinge foros de uma verdadeira telenovela de declarações
públicas, por parte dos responsáveis governamentais e dos representantes das
vítimas.
E vítimas são os
cerca de 50.000 professores, sem saberem onde vão ser colocados e os muitos
milhares de alunos a quem as aulas faltam, até ao perfeito enquadramento dos
seus professores, nas respectivas escolas.
Todos os anos,
piores ou melhores, há falhas na abertura das aulas. Todos os anos se repetem
acusações, desculpas mal construídas, votos de correcção para o futuro e um
encolher de ombros perante as responsabilidades. Se não são os professores, são
as escolas, que ainda não estão construídas ou lhes falta equipamento escolar,
ou os atrasos na publicação programas, ou nos manuais escolares,....ou,...ou.
Sindicatos e
Ministério, de costas voltadas, repetem argumentações, esgrimem com as
palavras, apresentam relatórios contraditórios à opinião pública e, no fim,
“tudo está bem quando acaba bem”.
Esta história
repetida que, por essa razão, poderia encontrar semelhanças com outros
fenómenos da sociedade portuguesa, como o dos incêndios, a poluição dos rios, os
eternos problemas com o sistema de saúde, ou o caos dos processos pendentes nos
tribunais, para não citar outros, podem levar-nos a pensar que, a sociedade
portuguesa e nomeadamente os responsáveis pelas instituições, sofrem de um
qualquer mal endémico, de uma qualquer surdez social ou de uma incapacidade
permanente, que os inibe de resolverem problemas, há tanto tempo detectados e
com tantas soluções experimentadas.
Mas não creio que
seja uma destas razões, a causa destes sucessivos disparates cometidos e do uso
e abuso das más soluções encontradas.
O que me parece é
que, na escola política portuguesa, com pouco mais de 30 anos de experiência
activa e alargada, sustentada por uma profunda clivagem, entre o governos e
oposição, não há lugar à humildade, que deve constituir um princípio base entre
pessoas racionais e interessadas no bem público, acima das contradições
partidárias. Os vícios trazidos de uma aprendizagem política, baseada: no
conflito permanente; no diz que não ao outro, antes de avaliar o que o outro
diz; na ausência de procura de consensos, como se tal envergonhasse quem a isso
se propõe, na crítica sistemática e avassaladora entre as forças partidárias,
impedindo à partida qualquer aproximação, sobre um qualquer contexto. Enfim,
toda esta atitude friccionista e “freneticamente acalorada” entre os lideres
das forças políticas portuguesas, como se se tratassem de presidentes de clubes
de futebol, irá conduzindo o povo português a uma profunda descrença na
capacidade dos seus políticos corrigirem os males estruturais da sociedade
portuguesa.
E, se já muita
gente compara a política com o desporto futebolístico, não tarda muito que as
pessoas percam o amor à camisola e estejam sempre a mudar o sentido de voto, em
função da equipa que marque mais golos.
Como está na moda
os treinadores demitirem-se, quando a equipa perde, não estranho que a Ministra
da Educação, que herdou uma equipa e uma táctica de jogo, que não era a sua, se
demita das suas funções e crie mais um problema neste acidentado governo.
No fim de tudo
isto, o resultado não vai necessariamente ser o melhor para o futuro dos
milhares de alunos que, em Portugal, têm um dos mais baixos níveis de
escolaridade da Europa e uma taxa de aproveitamento escolar muito abaixo da
média.
Assim se vão hipotecando
as gerações tão necessárias para o “grande salto” do desenvolvimento de
Portugal.
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O Conselho que (ainda) não temos
Fernando Cruz Gomes (Sol Português)
O tempo voa. Mesmo sem asas, encastela-se por
sobre a cabeça dos que (ainda) pensam e só não ensina nada... se nada quisermos
aprender. Nas “ondas” da Internet, chega a dar a ideia de que o tal tempo...
não tem tempo e surgem “conversas” que só poderão surpreender um que outro
incauto. Aos outros, decerto a maioria, já não causa surpresa.
Agora é o Conselho das Comunidades Portuguesas
que está em foco. João Machado, Conselheiro
de França, eleito no Círculo de Nogent-sur-Marne, diz que não vai à reunião de
25 e 26 de Setembro e explica porquê. O seu “Porque é que não vou a Lisboa” é,
no fundo, um grito de alma que já outros lançaram. E que só não ouve... quem
não quer ouvir.
Quando, há uns bons 25
anos, fomos à primeira reunião do Conselho das Comunidades, salvo erro ao
Palácio Foz, em Lisboa, ainda havia demasiadas expectativas. Acreditávamos
todos – e quem estas linhas traça era por essa altura delegado do Canadá,
juntamente com um sacerdote de Kingston, Ontario – que as comunidades iriam ser
“bem servidas”. Que era possível acreditar na pureza de intenções do Governo de
então. Que, com um pouco de jeito e boa vontade... éramos bem capazes de levar
a carta a Garcia. Ajudámos, então, depois de dois ou três dias de trabalhos, a
redigir as conclusões e as recomendações. Acreditávamos e João Machado também
(se for quem temos na mente).
Como a fé é que nos
anima... tínhamos fé. As recomendações iriam ser postas em prática. O Governo –
aquele e os outros que se lhe seguissem – ia ter em conta a diáspora. Ia,
afinal, entender que somos cada vez menos os 10 milhões de Portugueses, de que
se cuida, mas sim os 15 milhões de que também se deveria cuidar. E o Conselho
das Comunidades Portuguesas ia, assim, fazer a sua parte.
Pois... Os anos rolaram.
Os tempos deram tempo... ao tempo da indecisão. E cinco ou seis anos depois, na
última reunião do Conselho das Comunidades Portuguesas, na fase que então era a
legal, até a fé nos roubaram. Ficamos sem nada. Estamos sem nada. É que
voltámos a ser nós a redigir as conclusões e as recomendações. Mais do que
isso... delegaram em nós – e cremos que quem fez mais força foi até a França,
face ao “ar humanista” que o Canadá sempre teve - falar, na sessão solene (que nós nem sabíamos que era a
última...) e dizer alto e bom som... que tivemos extrema dificuldade em
alinharmos as recomendações porque, em boa verdade, e para sermos coerentes,
teríamos de fazer as mesmas que cinco anos tínhamos feito na primeira reunião
do Conselho das Comunidades Portuguesas.
Recordamos até que, no
final da reunião, o bom do Correia de Jesus, que era então o secretário de
Estado, se virou para nós e com um ar quase “sofredor”... nos perguntou ao
ouvir tantas críticas formuladas por nós próprios: “Tu... também?!” Cremos bem
que ele não entendia, na altura, que ser militante de um Partido não é, de
forma alguma, sinónimo de ser amorfo, sem espinha dorsal. Hoje é bem capaz de
já o ter aprendido...
