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Ainda a Casa Pia !
Por Luis
Barreira
CCP sem tostão, nem notícias do governo Por António Cardoso
Ai
Portugal, Portugal,....
Por Luis Barreira
O
Conselho que (ainda) não temos
Por Fernando
Cruz Gomes
Portugal : turismo para “pé
descalço” ? Por António
Cardoso
Quem
não honra o Passado… não merece ter Futuro Por
Fernando Cruz Gomes
Coitado do Zé Maria Por
Fernando Cruz Gomes
Portugueses,
um povo “desenrascado” ! Por Luis Barreira
Por
Fernando Cruz Gomes
Durão
Barroso está a “agradar…” Por
Fernando Cruz Gomes
Entregues
à sua sorte
Por
Fernando Cruz Gomes
Á volta
cá vos espero!... Por Luis
Barreira
Portugal é campeão da Europa !
Por
António Cardoso
Portugal (do Canadá) ganhou a “maioridade”
Por
Fernando Cruz Gomes
A
“Torre de Babel”! Por Luis Barreira
Um “tornado” ou uma
“avalanche”… O que fará o Governo com a derrota?
Por
Fernando Cruz Gomes
A Comunicação Social ganhou com o Encontro de
Macau Por
Fernando Cruz Gomes
De
vez em quando... Foi magia Por
Victor Alves
A
China entrou com pragmatismo inteligente Por
Fernando Cruz Gomes
A “Carta de Macau”
Por Luis Barreira
Fátima em... Macau
Por
Fernando Cruz Gomes
Macau… marco de Progresso
Por
Fernando Cruz Gomes
A
montanha pariu um rato
Por
António Cardoso
Um timoneiro seguro que
o Canadá conheceu Por
Fernando Cruz Gomes
Hoje não é sexta-feira, 13... mas é como se o fosse.
Por Fernando Cruz Gomes
Voto branco ?
Por
António Cardoso
Mais
apoios à Associação Internacional de Jornalistas
Por
Fernando Cruz Gomes
Medalhados
de todo o mundo... uni-vos! Por
Fernando Cruz Gomes
Medalhas em
saldo... Quem quer
mais ? Por
António Cardoso
EURO 2004! Ensaio sobre a
lucidez, ou sobre a cegueira.....
Por Luis Barreira
Os “omniscientes” de meia tijela...Por Fernando Cruz Gomes
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Ainda vamos a tempo de
“acordar”?Por Fernando Cruz Gomes
Portugal vai
andando. Ou melhor... vai fazendo que anda. De eleição em eleição, finge que é
democrata. De orçamento em orçamento, até diz que é verdadeiro. E mesmo que a
miséria ainda campeie e que os ricos sejam mais ricos e os pobres mais pobres,
continua arreigada no cérebro de alguns a ideia de que “ainda vamos a tempo...”
E, no entanto, o
Governo que vamos tendo em Portugal parece estar a desbaratar a onda de
confiança – e de esperança, vamos lá – que os Portugueses nele depositaram.
Vê-se isso, a olho nu, em cada dia que passa. Não só nas sondagens, não. Vê-se,
afinal, no dia-a-dia dos... dias. Foi um Governo que, através do seu líder,
disse que a grande diferença entre a sua gente e a dos seus opositores... era a
verdade e a coragem. Uma e outra invocadas a todo o momento. Uma e outra
deitadas para o saco do lixo das coisas que não prestam, que não existem.
Ainda agora, ao
subir os impostos – os mesmos impostos que se tinha comprometido a não subir –
o Governo deu nota da sua verdade. A
sua coragem não foi outra que a de
“castigar” reformados, desempregados e funcionários públicos – aqueles que
menos se podem defender – para a luta contra o tal défice, um papão que serve
(parece servir) para “explicar” todas as coisas... inexplicáveis.
Verdade e
coragem, não é? – Ninguém entendeu ainda que todo este género de incongruências
serôdias de um Governo que o não é, apenas dá a entender que a Pátria que todos
temos – sobretudo lá naquilo a que se chama “coração” – já não tem identidade.
Perdeu-a nas guerras do alecrim e da manjerona que se sucederam em catadupas
logo após aquilo a que chamaram revolução. Deram-nos liberdade. Deram-nos
democracia. Uma e outra deveriam ter trazido consigo melhor qualidade de vida, mais
desafogo económico, melhor sistema de saúde, melhor protecção social. Só que...
o espelho em que nos miramos a toda a hora dá-nos uma imagem diferente e
contrária.
Há défice nas
contas, com o Estado quase em agonia, com uma onda de desemprego galopante e um
crescente endividamento dos que no futuro têm de viver.
Tudo isto, mesmo
com liberdade e democracia, não pode agradar ao Povo. A confiança social está a
atingir o seu ponto mais crítico. De tal modo que, se hoje fosse possível haver
revoluções em Portugal, já as botas cardadas dos nossos militares se estavam a
ouvir nas calçadas das nossas terras.
E, depois, ainda
há quem acredite que o próximo Presidente da República possa resolver tudo
isto. Que tenha poderes mágicos para inverter toda uma situação. Que abra, de
novo, uma nesga de esperança na noite invernosa e negra em que nos vamos
atolando! É mais do que miragem o que se pede a quem avançar para a cadeira do
Poder.
Não sabemos se já
se interrogaram sobre as razões que levam alguns dos nossos melhores cérebros a
demandar o estrangeiro. Se se interrogaram sobre o que é que os esperaria em
Portugal. Se seria curial pedir-lhes que “aguentassem o barco” e sacrificassem
o melhor de si mesmos a um sonho quase fadado ao insucesso. Os Jornais dizem
que os cérebros portugueses – na proporção de 1 para 5 – fugiram para o
estrangeiro. Os Jornais não dizem, no entanto, porquê. E a História mais
recente de um País como o nosso que tem História... é bem capaz de ter a
resposta. Para já, sabe-se que um quinto dos portugueses com ensino superior
não está em Portugal. E o resto... vai-se sabendo aos poucos. Nas filas de
espera para um simples cuidado de saúde. Nas ruas onde desaguam as nossas
raivinhas e queixas. Nos becos (alguns sem saída) das nossas crises.