Nessas recomendações – há
25 anos – uma das que mais gritante se tornava era do ensino de Português no
estrangeiro. E quando o conselheiro de França nos fala... no pouco caso que se
dá a esse item... não podemos nós esquecer que, nesta parte do Mundo – Canadá,
Estados Unidos, Venezuela, etc. – não se fez “pouco” pelo Ensino. Fez-se
“nada”... Faz-se ainda “nada”. O mesmo se pode dizer da RTP onde “triangulação
de informação” é desconhecida e continuamos – mesmo com os “Contactos” – a
sensibilizarmo-nos uns aos outros, porque não temos direito a ser ouvidos em
Portugal. Há, de facto, um divórcio entre os 10 milhões de Portugueses (em
Portugal) e os 5 milhões de Portugueses no exterior.
Quem nos acode? – João Machado – seja ele de que
quadrante político for – tem razão. Ir a Lisboa para ouvir o que já ouviu...
discutir o que já discutiu... e voltar com remorsos de ter perdido o seu
tempo... é menos que nada. Não vá. E pena será que outros não lhe copiem o
exemplo...
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Portugal : turismo para “pé
descalço” ?
Pour António Cardoso
Este ano fiz turismo em Portugal. Escolhemos o
norte (de Lisboa), e fui o guia ocasional de amigos franceses outorgando-me o
direito e o dever de lhes mostrar a nossa diversidade geográfica e a riqueza
histórica e patrimonial do nosso país.
Quis sobretudo que descobrissem um Portugal
diferente daquele que já conheciam, diferente das praias do Algarve ou da costa
lisboeta.
Óbidos, Alcobaça, Batalha, Nazaré, as
Berlengas, Coimbra, Mesão Frio, Régua, Pinhão, Alijó, Foz do Tua, S. João da
Pesqueira, Trancoso, Celorico da Beira, Castelo Branco, Monsanto, Termas de
Monfirtinho, foram alguns dos locais de paragem ou de rápida estadia
escolhidos.
Como não podia deixar de ser, os amigos
ficaram subjugados com tanta beleza natural, atónitos com a diversidade e
diferenças paisagísticas de um quilómetro para outro, mas sobretudo, não
escondiam admiração pelo vasto e rico património cultural que o nosso país
possui.
Sem reservas efectuadas previamente, as
dormidas era onde havia lugar. Tivemos do melhor e provavelmente do pior que
existe em Portugal. Diverti-me a vislumbrar nos rostos a satisfação ou o
desapontamento dos meus companheiros de viagem sobre a qualidade do serviço
hoteleiro.
Neste aspecto somos diferentes dos franceses.
Para a grande maioria de entre nós, desde que o prato esteja bom, o resto tem
pouca importância. Para eles, é o conjunto, e têm razão.
Portugal ainda não está suficientemente
preparado para acolher turismo em massa das classes médias.
Do lado negativo, o hotel, bar, restaurante da
Berlenga, “Pavilhão Mar e Sol”, o único da ilha, é um exemplo : À pergunta do
simpático rapaz que servia no bar, “em que copos sirvo o Martini ?” , um
indivíduo mal encarado com ar de capataz respondeu-lhe, à minha frente, “nos copos
de cerveja”.
- Tem a certeza que o Martini é para servir em
copos de cerveja ? perguntei ao tal energúmeno.
Virou-me as costas com desprezo evidente e
desapareceu no interior do estabelecimento.
-
Desculpe, só estou aqui durante as férias
para ajudar o patrão, é o meu tio, mas este indivíduo é que manda... disse o
rapaz constrangido.
Outro restaurante, o da pousada Mestre Afonso
Domingues, que mereceria ser deslocado para a periferia da Batalha está situado
de forma estupenda em frente ao mosteiro. A empregada, visivelmente chateada
por ter clientes, proibia-os de forma peremptória, logo à entrada, de utilizar
as casas de banho, segundo ela avariadas, indicando as do parque exterior. Para
que fosse mais claro, duas cadeiras barravam o acesso.
Até podia ser verdade, mas foi pela forma
desagradável utilizada pela tal empregada que um grupo de dez pessoas já não
quis ficar para almoçar preferindo outro restaurante e outras casas de banho.
Quanto a nós, seguimos as moscas e o mau
cheiro para utilizar as “toilettes” da vila e esperámos 30 minutos para
conseguir o descongelamento de uns pregos e bifanas que batalhámos para roer.
Em Outubro
“falaremos” de alguns dos bons sítios onde fomos bem acolhidos e que nos enchem
de orgulho pela nossa aptidão de saber receber. Este era uns dos nossos
principais argumentos para captar o tal turismo das classes médias. Se o
perder-mos arriscamo-nos a conservar e a desenvolver o outro, o do “pé
desclaço” como dizem os algarvios. De quem é a culpa ? |
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Quem não honra o Passado… não merece ter Futuro
Fernando Cruz Gomes
Arganil elevou-se. Cresceu. Agigantou-se, mesmo, no conjunto das cidades e vilas que
têm da gratidão um conceito nobre. E isso deve encher de orgulho as gerações
que andam agora pelas escolas a preparar-se para o futuro. É importante que os
nossos mais novos aprendam que “quem não honra o Passado... é bem capaz de não
merecer o Presente e o Futuro”. A frase, de que desconheço o autor, salta-me à
mente, ao ler, preto no branco, que a típica vila beirã acaba de homenagear os
que “da lei da morte se libertaram”, cumprindo galhardamente o seu dever,
quando em combate, pela Pátria, estiveram no (então) Ultramar Português.
É que, eles, os combatentes, cujo nome ficou
escrito na pedra do monumento agora erguido, no Bairro do Sobreiral, cumpriram
a sua parte no dever de defender a Pátria. Talvez com um conceito diferente
daquele que hoje, pelos vistos, se defende e se canta. Mas... um conceito
nobre. Talvez repetido, uma que outra vez, pelas mães beirãs que, mesmo
chorando o desgosto de os ver partir, entendiam o chamamento da Pátria.
Entendiam-no e inculcavam-no na mente dos que partiam, alguns para sempre.
Arganil, concelho nobre, cumpriu com nobreza,
o dever de ser grata. Mais do que isso, deixou exemplo a muitas nobres cidades
e vilas que ainda se envergonham dos seus heróis, manietadas por não sei que
birras mentais que ainda há. Arganil cumpriu.
Não estive lá, frente ao monumento, para
saudar naqueles todos quantos, em terras que eram portuguesas – e onde nunca o
sol se punha... – combateram o bom combate e escreveram heróicas páginas de uma
História que não envergonha os vindouros. Bem ao contrário. Em meu nome,
decerto que em meu nome, familiares por ali estiveram. Sim, porque entre os
nomes dos que tombaram “lá longe”... figurava o nome de um irmão que ainda não
consegui esquecer. Sebastião José. A quem vi, vezes sem conta, a falar no seu
mister às filhas que então nasciam... e que também estiveram presentes.
Se eu lá estivesse, era bem capaz de rebentar
em pranto. Sobretudo a lembrar-me de uma “velha senhora” – nobre e altaneira em
sentimentos, que só esses contam – a aconselhar aos filhos o cumprimento da sua
missão patriótica. Uma mãe que descansa agora, lá por cima, em cemitério de
aldeia, onde já os pais descansavam. Essa mãe... é, afinal, igual a tantas outras.
Das que estiveram na cerimónia do Bairro do Sobreiral. Que, à sua maneira,
ajudaram a levantar bem alto o nome do velho Portugal... que cada vez se deve
orgulhar mais das páginas que escreveu em países... que eram, então, Portugal.
A homenagem aos combatentes, que Arganil achou
deveria fazer, foi também – pelo menos para mim, cá longe da terra – homenagem
à mãe sofredora. Que abençoava, um a um, os filhos que iam para a guerra.
Cumprir o que então se pensava ser um dever. Que era mesmo um dever. A despeito
de muitos pigmeus de hoje entenderem que não.
Arganil cresceu. Agigantou-se. É já hoje
maior. Cumpriu um dever de gratidão. E como
“quem não honra o Passado não merece ter Presente nem Futuro”, Arganil
está a crescer ainda mais.
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Coitado do Zé Maria
Fernando Cruz Gomes
As
sociedades têm destas coisas. Enrolam-se em contradições, vociferando paixões
que nem sempre o são. Deixam, no ar, imagens que, inatingíveis, já que ireeais,
metralham os corpos daqueles que se deixam iludir no jogo do faz-de-conta.
Acredita-se muito no que se vê na Televisão. E nos Filmes. Abomina-se o normal
viver. E sonha-se com... situações que às vezes não passam de simples miragens.
A história só não termina aqui, por se
revestir de contornos tristes e mais tristes parecendo. A darem a entender que
os Big Brothers da nossa angústia são capazes de transformar um homem
simples, humilde e até digno num farrapo humano onde as coisas más só não
acontecem por haver quem… sirva e proteja. O Zé Maria é, mesmo assim, exemplo.
E exemplo que não pode deixar de ser sopesado. É que deram à sua mente um
“escape” demasiadamente irreal, que ele não soube destrinçar. Deram-lhe uma
notoriedade para a qual não estava preparado.
Os valores da sociedade que criámos – todos
nós, como importa não esquecer… - pautaram na mente do Zé Maria uma psicose que
o traumatizou. Deram-lhe a entender ser… o que não era. De simples jovem mais
ou menos anónimo de Barrancos passou a ser um vencedor. Um vencedor que muitos
milhares de pessoas idolatravam. Vencedor sem cuidar de entender – porquê não
sabemos – que tudo aquilo era efémero e passageiro. Que não era real. Que a sua
vitória era, afinal, fruto de ingredientes que não pesavam na balança certa de
uma mente equilibrada.
A sociedade tem destas coisas. A sociedade,
nas suas fronteiras reais, não disse ao Zé Maria que não levasse muito a sério
tudo aquilo. Que a Televisão e o Cinema só mostram os “melhores” – mesmo que
feitos de um barro menos bom – porque as audiências exigem isso. Que as
trombetas da fama só tocam quando é necessário dar uma ideia demasiadamente
risonha do mundo… para efeitos de comércio.
Os “momentos de glória” por que muitos
passam – em Toronto como em Lisboa e na China como na Venezuela – são apenas
fugazes. Para se tornarem famosos, os nossos Zés Maria fazem o que for
necessário. Homens e mulheres transformam-se
em “palhaços” que até têm de rir para não chorar… a troco desses tais momentos
de glória. Depois… é o sonho inatingível. Sonham ser jornalistas,
apresentadores, actores. Alcandorados aos galarins da fama, julgam-se mesmo
aquilo que não são.
A seguir, para alguns, vêm as tentativas de
suicídio. As excentricidades. O querer ser, à força, aquilo que se não é.
Talvez para manterem os tais momentos de glória que não souberam entender. Vêm,
afinal, as “contas da modista”, já que é preciso pagar, e com juros, a glória
para a qual se não estava preparado.
Coitado do Zé Maria! Deste… e dos muitos que
enxameiam as nossas comunidades. E que não conseguem entrar no jogo do faz de
conta. Sem pensar que tudo aquilo é mesmo irreal. Coitado do Zé Maria!
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Portugueses, um povo
“desenrascado”!
Luis Barreira
Acabaram-se as
férias para muitos de nós e, para muitos, renovaram-se as saudades pela gente
da terra, que continua viva e feliz, pelos campos que não arderam, pelas praias
que não estão poluídas e pelo sol,... quando não fazia “caretas”!
Para aqueles que
raramente vão a Portugal é também motivo de orgulho as grandes obras que
entretanto se fizeram, as necessárias e as outras, aquelas de usufruto
temporário, cujos montantes investidos, poderiam dar para resolver muitas das
assimetrias do nosso desenvolvimento.
Outro aspecto que
nos impressiona, é o notável apetite das nossas novas gerações pelas novas
tecnologias: os últimos gritos de telemóveis; os novíssimos computadores
“XPTO”; os carros de grande cilindrada, que se amontoam nos stands e o “xiriri”
dos televisores de écran plasma e as aparelhagens sound, de último modelo. É
impressionante ver toda a gente interessada em consumir o conforto do futuro,
num presente insuficiente.
Mas o mais curioso e que nos deixa tantas
vezes estupefactos, é a observação de que quase toda a gente se queixa: “isto
está muito mal,..”, “..o negócio não dá nada...”, “não há trabalho...”,
“...estamos cada vez pior...”, mas vamos encontrá-los mais tarde, alegres e
sorridentes, à mesa de um restaurante ou às compras em lojas chiques.
Naturalmente que
não são todos e a crise não é virtual. Muitos vivem mal e o seu mau estar
económico é bem real. No entanto, a vida social, é cada vez mais comandada
pelas aparências.
A surpresa vai para
além dos limites com a nossa modernidade urbana rural. As pequenas vilas e
muitas das aldeias, têm já um ar lavado, bons restaurantes, em vez de tascas,
ruas floridas, em vez de amontoados de lixo e muito pouca gente, porque há
muito pouco trabalho e, em consequência, é preciso partir. Mas os que ficam,
nomeadamente os mais jovens, têm hoje à sua disposição enormes discotecas e
grandes centros comerciais (onde tudo se compra a prestações), para passear ao
domingo e gastar uns “cobres”, do orçamento familiar, em cocktails exóticos e
em roupas de grandes marcas.