Será que ainda
vamos a tempo de acordar?
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Violência urbana ou o estalar do verniz!Por Luis Barreira
A onda de violência
que tem percorrido a região parisiense, se alargou a outras cidades francesas e
ameaça estender-se a outros países europeus demonstra, entre muitas outras
coisas, a fragilidade dos modelos sociais, das nossas actuais sociedades.
Se a
multi-culturalidade crescente das sociedades europeias é apresentada,
teoricamente, como uma vitória do humanismo igualitário e da liberdade e
fraternidade dos cidadãos europeus, na prática, a coesão social, que deveria
corresponder ao “cimento” que nos une, é uma simples capa de “gesso”, pronta a
partir-se à menor pressão.
Preocupadas com os
fenómenos macro-sociais, as classes políticas europeias dão cada vez menor
importância ao desenvolvimento das situações marginais que a própria sociedade
engendra, porque não os resolve, no seu estado latente e só quando elas atingem
a dimensão de um quase “levantamento popular”, passando ao estado patente, é
que reagem, gritando “aqui del rei..”, como se o que está a acontecer fosse um
absurdo, perante o seu conceito de sociedade “arrumadinha”.
Estes milhares de
jovens franceses, descendentes de famílias imigrantes, de há várias décadas,
não se sentem excluídos agora e os
comportamentos sociais marginais, que hoje denunciam com tanta violência, são
factores que sempre estiveram presentes em muitos dos seus comportamentos
particulares. São consequência das várias sociedades paralelas, que se desenvolvem
debaixo dos nossos olhos, alimentadas pelas culturas particulares, que lhes
estão na origem e da incapacidade das sociedades de acolhimento, em dignificar
a diversidade, preferindo a aculturação forçada, tantas vezes pela força da
exclusão social.
Se considerarmos
que essa mesma exclusão social conduz a estados marginais de vida e que esta
marginalidade assume, sempre, formas violentas de expressão, escondidas do
resto da sociedade ou desafiando abertamente a própria sociedade, o tratamento
das consequências, não pode deixar de ter em conta as causas. Se isto não pode
justificar tolerância, perante a violência exibida por esses jovens, não é
igualmente tratando-os publicamente de “escumalha”, como fez o Ministro do
Interior francês, que se pode atenuar as consequências e criar vontades, para
ajudar a resolver as causas.
Nestas condições,
estas sociedades paralelas, que existem de facto (independentemente da cegueira
política de muitos dos nossos dirigentes europeus), acabarão por se fechar
sobre elas, impermeáveis a qualquer aproximação e, mesmo que os ânimos se
acalmem pela força, voltarão a manifestar-se (como já o fizeram no passado
recente), reforçados pela actual experiência e, quem sabe, presa fácil de todo
o tipo de ideólogos da violência.
A integração social
das nossas sociedades europeias, para só falar daquelas onde nos situamos e que
aspiram a um modelo único e ideal, não é um problema simples de resolver e
nunca se pode considerar resolvido.
A diversidade e a
dinâmica das sociedades, é um fenómeno complexo e exigente, a obrigar-nos a uma
atenção e uma acção permanente. E, mesmo que as economias floresçam, o bem
estar dos povos aumente e a satisfação material seja evidente, resta ainda um
grande número de problemas espirituais a resolver. Trata-se da identidade de
valores, de códigos morais de conduta, de respeito por determinadas normas
essenciais à vivência em sociedade. E isto,... meus caros, é muito mais difícil
de resolver, do que a “simples” satisfação das necessidades físicas e básicas,
dos diversos extractos das populações, que compõem as nossas sociedades.
O que se passa em
França, pode passar-se em Portugal, na Bélgica ou na Alemanha. Não é uma
situação típica da sociedade francesa! Não se resolve “encaixotando” populações
em torres de cimento ou em barracas da periferia das grandes metrópoles,
tentando esconder a miséria ou circunscrevendo-a, para melhor a controlar.
Há que partir do
princípio de que todos são cidadãos de um mesmo país, de uma mesma região ou de
um continente, donde queremos erradicar a miséria humana, sob todas as suas
formas.
A começar pelos
bancos das escolas e a terminar na igualdade de tratamento e oportunidades, há
um longo e urgente trabalho a fazer. De nada vale manter a ilusão de que “tudo
está bem, quando acaba bem...”, mesmo que esta violência urbana acabe,
irremediavelmente, pelo uso da força.
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Também somos gente!Por Luis Barreira
Ao longo dos
anos, os órgãos de comunicação social de expressão portuguesa, sediados junto
da comunidades portuguesas no estrangeiro, têm assistido, com a calma e
ponderação que lhes deve ser própria, a um desfile de ideias e projectos, dos
responsáveis pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que se
sucedem ao ritmo dos vários governos que tomam posse em Lisboa.
De cada vez que
um governo português toma posse e, nomeadamente, sempre que o titular da pasta
pertence a um partido diferente do governo anterior, a política portuguesa,
dirigida aos portugueses que vivem fora do País, parte do princípio de que,
para trás, nada foi feito e “inventa” novas perspectivas, novas políticas,
novos aspectos fundamentais da sua orientação que, por incapacidade de, no
tempo e no espaço de uma legislatura, as colocar em prática, acabam sem
resultados práticos e sem nenhum benefício para as comunidades que dizem
pretender servir.
Na realidade, o
resultado de tudo isto é que, as comunidades portuguesas fora do País, (cerca
de 5 milhões de pessoas, entre portugueses e luso descendentes), estão
praticamente na “estaca zero”, relativamente à aproximação com o país de
origem.
Face a esta
situação, (correspondente a uma cegueira política, que nada tem a ver com o
supremo orgulho de “embirrarmos” em sentirmo-nos portugueses e de quem, na sua
maior parte, só deseja o bem de Portugal, independentemente do partido no
poder), o MNE português e a sua correspondente Secretaria de Estado, acaba de
“inventar” um nova forma de comunicar com os portugueses que vivem no
estrangeiro.