Já nada é como
dantes! Já não se cosem meias, não se disfarçam colarinhos gastos, não se manda
pôr meias solas, não se reparam rádios ou televisores, não se repintam os
carros, não se come em tascas (salvo as que são caras), nem se leva o farnel
para a praia.
A Europa é que nos
ensinou e a Europa também somos nós, caramba!
O que é que nos
interessa se o PIB, de Portugal, já é mais baixo do que o da Grécia e cada vez
mais longe do espanhol? Não temos culpa!?...
O que é que nos
importa se há muito desemprego? Talvez com o subsídio de desemprego e o
“biscate” se ganhe mais!?...
Que nos interessa
haver pouco dinheiro no bolso? Temos o Visa!?::: As pessoas têm direito a
férias e até parece absurdo não sair do País, o que é que diriam os amigos?...
Porque é que
devemos estar sempre a carpir as mágoas por causa do déficit, da burocracia das
instituições, dos problemas da justiça e da injustiça, dos impostos que muita
gente não paga, da desorganização e falta de meios para combater os fogos, da
pouca produtividade das empresas, do partido A e do partido B? O País esteve de
férias e o governo também!
É preciso descansar
para voltar a embaralhar e dar de novo e, nesse sentido, parece que as melhores
conversas para férias, são aquelas que nos fazem rir e sonhar, do género: a
“Cindinha”, que deu uma festa nos seu palacete; o ministro X, fotografado com
uma actriz X; o tipo que roubou as K7, ao tipo que roubou as declarações do
amigo; o novo visual da casa do casal mais badalado da praia dos tomates; o
barco do desamor, que não atraca nem ataca; a festa da sardinha, do marisco, do
chocolate e do pão de ló e, se houver tempo, fazer as palavras cruzadas dos
jornais.
Com todos os exageros que este comentário contém, há algo de verdade
repetida, em tudo o que antes foi dito, o que me leva a considerar que, de
facto, os portugueses,... são um povo “desenrascado”! |
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Pelos vistos, e sempre segundo
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Durão
Barroso está a “agradar…”
E o que é que mudou na actuação de Durão
Barroso, que chegou a ser considerado “fraco” e “passível de ceder sempre às
grandes potências”? – A verdade é que, quando da formação do “governo europeu”,
com os comissários que tinha de recolher, mais do que escolher, o presidente da
Comissão Europeia tentou apaziguar tudo e todos. O seu gosto pelo consenso veio
ao de cima. Isto é, os que esperavam que ele cedesse só aos parceiros mais
poderosos enganaram-se, como se enganaram os que acreditavam que seria o
“padrinho” dos países mais pequenos. Não há, pelos vistos, comissários que
possam ser considerados de primeira ou de segunda. Parecem fazer um todo, com
os 25 países a estarem igualmente representados, sem uns cantarem de “poleiro”
e outros serem apenas os que servem para… dar cor à comissão agora posta de pé.
Resta saber até que ponto Durão Barroso e o
seu colégio de comissários conseguem entender estes “novos ventos” e
conciliá-los com a necessidade de fixar empresas nos países mais desenvolvidos.
Mais um desafio. Que nem é único, entendamo-nos.
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Entregues à sua sorte
Fernando Cruz Gomes
O Governo de Santana Lopes está a andar.
Mexe-se. Esbarra, a toda a hora, com escolhos que a perspicácia do timoneiro
tem vindo a evitar ou a “explicar”. E isso, que é verdade para a esmagadora
maioria dos temas que lhe cairam nas mãos, nos últimos dias, não o pode ilibar
de algumas críticas que, naturalmente, já lhe vão fazendo.
Sectorialmente, há até razões para um
“safanão” que o Pedro ainda não deu. Um “safanão” que obrigue as hostes
ministeriais a acordarem para realidades que só não são vistas por quem não
quer ou é completamente cego.
Na secretaria das Comunidades Portuguesas,
está agora Carlos Alberto Gonçalves. A despeito de acreditarmos que o
timoneiro-mor conheceu o “dossier” da escolha, não andaremos muito longe da
verdade se dissermos que a proposta coube ao ministro dos Negócios
Estrangeiros. Uma escolha que foi acertada e que importa ajudar agora a que não
se transforme em... desacertada.
António Monteiro, a despeito de ter andado por
toda a parte, é um homem da Europa. Carlos Gonçalves é “só” um homem da Europa.
E ainda não há muito, na sua mensagem às comunidades, “cheira-se” à légua o
empenho do novo secretário de Estado em olhar para a Europa e para os
portugueses da Europa com uma simpatia por demais evidente. Mesmo que o não
diga, para Carlos Gonçalves, a emigração está na Europa. E na sua mensagem – a
que quase nos atreveríamos a chamar de Carta Aberta – deixa subentender que
vamos ter a sequência do muito que tínhamos, nos últimos tempos. Europa “a la
large”.
Entendemos, cada vez mais, que os portugueses
residentes nos países fora da Europa estão entregues, pura e simplesmente, à
sua sorte. Não há programas ou estudos que tenham a ver especificamente com o
“resto do mundo”. E ainda agora, quando se estudam os problemas do Ensino de
Português no Estrangeiro... se anota que a Europa dá cartas. Manda. Estudam-se
as questões do ensino de Português à medida da... Europa, esquecendo-se os
“cérebros” do Governo que, no resto do mundo – onde haverá tantos portugueses
emigrados como na Europa – não há nada. O ensino é deixado aos pais e, quando
muito, à boa vontade de alguns Governos. Na Europa, a despeito das
dificuldades, o ensino de Português é quase totalmente dependente do Governo
Português.
Já uma vez dissemos – e nem fomos os
primeiros, claro – que “à mulher de César não basta não ser... prostituta”, já
que “é preciso não parecê-lo”. E, neste como em vários outros casos, parece que
o Governo Português está a fazer discriminação doentia e penalizadora. “Tudo” –
e é pouco – para a Europa. “Nada” – nada mesmo – para os países fora da Europa,
com excepção, ao que parece, da África do Sul. Isto é o quê?
Os “cérebros” das Necessidades têm de virar os
olhos – pelo menos os olhos... – para os países onde o poderoso Inglês ou o
activo Espanhol... estão a avassalar o Português. Sob pena dos nossos filhos e
netos chamarem aos governantes de hoje – poderem chamar... – exterminadores da
Língua Portuguesa nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, etc. E isso tem
de ser JÁ.
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Á volta
cá vos espero!... Por Luis
Barreira
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Meus senhores,...as
férias estão aí! E, com elas, vem também aquela sensação de evasão aos
problemas quotidianos, quer sejam os nossos, ou os dos outros.
Nossos, são os
problemas do desemprego e a sua ameaça, mesmo para aqueles que estão
empregados. É o inevitável aumento das contribuições para a Segurança Social e
Caixa de Pensões, afim de aumentar as necessárias receitas para cobrir o
déficit destas instituições, pagar os subsídios de desemprego, a uma população
cada vez maior e assegurar (se for possível...) a nossa reforma futura.
Nossos, são também os problemas das ameaças
terroristas e das guerras, que nos fazem temer pela própria vida quando nos
deslocamos, trabalhamos ou simplesmente confraternizamos. E as guerras, que nos
flagelam os sentimentos, dando-nos conta do sofrimento atroz de tantas
populações desprotegidas, de tantas mortes inúteis, de tanta dor causada por
interesses particulares e criminosos.
E mesmo que a
esmagadora maioria de nós disponha de comida suficiente, a fome e da miséria no
mundo, a níveis assustadoramente crescentes, é também um problema nosso e, cedo
ou tarde, acabará por atingir-nos, (se não atinge já...), com as populações dos
países mais pobres, a procurarem abrigo junto das nossas sociedades e a
assistirmos quotidianamente à sua expulsão, como se tivéssemos vergonha de
dividir com elas o que tantas vezes esbanjamos.
Mas também é nosso
o problema do crescente aumento do custo de vida, quer ele seja provocado pela
especulação imobiliária, que coloca as rendas de casa a preços proibitivos ou
pelas grandes multinacionais do comércio, que pagam miseravelmente aos
produtores dos países chamados do 3° mundo e que enriquecem desmesuradamente
com os preços praticados ao consumidor
É nosso,
igualmente, o problema da educação dos nossos filhos, de um sistema escolar
inadaptado à inserção dos profissionais jovens adultos, de uma discriminação
baseada nas condições sócio-económicas das famílias, da falta de educação em
referências morais e cívicas, que permitam formar adultos saudáveis e activos
para a vida em sociedade, dando-lhes motivos sérios para não resvalarem no
macabro sonho da droga.
A saúde pública é
igualmente um problema profundamente nosso. Dos alimentos produzidos em más
condições sanitárias e sujeitos a adulterações químicas ou genéticas, que
provocam doenças transmissíveis ao ser humano, aos hospitais, tantas vezes
autênticos centros de propagação de vírus, para acabar mergulhando neste enorme
flagelo da Sida, com milhões de pessoas infectadas e aguardando desesperadas a
morte, perante a passividade das multinacionais farmacêuticas que poderiam
vender, a um muito menor preço, os medicamentos que asseguram, não a cura, mas
a estabilidade da doença, a nossa preocupação com a saúde pública é cada vez
mais intensa.
Também os
continuados incêndios nos tocam de perto e nos afectam a alma, perante a
ineficácia dos meios para os combater e a indulgência das instituições face aos
pirómanos, (ao serviço da sua loucura pessoal ou de desígnios inconfessos), uma
situação que vem queimando a mancha verde do planeta, tão essencial ao ciclo de
vida do que partilhamos e cuja reconstituição demora gerações.
Se a chuva não cai
onde deveria cair, ou cai de forma que não deveria, é também um problema nosso
e do modelo de civilização sem regras onde nos inserimos, deixando que os
grandes grupos de interesses comandem o modelo de desenvolvimento que lhes
convém, poluindo a atmosfera e alterando o clima, com consequências finais
imprevisíveis para a humanidade e algumas já previsíveis, para não dizer bem
reais e actuais.
Mas nesta lista, muito sumária, dos nossos
problemas, onde é que estão os problemas dos outros?
Pois é meus amigos,...este mundo globalizante,
que aceleradamente construímos, já não há problemas nossos e dos outros , há
problemas de todos.
E, pese embora a aproximação das férias e com
elas um descanso merecido e ausente de preocupações, é bom aproveitar este
indispensável período de inactividade profissional, para reflectir nos problemas,...
que não vão de férias.
Debaixo de um pinheiro ou sobre a areia quente
de uma praia, descanse mas,... não deixe de pensar.
Á volta cá vos espero!
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De vez em quando...
Por
– Victor Alves
24horas – Portuguese Daily
Newspaper
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Foi magia!
A canção “Foi magia”, não
teve grande sucesso no apuramento das canções escolhidas, não sendo assim
classificada para nos representar na Turquia, no Festival da Eurovisão, há dias
transmitido e assistido por muitos milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo em que este
extraordinário evento musical, cheio de luz e cor acontecia na cidade de
Istambul, no extremo oriente, na longínqua ilha de Macau, um punhado de portugueses,
de lapiseira na mão e máquina fotográfica ao ombro, (alguns até tinham câmaras
de vídeo e de televisão), esgrimiam com os representantes do governo português,
(dois Secretários de Estado), aproveitando o convite para o III Encontro da
Comunicação Social, a concretização da criação de uma associação internacional
de jornalistas. E assim, nos intervalos da ordem de trabalhos de uma agenda
intensa e curiosa, onde tudo foi positivo, foi-se tratando de reunir consensos,
para que a sonhada associação tomasse corpo e principalmente ganhasse pernas,
para iniciar uma caminhada de desafios, regidos pela independência, que uma
classe como é a dos jornalistas merece
e deve ter. Como sempre, houve vozes discrepantes, defendendo interesses
pessoais, mas ao fim e ao cabo, consegui-se o tal consenso que os mais “velhos”
há tanto tempo ambicionavam – a criação de uma associação de jornalistas ou de
órgãos da comunicação social da diáspora, (a nomenclatura para já é o que menos
interessa). Como sempre também, houve os mais activos, os mais observadores, os
mais cépticos, os mais negativos, o que obviamente provocou a discussão, (que
quer dizer troca de idéias), para finalmente e tendo como moderador, (quem
diria), o Secretário de Estado das Comunidades, apoiado pelo Secretário de
Estado da Presidência e também responsável pela tutela da Comunicação Social.
Não podia ter havido
melhores padrinhos. Foi magia!
Propositadamente não são
aqui mencionados nomes, na medida que a vitória desta luta antiga é de todos.
Espalhados pelo mundo, de
caneta na mão, ou atrás de uma máquina de escrever, de um computador, de um
microfone, de uma câmara de vídeo, de televisão ou de fotografia, são os que
unem através da língua, continentes, países, regiões e comunidades ao seu País,
como se de um cordão umbilical se tratasse. E sabe Deus, quantas vezes lutando
com falta de condições, usufruindo parcos salários, sofrendo críticas e
pressões de pessoas e sistemas antagónicos...
Assim, não deve haver
heróis, protagonistas ou destaques,
porque a vitória é de toda uma classe.
A magia não aconteceu na
Turquia, mas sim na China, na tépida e fascinante ilha de Macau.