Trata-se de uma
revista mensal, feita em Portugal e para os portugueses na diáspora. Uma
publicação “auxiliada” pelo governo português, na sua distribuição de cerca de
50.000 exemplares ( o que convenhamos,...para 5 milhões de portugueses, é uma
tímida tentativa de os alcançar...), em que o MNE vai colocar todos os seus
organismos espalhados pelo mundo, na promoção deste órgão de comunicação.
Mais uma vez o
Governo e Portugal “esquece” a existência de dezenas de jornais, revistas,
rádios e canais televisivos que, do Luxemburgo à Austrália, ou do Canadá à
China, são feitos por portugueses e comunicando em português, com todos os
portugueses que residem fora do seu País.
Nem uma palavra
de agradecimento e encorajamento para estas centenas, senão milhares, de homens
e mulheres, que tanto se esforçam, em países distantes, para manter viva a
língua de Camões e para levar notícias de Portugal aos lugares mais recônditos
do planeta. Não,... “antes de nós, nada existia”, parece ser o lema do actual
governo!
Percebo a
irritação que tal “invenção” do MNE de Portugal, ocasionou entre todos aqueles
que, com tanta “carolice”, tentam manter no estrangeiro, os seus jornais, rádios
ou televisões, em língua portuguesa.
Compreendo até a
forma como a Associação Internacional de Jornalistas, criada há cerca de um ano
e que reagrupa muitos profissionais e órgãos de comunicação de expressão
portuguesa no estrangeiro, se sentiu afectada por tal medida, que não teve em
consideração o interesse e objectivos deste colectivo de gente bem
intencionada, que mais não quer do que contribuir para a unidade e
esclarecimento entre todos os portugueses. Entendendo como “todos”, os
portugueses que se encontram dentro e fora do País!
Mas não
desesperem companheiros! Há pelo menos três razões que, face a este
“esquecimento” do actual governo português, me fazem sorrir (embora de forma
angustiada..).
A primeira é a
de que, hoje, tal como no passado, qualquer comunicação etnocêntrica, baseada
numa leitura umbilical lisboeta, do que é a realidade e centros de interesse,
de uma população tão diversamente espalhada no planeta, só pode suscitar uma
curiosidade inicial, que nem sequer colocará em causa o nosso trabalho
quotidiano de informação e a preferência pelas nossas publicações.
A segunda razão,
é a de que de nada vale esperarmos o reconhecimento governamental português,
pelo trabalho que realizamos. Temos de acreditar nas nossas próprias forças e
na população portuguesa que nos apoia, pela simples razão de que queremos
servir Portugal, e Portugal não é propriedade de um qualquer governo, mas muito
mais do que isso.
A terceira é a
de que, o povo português, continua a ter razão quando diz: “longe da vista,...longe
do coração”. E, se assim é, “amor com amor se paga”!
Deixemo-nos de
embaraços patrióticos e comecemos a recusar a publicação gratuita dos
comunicados, ofícios, iniciativas e tantas outras notas oficiais, vindas de
governos, ministérios, embaixadas, consulados e tantas outras instâncias
governamentais.
Afinal,...
também somos gente!
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O País (Portugal) está perdido!Fernando
Cruz Gomes
Agora que as eleições autárquicas em
Portugal – as principais em que a diáspora deveria votar e não está autorizada
a fazê-lo... já lá vão e pertencem à História – descobrem-se mais umas quantas
“carecas”. A Imprensa, livre até demais, vai atirando cá para fora com dichotes
e mais dichotes. Entrechocam-se ódios. Vivem-se arrogâncias. Há, por toda a
parte, toneladas de desamor. A jeito de “vendidas” ao domicílio. Quem quer
mais... quem quer mais?!
Se os auto-proclamados “pais da Pátria”, depois do 25 de
Abril, pudessem (ou quisessem) falar, se a sua voz ainda fosse ouvida, eram bem
capazes de fazer perguntas duras. Liminarmente ofensivas. Sobretudo os tais
“pais” que são honestos – ainda há alguns – haveriam de perguntar aos “meninos”
de então, hoje políticos de craveira, o que é que fizeram com o País que eles
lhes entregaram. Sim, porque o “25 de Abril” – não tanto o “26” – foi feito
para regenerar o país. Foi engendrado para remover velhos caciques. Para moralizar
costumes. E, no entanto...
-O que é que fizeram à liberdade? E à Democracia? Onde
está o “País Novo” que poderia começar aí? Há mais justiça, melhor saúde,
melhores políticos?
Eles não fazem as perguntas. E os políticos, mesmo que
essas perguntas fossem feitas, eram bem capazes de não saber responder. Eram
bem capazes de titubear, sobretudo por que há, entre os tais “pais da Pátria”,
quem tenha, igualmente, muitas e variadas culpas no cartório.
De resto, pensando bem, é capaz de ser pecha antiga, em
Portugal, o “deixa andar” doentio que faz do país que somos... um país perdido.
É pecha antiga, sim. E ainda agora me lembram... o que, já em 1871 – sim, leu
bem, 1871 – o grande Eça de Queiroz escrevia. Como se adivinhasse o que se iria
passar em 2005. Como tivesse dotes de previsão. Como se conhecesse, realmente,
os “meninos” que hoje manuseiam a bel talante o País que também foi seu.
Já então, para Eça, “o
país perdeu a inteligência e a consciência moral”. E isto porque “os costumes estão dissolvidos, as
consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por
única direcção a conveniência”.
Hoje como ontem, o País entra facilmente à deriva.
Deixa-se manietar. “Não há princípio que
não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se
respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos”. São palavras
escritas por quem vivia os tempos de então. E que, hoje, têm tanta razão de ser
como ontem. É que, de facto, “ninguém
crê na honestidade dos homens públicos,
alguns agiotas felizes exploram, a classe média abate-se
progressivamente na imbecilidade e na inércia”.
O grande Eça conhecia o seu povo. Sim, porque toda esta
“imbecilidade” não é apenas da classe política, dos que mandam. O povo também
tem a sua dose de culpa e responsabilidade.
E, no entanto, como também ele escrevia “o povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma
rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e
tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as
consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido”!
Eça o disse. Nós o confirmamos. E o Povo sabe que é
assim. Mesmo agora, que até tem eleições e tudo. E se vai empaturrando com
democracia de quanto baste e liberdade em doses barbitúricas...
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Mais
uma machadada do MNE nos órgãos de Comunicação Social da
diáspora Por
António Cardoso
A notícia publicada
pela Lusa a 25 de Outubro sobre a criação de uma revista gratuita destinada às
comunidades portuguesas, cujos conteúdos e distribuição ficarão a cargo do
Ministério dos Negócios Estrangeiro, é
um verdadeiro atentado à dignidade e à bolsa dos órgãos de comunicação social da
diáspora.
Uma empresa
privada, a Figure’s, assegurará a edição e a comercialização do espaço
publicitário.
“Publicidade e
patrocínios serão os meios de subsistência da publicação, que quer atingir os
cerca de cinco milhões de portugueses”, diz a notícia da
agência.
A minha primeira
interrogação é de saber que percentagem dos famigerados 10% das verbas de
publicidade institucional que deveriam, em princípio, ser atribuídas à imprensa
regional, de que fazem parte os OCS das
comunidades, vai contemplar esta publicação (ver abaixo portaria da AACS). Em
princípio, pois ainda há pouco tempo tivemos um exemplo revelador de
parcialidade na distribuição das verbas de publicidade afectadas à campanha de
promoção do voto electrónico.
Consideramos que,
com esta medida, o MNE, através da SECP, pretende substituir os órgãos de
comunicação social privados e independentes na divulgação da
informação.
Consideramos que a
empresa editora de uma publicação desta natureza será detentora de privilégios
que lhe permitirão obter por parte dos anunciantes privados e públicos,
campanhas de publicidade que deixarão de contemplar as publicações
independentes.
Da mesma forma, a
distribuição gratuita desta revista através de representações do Estado, levanta
questões de legalidade e prejudicará as publicações vendidas.
Que, tal como
aconteceu em França com a Dassault ou a Hachette, grupos privados se apropriem de órgãos de
comunicação social para se auto-promover ou dominar jornalistas irreverentes
ainda passa, que um governo de um país democrático tente fazer o mesmo é no
mínimo preocupante.
Portaria n.º
1/91
de 2 de Janeiro
A actividade
desenvolvida quer pela imprensa regional, quer pelas rádios locais tem
constituído um meio de inegável importância na defesa e promoção dos interesses
das comunidades locais em que se inserem.
Assim, reconhecendo a
importante função social que aqueles meios de comunicação têm vindo a
desempenhar, entende o Governo proporcionar-lhes ajudas financeiras que não
dependam directamente do Orçamento do Estado, tendo, em consequência, natureza
variável, mas que, pelo contrário, possam constituir fontes de receita de
carácter permanente.
Nestes termos, em
cumprimento do disposto no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 330/90, de 23 de
Outubro:
Manda
o Governo, pelo Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e da Juventude,
o seguinte:
6.º Uma
percentagem não inferior a 10% do valor bruto dos investimentos realizados com a
distribuição da publicidade de Estado deve ser colocada, através da
Direcção-Geral da Comunicação Social ou pelos próprios serviços promotores, nas
estações de rádio de cobertura local devidamente licenciadas pelo Instituto das
Comunicações de Portugal e nos jornais de imprensa regional regularmente
registados na Direcção-Geral da Comunicação Social, desde que tal colocação não
se revele incompatível com os objectivos ou condicionalismos técnicos e
operacionais subjacentes à respectiva campanha
publicitária.
7.º A colocação das campanhas de
publicidade de Estado nos órgãos de comunicação social mencionados no número
anterior deve realizar-se em partes iguais, para as estações de rádio locais e
para a imprensa regional, tendo em atenção, dentro de cada uma destas
categorias, critérios de operacionalidade, eficácia e
equidade.
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Os emigrantes... que paguem a crise!
Fernando Cruz Gomes
O ano de 1976 era
ainda uma criança. No jornal “O Dia”, que então ainda se podia ler, dirigido
como tinha sido pelo grande Vitorino Nemésio, a que sucedeu Alçada Baptista,
havia um naipe de verdadeiros Jornalistas. Eram do grupo que a “democrática”
atitude de José Saramago tinha corrido do Diário de Notícias. Nas longas noites
de cavaqueira, e no meio das muitas anedotas que surgiam sempre, apareceu uma
vez uma frase que haveria de ser célebre, tanto que a usávamos sempre quando
queríamos zurzir nos (des)governos que iam sucedendo no País que temos.
João Fernandes – o
mais “brincalhoteiro” de todos – a cada medida que visava, afinal, os que menos
ganhavam, dizia: “...muito bem, os pobres que paguem a crise, claro, já que,
para mais, já estão habituados... e são mais do que nós, os ricos”. O João era,
em bens materiais, mais pobre do que os mais pobres... mas brincava assim com
as asneiras que via fazer aos Governos – qual deles o pior – que iam abancando
na mesa do orçamento...
Os povos que
paguem a crise! Agora... António Braga, o secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas, anda por aí a dizer mais ou menos o mesmo. Os emigrantes que
paguem a crise!