Realmente... foi magia! |
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Mais
apoios à Associação Internacional de Jornalistas
A
iniciativa de fundar a Associação Internacional de Jornalistas
tem sido muito aplaudida. Mesmo em cerimónias a que
muitos de nós, na sua vida profissional, têm de assistir,
há quem levante a questão para nos dar os parabéns pela
decisão tomada, insistindo às vezes em que só peca por
ser
tardia.
Depois
do apoio explícito, por escrito e de viva voz, dos deputados
Eduardo Moreira e Carlos Gonçalves, surge agora Manuela
Aguiar a testemunhar o seu apreço pela ideia, realçando,
especialmente, o mérito que terá de ter pelo facto de
ter nascido no próprio meio dos Jornalistas, o que lhe
dá uma "força redobrada".
Aquela
deputada social-democrata fez questão, designadamente,
de levantar o assunto na reunião dos conselheiros das
Comunidades Portuguesas, nos Estados Unidos, e durante
uma conferência da Mulher Migrante, em Toronto.
Insistiu
dizendo que o facto de só agora se manifestar publicamente
se deve à certeza que tinha (e tem) de que todos os
jornalistas da Associação conhecem a sua maneira de
pensar neste aspecto e sabiam que, como deputada e como
cidadã, estaria connosco.
FCG
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Em
Sexta-Feira
Santa... AIJ distribui “amêndoas” |
Fernando Cruz Gomes
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Para o nosso Povo, maioritariamente católico,
a Sexta-Feira Santa é de martírio. É o martírio da Paixão e Morte do Homem
Grande. A Glória vem só depois... na Páscoa da Ressureição.
Para nós, membros da Associação Internacional
de Jornalistas, as “amêndoas” começaram a chegar mais cedo. Numa iniciativa do
nosso secretário-geral, o António Cardoso – quem mais poderia ser? – começaram
a ser enviadas, para eventual aprovação (que, ao que se crê, todos vão aceitar),
os cartões de membros da Associação. Uns cartões bonitos e bem ao estilo
“formal” da nossa gente da Imprensa. E isto em plena Sexta-feira Santa.
Ao presidente da Comissão Instaladora – que
não foi tido nem achado para isso (o que até daria para protestar...) – deram a
“amêndoa” maior, quando lhe atribuiram o número 1. Interpretação? – Só uma: o
homem já não é novo, traz nos olhos as mensagens jornalísticas de vários
continentes, fez-se gente nos Jornais, na Rádio e na TV. Combateu o bom combate
das nossas lides. Assim, os promotores da numeração... entenderam que deveria
ser ele a ostentar o nobre número primeiro da A.I.J. Talvez porque, como pode
não durar muito, abre caminho aos outros... mais jovens.
Ele (eu), presidente pela vontade dos
primeiros membros fundadores, agradece. E “perdoa” não ter sido... tido nem
achado para a atribuição da honra.
Entendemos, cada vez entendemos mais, que
estamos a andar. E que a Nossa Associação Internacional de Jornalistas vai
seguir em frente. E vai ser útil, especialmente, a uma classe como a nossa que
nem sempre foi acarinhada como merece. E que serve – continua a servir – de
bandeira de apoio aos que, um dia, deixaram o país de origem... e continuaram,
no entanto, a ter Portugal no coração.
Ah, já me esquecia. O Presidente da Comissão Instaladora da Associação
deseja a todos os membros e à comunidade da diáspora, em geral, FELIZES
PÁSCOAS. Mesmo que não tenham “amêndoas” e que ainda não tenham recebido a que
a nossa Secretaria-Geral começou agora a mandar. |
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Os “omniscientes” de meia tijela...
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Fernando Cruz Gomes
Justiça ou não, começam a surgir um pouco por todo o mundo os “justos” de
todas as nossas praças. E mesmo atendendo a que a qualidade de justiça acaba
por ser cada vez mais subjectiva (dependendo do ponto de vista de cada um), há
uma regra comum: bater no Jornalista... resulta.
No pedreiro, que
alinha a casa menos bem ou no padeiro que faz um pão demasiadamente tostado, é
hábito deixar passar... Pode até alardear-se toda uma série de desculpas. O
homenzinho estava cansado, zangou-se em casa com a mulher, entendeu mal o
remoque do chefe, o seu clube até perdeu...
Para o
Jornalista, de uma forma geral, não há perdão. Ele escreveu isto ou aquilo
porque é malandro. Não sabe o que diz. Entendeu mal o discurso de X ou Y. Quis,
afinal, pôr-se em bicos de pés e tirar partido do facto de ter nas mãos um
orgão de Informação que é visto ou ouvido... por milhares de pessoas.
São, de facto,
uns malandros estes Jornalistas! Imaginem, até, que na diáspora há uns quantos
que, ou não têm curso algum ou “escrevem com os pés”. É que, de facto... o Zé
Leitor, o Zé Ouvinte... sabe da poda. Não lhe custa nada pôr-se na pele do
Jornalista. Acha que ele, sim, é que é bom... e tão bom é que sabe que o escriba...
não soube fazer o seu trabalho.
Nas nossas
queridas comunidades – na França como no Canadá e nos Estados Unidos como na
Alemanha – há, naturalmente, Jornalistas e Orgãos de Informação. E ao
dizerem-se comunitários... têm logo o labéu de serem mal feitos, de não terem
interesse, de não terem sumo. Porque, também nessas e noutras comunidades, há
sempre um grupo de “omniscientes” criaturas... que sabem tudo. Tudo... até
fazer Jornais e falar na Rádio ou na Televisão. E tanto sabem... que vão
zurzindo – e às vezes pouco meigamente – os que fazem do Jornalismo a sua
profissão... ou a sua paixão. E ao zurzirem os ditos cujos... fazem-no com
desamor, sim, mas a darem-se ares de que “daquilo sabem eles...”
São, de facto,
uns omniscientes. E às vezes chega até a dar pena que... os Governos os não
consultem. Que os directores de Hospitais não lhes peçam conselhos. Que os
Cônsules não os ouçam... antes de tomarem esta ou aquela atitude. Sim, porque
“omniscientes” são eles!
Jornais.
Jornalistas. Nas comunidades... são pouco menos do que heróis. Escolheram para
viver... um modo de morte. E quanto a dinheiro... ganham muito menos do que um
homem da construção ou uma mulher da limpeza. Para além disso, quer o homem da
construção ou a mulher da limpeza... conseguem ler os Jornais e ouvir a Rádio e
a Televisão e, acto contínuo, atirar com a frase de que “estas bestas... não
sabem o que fazem...”
Jornais.
Jornalistas. A nossa querida gente não gosta deles. Ainda um dia haveremos de
descobrir porquê. Talvez porque... há sempre um “poderoso”, um “rico” ou um
“governante” que queira sempre ter a seu lado... um desses “bichos tontos” que
se chama Jornalista. Podemos não ter dinheiro... mas os “grandes” querem a
nossa colaboração. Mendigam-na. Mesmo que, depois... paulatinamente, enveredem
no coro dos que acham que o Jornalista é mesmo “uma besta... que não sabe o que
faz”.