Em Caracas, onde o levou a sua ânsia de contactar com as comunidades,
disse, alto e bom som que... Portugal espera que os seus emigrantes contribuam
para o crescimento económico nacional. Disse mesmo acreditar que os portugueses que vivem fora de Portugal podem ajudar ao
crescimento da economia portuguesa. Participava numa reunião com representantes
do Conselho das Comunidades Portuguesas, da Banca e da Agência Portuguesa de
Investimento, ali acentuando coisas mais ou menos coerentes que só pecam por
não estarem englobadas num projecto sério de captação de interesse e
entusiasmo. Frisou que, além de ser uma plataforma de comunicação com a Europa
e estrategicamente um ponto de encontro de muitas rotas, “Portugal é cada vez
mais um país de oportunidades”. E espicaçou os presentes, opinando que “há hoje
condições de desenvolvimento que permitem que haja parcerias entre os
empresários tão bem sucedidos nas comunidades e os empresários que vivem em
Portugal”.
Amen, diremos nós
cá de longe.
Alguém nos disse
que, logo após a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética
criaram autênticas agências de “caçadores de cérebros” alemães e de outras
nacionalidades com eles ligados, por forma a enriquecer a sua então emergente
Ciência. Era certo e sabido, por essa altura, que a Alemanha tinha cabeças
poderosas. Para além do megalómano Hitler e seus sequazes havia cientistas e
inventores que poderiam enriquecer a nomenclatura científica da época.
Verdade ou
mentira, é bom não esquecer que a ida à Lua foi gizada e planeada por nomes
alemães - onde avulta o de Von Braun - então já ao serviço dos americanos.
Idênticos “feitos” se passaram, decerto, na União Soviética, onde pelos vistos
até mudavam os nomes aos tais “malandros” alemães que se iam apanhando...
Hoje, Portugal,
reduzido à sua mais ínfima expressão, precisava, também, de uma brigada de
caçadores de cabeças. Talvez até de uma brigada de caçadores de cabeças e de...
investidores. Encontra essa gente nos mais diversos confins da terra.
Disseminados em vários países e a enriquecer outras culturas. Talvez a fungar
saudades da terra-mãe que sempre lhes foi madrasta.
Caçadores de
cabeças! Uma necessidade imperiosa para o nosso pobre país de origem, que
continua, paulatinamente, a bancar de grande senhor, rico e poderoso. Que
continua cego e surdo aos “clamores da saudade” - com os nossos também à
mistura - que pedem, apenas, reconhecimento e lhaneza de trato. Que se
interrogam sobre como é possível dedilhar lá longe as cordas piegas de um
“saudosismo” que nem governantes nem governados têm, a respeito dos que, um
dia, por este ou aquele motivo, sairam do torrão natal.
O sr. António
Braga e os seus companheiros deveriam aprender, de facto, a lidar com as
comunidades. Ele e um monte de outras pessoas que passaram pelo Palácio das
Necessidades e se sentaram à “mesa do Poder”. Talvez que as comunidades – que
são tratadas como “pobres” quando se trata de receber seja o que for de
Portugal, pelo menos no chamado “resto do mundo” – entendessem melhor a
mensagem que agora chega.
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Afinal quem poderá
votar para o presidente da República ?
Antonio Cardoso
A minha última crónica
sobre o direito de voto dos emigrantes bi-nacionais para as presidenciais em
Portugal, causou alguma confusão na mente, não só, dos interessados em exercer
esse direito como na certos funcionários públicos, sempre prontos a responder
ao que desconhecem com os habituais disparates.
Julgo pois ser
pertinente voltar a escrever sobre esta matéria e propor a instauração de um
debate público até às próximas eleições presidenciais.
Soubemos entretanto que,
alegadamente, “Lisboa já foi consultada” por vários embaixadores e cônsules
sobre a interpretação da Lei Orgânica 5/2005, que a invariável resposta seria
de “deixar andar, há juristas a trabalhar no assunto” e não dificultar, por enquanto,
o recenseamento dos candidatos... a eleitor.
Passei algumas horas a
tentar interpretar as intervenções dos deputados na Assembleia da República
sobre esta matéria . A minha conclusão é simples : se em 1997, o Partido
Socialista não tivesse tido receio do resultado dos votos dos emigrantes, teria
aceite que no texto constitucional, ficasse definitivamente delimitado o
universo eleitoral dos emigrantes que poderiam votar nas eleições para o
Presidente da República.
Em vez disso, tomaram-se
disposições provisórias que geraram a Lei Orgânica 3/2000 e atribuiu capacidade
eleitoral aos cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais até Agosto de 2000,
data da publicação dessa lei.
Um dos artigos (1° B –
3.), da Lei 5/2005, que daria para rir se o caso não fosse tão sério é o
seguinte: “São também admitidos ao recenseamento eleitoral do Presidente da
República, para além dos casos referidos nos números anteriores, os cidadãos
portugueses que se tenham deslocado e permanecido em Portugal pelo menos 30
dias nos últimos cinco anos e fizeram prova de conhecimento da língua
portuguesa”.
Resta saber como se
poderá comprovar a dita permanência, se é 30 dias em cinco anos ou duma só vez
e se vão arranjar professores de português para verificar o conhecimento da
língua portuguesa de quem se quer recensear.
Por muito que tente, não
consigo entender que um cidadão português no estrangeiro possa votar para o
Parlamento e não possa exercer esse mesmo direito, segundo os mesmos critérios,
para a Presidência da República.
Um dos nossos leitores,
bastante enervado, falou-nos da discriminação que existe em Portugal em relação
aos emigrantes, invocando nomeadamente a desproporção de representatividade na
Assembleia da República. De facto, a representação proporcional é um princípio essencial
do sistema político português e está garantido contra a revisão
constitucional. Com quatro deputados
que representam cerca de quatro milhões de emigrantes espalhados pelo mundo, é
evidente que esse princípio não é respeitado.
Vamos obviamente voltar a este
assunto, com entrevistas, testemunhos e comentários de eleitos e de cidadãos
bi-nacionais que querem exercer os seus direitos cívicos no país onde nasceram
e que amam.
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Mudem de vida
- filiem-se no PS
Orlando Castro
Já estou, como dizia o meu
amigo Fernando Frade no seu Bissapa, a ficar matumbo. Afinal Portugal é o quê?
No dizer de António Ribeiro é
um país a caminho do terceiro mundo, talvez porque não haja quarto. Os
socialistas de cartão continuam a ser donos e senhores dos tachos todos. E como
todos podemos ser socialistas, não vejo razões para que os portugueses não
ponham as ideias de Poder acima do poder das ideias.
Vem isto a popósito da
nomeação governamental do deputado socialista Guilherme d’ Oliveira Martins para
presidente do Tribunal de Contas? Não, de maneira nenhuma. Vem isto a
popósito da nomeação governamental do socialista Fernando Gomes para a
administração da Galp? Não, de maneira nenhuma. Vem isto a popósito da
nomeação governamental do socialista Armando Vara para a Administração da Caixa
Geral de Depósitos? Não, de maneira nenhuma. Vem isto a popósito de o
Governo socialista ter contratado o socialista António Vitorino para
representante do Estado nas negociações com os italianos da ENI no processo de
recomposição accionista da GALP? Não, de maneira nenhuma. Com um país
assim, onde são (quase) sempre os mesmos a ter acesso ao poder, sendo todos os
outros relegados para fora de jogo, dou razão a um socialista que, a propósito
das críticas que aqui lhes tenho feito, me respondeu enviando-me uma ficha de
filiação com uma simples mensagem: “Muda de vida”.
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Incêndios, Mário Soares e as eleições autárquicas
António Cardoso
Os incêndios
Escrever
sobre o mês de Agosto no nosso país sem referir os incêndios poderia ser
considerado uma falta profissional por quem habitualmente faz o favor de nos
ler.
O problema é que não percebo absolutamente nada do assunto nem consigo
compreender a incapacidade dos governos que se têm sucedido estes últimos anos
para enfrentar esta catástrofe.
Não sei se é verdade o que terá dito o vice-presidente da Associação Nacional
dos Bombeiros Profissionais : “é inexplicável que se fale em falta de meios
humanos quando há bombeiros disponíveis nos quartéis”. Dá o exemplo dos
Sapadores de Lisboa que só foram chamados no domingo, dia 22 de Agosto - pela
primeira vez esta época... E acrescenta que há “má organização,” com bombeiros
do Centro a combater incêndios no Norte e bombeiros do Norte a combater
incêndios no Centro, enquanto chega uma vintena de bombeiros da Madeira e outra
dos Açores...
O presidente da República sugere entretanto que “as culpas são dos
proprietários que não limpam as matas”, mas o incêndio que ameaçou a cidade de
Coimbra aconteceu na Mata Nacional de Vale de Canas, que pertence ao Estado.
Também não entendo que os nossos jornalistas de televisão e outros estrangeiros
prefiram mostrar imagens de desespero de pobres cidadãos aos gritos, de balde
de água na mão ou com ramos de eucalipto, tentando apagar enormes fogos para
defender as suas casas. Será isto jornalismo? Como diz um célebre director de televisão, “passamos
as imagens que vendem” ou “arranjamos
programas para inserir na publicidade”.
Tem razão um quadro superior do ICEP, quando afirma que, “o que se ganhou em
turismo e credibilidade com o Euro2004, perdeu-se com estas imagens de um
Portugal pobre, desorganizado e desorientado”.
Mário Soares
Contrariamente
ao que repetidamente tem afirmado nestes últimos tempos, Mário Soares, com 81
anos, é de novo candidato a Belém.
É sabido que um dos problemas da velhice é a perca progressiva de memória. Mas
duvido que o ex-presidente, ainda bem verde, sofra desse mal. Acreditamos é que
padece de uma outra doença que se chama “Política”.
Eleições autárquicas
“O Senhor é um mentiroso, mentiroso é o Senhor, eu também sou licenciado, ou
tratam-me por Doutor ou então trato-vos por senhores”.
Estas são algumas das trocas de palavras que ouvimos num debate televisivo
recente entre os candidatos à câmara de Amarante.
Em certa época, estes e outros insultos e acusações, seriam provavelmente
resolvidos em duelo mortal, mas há muito que se tornaram habituais e até
indispensáveis nestes debates, para aumentar as tais audiências.
A jornalista que entrevistava os três candidatos, também lhe chamavam doutora,
tentou timidamente acalmar os ânimos e centrar um debate que poderia ter sido
interessante se os candidatos tivessem realmente ideias novas a propor para
esta cidade que pouco a pouco tem vindo a perder importância e a sua antiga
vitalidade.
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Gralhas ou… grunhos?!
Fernando
Cruz Gomes Gralhas.
Surgem por toda a parte onde há gente e fazem de contas que também o são, mesmo
não o sendo de facto logo que abrem a boca. Pelos vistos, e sem o saberem, são primos
carnais, de primeiro grau, dos grunhos – os grunhos lusitanos – que a Clara
Ferreira Alves, uma finíssima articulista, há tempos descobriu. Como eles
imiscuem-se na vida de toda a sociedade, entravam o caminho do mais sisudo e
sabedor, sem deixar de atirar aos ares as postas de pescada que nem carapaus de
gato são.
Li, há dias, que pode haver grunhos geniais. Só que
essa eventual genialidade terá sempre uma frequência reduzida, já que os
grunhidos, ou seja, as manifestações dos grunhos, são primitivos, estando mesmo
associados ao atraso mental.
- Olha-me esta me...da! Vá para o car...o! Então esta besta não vê que eu estou
aqui... que sei do que falo...!
E olham à volta para ver se outras gralhas lhe aparam o sermão. Na atávica
gralhada que se vai formando, se há mais do que um... ninguém mais se entende.
Em formação quase corporativa, transformam-se pacatos locais de convívio em
gralheiras de fazer tremer o mais pacato dos cidadãos.
No Verão, as gralhas – que são, sobretudo, masculinos e se consideram, a toda
hora, muito homens... - entendem que têm de vender o seu peixe, enfermizando a
estada dos outros. Com muitos fo...-se à mistura e uns quantos f. da. p. Há
dias que perdemos a conta se nos dermos ao traba-lho de enumerar os palavrões e
aleivosias que se ouvem.