Vivam os nossos
“omniscientes”. Talvez deles seja o reino... da terra!
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EURO
2004! Ensaio sobre a lucidez, ou sobre a cegueira.....
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Por Luís Barreira
Com a aproximação
do Euro 2004 em Portugal, começamos a assistir, progressivamente, ao
“desenterrar dos machados de guerra”:
São os bombeiros
que começam a protestar contra o Serviço Nacional de Ambulâncias, ameaçando
retirar-se da organização actual, se forem postos de parte na prevenção do
Euro; são os hospitais a protestar contra a falta de meios, para tratar
eventuais calamidades humanas; são os polícias a reclamar a falta de
organização, a insalubridade das suas instalações e a completa falta de meios
para administrar a segurança pública; são os trabalhadores das fábricas, que
todos os dias fecham, a ameaçar protestar nessa altura, para que todo o mundo
veja a sua desgraçada situação; são os serviços de estrangeiros e fronteiras, a
marcar greves para esse período, reivindicando o pagamento das horas
extraordinárias a que têm direito e colocando o País perante a situação de, ou
entram todos os estrangeiros, sem vigilância, ou não entra ninguém; etc...etc.
No meio de tantas
reclamações, até parece que só falta a selecção nacional de futebol ameaçar
fazer greve, o que não seria caso único!...
Nesta telenovela
habitual, antes dos grandes acontecimentos nacionais, fruto de conflitos mal
resolvidos, ou que não foram objecto de resolução, por quem de direito,
surge-nos sempre a mesma interrogação:
Será que em nome do
“orgulho nacional” se deve fazer uma trégua das reclamações sociais? Não dar a
entender “lá fora”, os males que nos afectam “cá dentro”?
Ou será que os
cidadãos, em democracia, têm todo o direito a manifestar o seu
descontentamento, aproveitando as ocasiões que produzam mais impacto às suas
reclamações?
Neste jogo social,
que não se move pelas mesmas regras de um jogo de futebol e que provoca
resultados muito diferentes dos golos marcados, na baliza do adversário,
espera-se uma outra atitude por parte das equipas em disputa.
Pode-se jogar à
defesa e ao ataque,.... perder e ganhar! Tudo depende da reacção do adversário.
Pode-se jogar bem,
ou mal, e empatar!
Mas neste
campeonato especial, em que se disputam interesses económicos, sociais e
políticos, de vária natureza, o árbitro tem um papel determinante no desenrolar
e resultado do jogo. E o árbitro, neste caso, é o governo!
É ao governo que
compete intervir e moderar os conflitos sociais, não podendo demitir-se da
responsabilidade de criar um clima social favorável ao bom desenrolar do
Euro-2004.
O governo não pode,
nem ninguém lhe perdoaria, escudar-se por detrás dos actores sociais em
conflito, deixando inflamar as situações até ao ponto de ruptura e
impossibilidade de consensos.
Por muito liberal
que seja o seu conceito de desenvolvimento económico, ou ausência de implicação
directa, na responsabilidade pelo fecho das fábricas, o governo é eleito para
criar bem estar aos cidadãos do seu país e não pode, sob qualquer pretexto,
refugiar-se numa “política de avestruz”!
Sabemos que as
sociedades ocidentais passam por um período (mais longo do que o habitual) de
incertezas, quanto ao seu desenvolvimento e progresso económico. Temos
consciência que um país, como Portugal, com graves desequilíbrios estruturais,
tem mais dificuldades em sustentar um bom clima social. Mas será que, quando se
mandaram construir 10 estádios, não sei quantos submarinos e novos
helicópteros, se encolheu os “cordões à bolsa” para manter um déficit inferior
ao de países muito mais ricos que o nosso, não se pensou em pôr uns tostões de
parte para arranjar as esquadras da polícia, pagar as horas extras aos guardas
da fronteira, retirar alguns dividendos do novo serviço hospitalar, para
melhorar os cuidados de saúde e intervir, em nome do povo do país que governam,
para impedir as más práticas patronais, ou ajudar patrões bem intencionados, a
salvar a actividade das suas fábricas?
A democracia em que
queremos viver não pode ser cega aos interesses dos cidadãos. Não fazer caso
disso é não fazer uso da diferença que vai entre “ O ensaio sobre a lucidez” e
“O ensaio sobre a cegueira”!
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A
“revolta” das mulheres!
Luís Barreira
Na segunda-feira, 8
de Março, comemorou-se mais um “Dia da Mulher”. Não sou um discípulo fanático
das comemorações deste dia, nem tão pouco sou a favor da introdução do sistema
de cotas que permite à mulher, só por ser do sexo feminino, ter acesso a cargos
de responsabilidade pública. Achei sempre que, uma e outra coisa são, na
prática, factores de discriminação em relação à mulher.
Sou, antes, a favor
da abolição de todas as fronteiras discriminatórias, assentes no sexo, crenças
religiosas ou outras.
No entanto, ao
olhar para o mundo, hoje dia 10 de Março do ano de 2004, fico com a impressão
de que, se eventualmente para mais nada serve o “Dia da Mulher”, que sirva para
denunciar as atrocidades que elas sofrem, pelo facto de serem mulheres.
Ao ler um relatório
da Amnistia Internacional, sobre as situações hoje vividas pelas mulheres, não
posso deixar de pensar que, ainda hoje e em muitos lugares deste planeta,
estamos na “idade da pedra”:
Na Ásia e no Médio
Oriente, as mulheres continuam a ser assassinadas em nome da “honra”;
Em África e
clandestinamente em alguns países europeus onde vivem, as jovens mulheres
africanas continuam a ser mutiladas, nos órgãos genitais, em nome da
“tradição”;
70% das mulheres
assassinadas, foram mortas pelos seus companheiros masculinos e em França, para
não irmos mais longe, 400 mulheres morrem, anualmente, às mãos dos homens com
quem vivem.
O ritmo das
violações é alucinante: no Ruanda, durante o genocídio de 1994, 20% da
população feminina foi violada e no Kosovo, 30 a 50% das mulheres foi violada,
durante o conflito. E, embora o Luxemburgo não disponha de dados estatísticos
oficiais sobre muitos aspectos relacionados com este tema, diz o mesmo
relatório que, anualmente, cerca de 300 mulheres procuram refúgio nos centros
de acolhimento, fugindo à violência doméstica.
E isto é demais! É
demais que, em pleno século das altas tecnologias da informação, tanto se tenha
desprezado a formação das consciências masculinas. É demais que, nesta Europa
em que vivemos, uma Europa presumidamente consciente dos valores o humanismo e
da igualdade, continuemos a assistir a toda a espécie de violência, encapotada
e declarada, sobre as mulheres.