Dizem-me que nem é por mal. Que esta espécie de grunhos lusitanos, que foram
emigrando aos poucos para toda a parte, são apenas uns pobres saloios que de
nada sabem. E que atiram aos ares a sua voz altitroante para se darem ares. E
para assumirem uma espécie de protagonismo que não têm.
- Era mesmo o que faltava! Este caramelo agora a dar-me música. Um porra que
não sabe onde cair morto. Vá... vá... que eu não estou para aqui ficar toda a
vida. Olhó o car...o! Uma cambada de cab..es que pensam que têm o rei na
barriga... Se trabalhassem como eu...!
Pedaços de conversa que se ouviram, há dias, no próprio Consulado, a uma gralha
que víamos, dias antes, numa repartição canadiana qualquer, quase de joelhos e
de chapéu na mão a pedir o “please... please... I need...” Ali, não. Que “sou
eu que pago a estas bestas, que estão aqui para me servir... f...-se”.
As gralhas. Os grunhos. Primos direitos. Uns ainda andam por lá a enfernizar os
indígenas da Mãe Pátria. Os outros, transplantados para um ambiente mais
sofisticado (o que nem quer dizer melhor) da emigração... andam por aí, também,
com as mesmas cervejolas no bucho, com a voz entaramelada do ripanço que querem
ter, olhando o seu próprio umbigo e não permitindo que ninguém lhes passe à
frente, mesmo que esteja lá muito mais adiante.
Nos semáforos, nas passagens dos semáforos, ganham novos contornos. Novas asas,
talvez. As gralhas não permitem que ninguém use os seus próprios direitos, se
beliscarem, mesmo ao de leve, os interesses de um desses espécimes.
- Olha-me este sacana... a pensar que me fo...e! Essa agora... ó seu ca...ão.!
Atiram aos ares os palavrões sem nome e levantam o dedo seja para quem for.
Arrancam com o carro numa trovoada de roncos e de... insultos. “Não queria mais
nada este f. da. p. Vá-se fo...er. Era mesmo o que faltava...”
Como a Clara Ferreira Alves entendo que este espécime lusitano, quer seja
grunho ou gralha... deverá começar a definhar... definhar... para se extinguir
de vez. F...-se!
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Portugal! 1580 ou 1640?...
Luís Barreira
De cada vez que regressamos das férias gozadas em
Portugal e, independentemente do ar refrescado ou bronzeado que nos acompanha e
da sensação de “baterias carregadas”, para mais um ano de intenso trabalho,
trago igualmente uma sensação amarga na bagagem, como se uma nuvem de
insatisfação cobrisse a felicidade de umas férias bem passadas. E o mais grave é que essa sensação aumenta, ano após ano! Naturalmente
que isto acontece, porque sentimos o País como o nosso e tudo o que de mal lhe
observamos, são como nódoas na nossa própria toalha de mesa. Além disso, as
nossas observações são, muitas vezes, influenciadas pela análise comparativa
que fazemos com o país em que vivemos e pelas nossas próprias experiências de
vida. Razão da muita “violência” verbal, na nossa análise crítica de Portugal e
dos portugueses que lá vivem.
Somos de facto muito críticos de nós próprios. Exageramos de pessimismo, de
dúvidas, de fados tristes, de resignação fácil e de desconfiança. Flagelamo-nos
tantas vezes de insultos, de escárnios, de piadas mordazes, de combates
estéreis e de invejas incontidas.
No entanto, ao longo da nossa história e apesar de todos os defeitos que nos
caracterizam, fomos capazes, em dados momentos, de desafiar o destino que nos
impunham, renovar as esperanças, mobilizarmo-nos em torno de grandes ideais e
lutar, voluntária e desinteressadamente, pelo bem colectivo.
Mais recentemente e apesar das dificuldades em que o País tem estado
mergulhado, o povo exibia com orgulho a Expo 98, como a sua jóia da coroa e
gritava a plenos pulmões e a bandeiras despregadas, pela vitória da equipa
nacional no Euro 2004, reforçando a sua auto-estima e os símbolos da sua
unidade, mesmo que os motivos evocados não fossem autênticas causas
nacionais!...
Nunca fomos, enquanto povo, “gente rica”, mas sempre soubemos fazer das “tripas
coração” para vencer os obstáculos que nos surgiam e que, algumas vezes, nós
próprios engendrámos. Mas, independentemente do passado longínquo ou próximo, o
que se passa agora, começa a preocupar-me profundamente!
A democracia, uma das nossas conquistas mais recentes, proporcionou-nos a
abertura essencial ao mundo, ao desenvolvimento económico e cultural do nosso
País e, necessariamente, a alterações do nosso tecido social. De um país
marcadamente dividido entre ricos e pobres, nasceram várias camadas
intermédias, a que alguns chamam: “classe média baixa”; “classe média” e
“classe média alta”, quando se aproximam do estatuto de ricos.
Estes estratos sociais têm-se desenvolvido através da diversificação da
economia portuguesa e da necessidade da gestão qualificada, nos mais diversos
domínios e são, naturalmente, consequência das novas condições de vida, que têm
permitido a formação de milhares e milhares de universitários (o que antes era,
quase e só, para os filhos dos ricos...).
E é exactamente uma parte dessa camada intermédia, envolvida na política, na
economia e na vida social do País, que me preocupa cada vez mais!
Habituados a grandes carros de marca, casas com piscina, excelentes
restaurantes e férias no Brasil ou no México, impulsionados pelas políticas de
soluços tecnológicos sem base económica sustentada e aculturados por estilos de
vida falsos e supérfluos, esta parte cada vez mais importante da nossa
sociedade, alimentada pelo fácil estrelato televisivo português, está-se
inteiramente nas “tintas” para as dificuldades estruturais do País e para os
necessários sacrifícios a realizar e empreende uma política pessoal do
“salve-se quem puder”, mesmo que isso implique uma atitude “mercenária”,
relativa à sua identidade nacional, à sua pertença a uma cultura e a um povo,
ou à sua dignidade e verticalidade pessoais.