Por isso, esses 50%
da raça humana, que partilham connosco a vida, nas suas diferentes fases de
sacrifício e felicidade, merecem mais respeito, do que aquele que lhes tem sido
concedido. E isso não é só um trabalho de mulheres, é um trabalho dos dois
sexos!
Reconhecendo os
maus tratos que têm recebido do “bicho” homem e a força de que dispõem, espero
que um dia não acordemos com as trompetas a anunciar: a “revolta” das mulheres.
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E agora, Portugal?
Fernando Cruz Gomes
O que se está a passar na Europa chega a ser
dramático. Pode bem dizer-se que, de momento, e face ao que aconteceu em
Espanha, o terrorismo internacional averbou uma vitória. Triste. Dramático. A
fazer pensar. E já há quem se interrogue se os EUA também “nos irão ajudar se
houver atentados terroristas em Portugal”.
Com um certo pragmatismo, indaga-se mesmo se só
estão a pensar no Euro2004. É que, para além disso, há o Rock in Rio e o 13 de
Maio em Fátima. Com esta gente da Al-Qaeda ou de outro grupo terrorista similar...
tudo pode acontecer. É que, pelos vistos, e a despeito de dizerem o contrário,
não parece lógico pensar que estamos preparados para tudo isso...
Acredita-se que o primeiro-ministro de Portugal é
capaz de ter brincado com o fogo quando acordou em mandar tropas para o
Iraque. Parece, de facto, que o
terrorismo ganhou o primeiro round. Como dizia alguém, “abanou, assustou e
marcou severamente o adversário”.
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A corrupção a
ditar as suas leis
Aos pobres recomenda-se que... economizem
Fernando Cruz Gomes
Recomendar a um pobre que economize é o
mesmo que aconselhar um homem que está a morrer de fome a comer menos. Nenhum
entenderá. Quem o disse foi Oscar Wilde, um escritor britânico de origem
irlandesa. E esse conselho está a surgir, ultimamente, em alguns países onde
reina a corrupção.
A corrupção é uma
gangrena social que mina tudo e todos. Especialmente em determinados países,
o”suborno”, o “favoritismo” e o “compadrio”, a troco do dinheiro são mais do
que evidentes. E causam mazelas que alastram por todo o tecido social e humano.
Enfraquecem as defesas mais apuradas de uma Nação.
E, no entanto, a
avaliar pelo que ainda agora a chamada “Transparência Internacional” divulgou
em Londres, o suborno campeia. Mexe-se, qual cobra subreptícia, a andar, a
andanr... até atingir os seus fins, que são sempre maléficos para os mais
pobres.
E mesmo atendendo
a que não atinge apenas os países chamados do Terceiro Mundo – Estados Unidos e
Alemanha e Grécia e Itália estão mesmo bem (o que quer dizer mal...) colocados
na lista de 133 países agora divulgados – a verdade é que esse flagelo carrega
cores mais negras para os países ainda por desenvolver. Sim, porque se o filho
ou irmão de um determinado “senhor” de qualquer dos países ditos desenvolvidos
for apanhado na “rede”, o povo decerto nem sente.
Se a corrupção e
as suas consequências se fizerem sentir num país do tal Terceiro Mundo, é certo
e sabido que o povo sofre. Poderíamos dar exemplos de quanto baste para
ilustrar a afirmação. Em Angola como na Nigeria, na Indonésia como na
Venezuela, ao “fenómeno” da corrupção e do seu aliado suborno... sucedem-se
logo faltas de toda a ordem. Há hospitais que se não constroem, circuito de
distribuição de bens estrangulado, canalização de água que emperra. E isto para
falar apenas em consequências de tofdos conhecidas.
A corrupção que
vai enchendo os bolsos de alguns senhores que se tornam, de um ano para o
outro, ricos e mais ricos parecendo, é também, por isso, uma forma de
terrorismo. Subtil. Que nem parece real. É assim a modos que pingo de água que
vai caindo, caindo, até alastrar para um grande mar em que se transformam as
ondas de compadrio.
Será possível
entender que Angola – e falamos apenas em Angola, mas poderíamos chamar a
terreiro muitos outros países – esteja tão desfalcada de componentes sociais
indispensáveis? De tantas carências que fazem morrer milhares de crianças todos
os anos? De tanta doença... que em tempos já estava erradicada e que voltou
agora? Será possível entender isso em países com solos e subsolos tão ricos?
Entende-se assim
que ninguém queira largar o “tacho”. Como se entende que as guerrilhas e os
golpes – mesmo palacianos – se sucedam a um ritmo demasiadamente vertiginoso.
De São Tomé e Príncipe, por exemplo, a ideia de que só houve golpes e
contra-golpes, borborinhos e quezílias, quando se descobriu que, afinal, o
pequeno País era (ou poderia ser) rico em petróleo.
Alguém nos conta
que Oliveira Salazar, quando avisado de que tinha sido descoberto petróleo em
Angola, apertou as mãos na cabeça e disse: “Que tragédia! Até petróleo...” Ele,
já por essa altura, sabia do que falava. Sabia do que vinha a seguir.
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Um mar de indefinições
As Comunidades Portuguesas, que se multiplicam pela chamada diáspora,
viveram sempre, e hoje mais do que nunca, num mar de indefinições. Mais do que
indefinições, a “roupagem” de que se revestem – e as revestiram – chega a dar a
ideia de que se trata de um conjunto de contradições. Com laivos de injustiça.
Esquecem-se situações em que a Emigração deu a “mão forte”, em termos de
dinheiros e investimentos, à Mãe Pátria (às vezes madrasta...). E esquecem-se,
afinal, que Portugal não tem apenas 10 milhões de cidadãos “filhos”, mas sim,
pelo menos, 15 milhões. E quando falamos em esquecimento... temos de meter no
mesmo saco Governos (de qualquer quadrante político) e entidades empresariais
ou mesmo sindicais.
Os chamados emigrantes são, de facto, esquecidos. E quando surgem
organismos mais ou menos “de cúpula” – ou a funcionarem como se de cúpula
fossem – aí vemos nós vir ao de cima toda uma série de inimizades e desamores.
Que filham raízes no conceito velho de muitas décadas de que Portugueses... são
os que lá ficaram.
Talvez por isso, haja já uma ou outra voz a encrespar-se contra a
Associação Internacional de Jornalistas. Que nasceu como à revelia do “pai”
Estado Português e até mesmo em luta sadia com ele. Que não representa todos os
Jornalistas. Que...
A Associação é o que é. Tem cerca de uma centena de aderentes que em
breve vão ser chamados a aprovar os primeiros Estatutos. E que aceita todos os
que, sendo Jornalistas (por profissão ou por paixão) se quiserem integrar.
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