“Entreguem ‘isto’ aos espanhóis!”, “Precisamos é de um novo Salazar!” e “Ponham
um Comissário europeu a gerir esta ‘história’...”, são frases que correm cada vez mais soltas, na boca desta
gente, não porque estejam a pensar no necessário desenvolvimento do País e do
seu povo, mas sim na continuidade do dinheiro que tem circulado nas suas
bolsas.
Penso que já ninguém, no seu perfeito juízo,
acredita no “orgulhosamente sós”, mas custa-me pensar que, a geração que nos
substitui, possa desejar a alternativa de um futuro “servilmente acompanhado”.
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Combater a pobreza... sem combater a corrupção?!
Fernando Cruz Gomes
Os inefáveis mentores dos G8 – em que,
naturalmente, o Canadá está envolvido – toveram, não há muito, uma reunião.
Pelos vistos tinham como ponto principal em agenda... a tentativa de anular a
pobreza em África. A reboque da boa-vontade de cantores internacionais,
estudavam a possibilidade de eliminar os débitos internacionais da África,
assim a modos de como passar uma esponja pelas dívidas de uns quantos.
E acreditaram estes senhores, alguns dos quais
mais parecendo generais de opereta e, portanto, sem exército que se
veja, que ajudavam África. Que o continente mais pobre teria, com o gesto de se
perdoarem as dívidas, mais uma possibilidade de sair da pobreza.
Naturalmente que a ideia estava votada ao
fracasso. E estava votada ao fracasso, porque o grande flagelo de África não é
a pobreza. O grande flagelo chama-se corrupção. Esta, qual hidra de muitas
cabeças (e não apenas as 7 que o bom do Hércules teria descoberto), campeia à
solta por todo o continente. De Luanda a Abidjan e de Lagos a Kinshasa. Mete-se
no negócio dos diamantes, da mesma forma que se encharca de petróleo e se
mobiliza onde a madeira preciosa avança. E mesmo em zonas onde não há subsolos
tão ricos, há sempre maneira de se fazerem uns trocos...
A corrupção é mesmo o grande flagelo de
África. Com tentáculos por todo o mundo. Como a toda a hora vimos e ouvimos.
Provado. Ainda há dias líamos em tudo o que é Jornal que as autoridades de
Paris vão continuar a sua senda jurídica contra um tal Falcone, apesar das
pressões do Governo de Luanda a exigir a retirada das acusações no âmbito do
caso Angolagate. Pelos vistos, José Eduardo dos Santos está entre os
acusados de receber comissões elevadas no âmbito daquele caso. E que tem a ver
com a venda de armas russas a Luanda por intermédio dos empresários Pierre
Falcone e Arcadi Gaydamak.
Uma das mais recentes edições do Expresso,
que cita “um dos envolvidos” no escândalo (que já tem quase barbas...), diz que
“Eduardo dos Santos é acusado pelo juiz de ter, directa ou indirectamente,
recebido milhões de dólares de comissões”.
Claro que, neste caso, Angola rejeita as
acusações de tráfico ilegal de armas e de fraude fiscal cometidos por Pierre
Falcone, porque o material não seria de origem francesa nem transitou através
de França. Só que a justiça de Paris continua a dizer que o montante das verbas
desviadas neste negócio “atingiu o valor de 300 milhões de dólares”.
E este, naturalmente, é só um exemplo. Um
exemplo que poderia ser multiplicado por muitos. A corrupção é, de facto, o
maior e mais grave problema de África e enquanto os países dos tais G8 não o
reconhecerem oficialmente... são “paninhos quentes” as panaceias que querem
usar na luta contra a pobreza. Já outros o tentaram. Já outros falharam.
Há países em Africa – e Angola será um deles – em que se deveria corar
de vergonha ouvir dizer que há crianças a morrer de desnutrição. Porque, de
facto, esse País – e vários outros do mesmo continente – é demasiadamente rico
para alguém acreditar que... seja pobre! E mesmo que nos digam que é
impossíveis desvendar os mistérios de tanta pobreza, acreditamos – como
Napoleão Bonaparte – que “impossível é uma palavra que só existe no dicionário
dos idiotas”. O general e estadista francês sabia o que dizia.
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Banca
portuguesa em França pode desaparecer Anónio
Cardoso
No
princípio da década de 90, fomos encarregados de
organizar um grande espectáculo gratuito no Zenith de
Paris cujos custos totais, sem contar as agências,
superaram na altura 1 milhão de
francos, para promover a entrada do banco Nova Rede em
França.
Entrevistámos o presidente, Jardim Gonçalves, para o
jornal Encontro e ficámos estonteados com as
perspectivas por ele delineadas para o futuro da banca
portuguesa neste país.
Quinze anos depois, os resultados estão à vista O
banco BCP anunciou para breve a cedência da maioria do
capital a um banco francês. A Banque Franco-Portugaise,
o Banco Mello, a União de Bancos Portugueses, o Banco
Português do Atlântico, o Banco Pinto & Sotto
Mayor e o Banco Borges & Irmão já fazem parte da
história mais recente das comunidades.
De outros, desaparecidos há mais tempo, já poucos se
recordam.
Um banco é uma empresa comercial que tem evidentemente
por objectivo principal realizar benefícios.
Mas há práticas que não podem ser idênticas às do
comércio tradicional a partir do momento que uma
instituição bancária dispõe de poderes suficientes
para criar dependência da parte dos seus clientes.
As comissões ou despesas por vezes “à la tête du
client”, de tenue de compte, dépassement
non autorisé, commande de chéquier urgent,
lettres d’injonction, frais de rejet e
outras simpáticas definições que aparecem no extracto
bancário dos clientes à frente dos montantes debitados
nas suas contas, permitem aos bancos portugueses,
franceses e outros, arrecadar
receitas importantes que lhes permitem melhorar a sua
conta de exploração, explorando o cliente.
As condenações de certas práticas nos tribunais não
assustam os gestores (basta consultar o site internet da
Association des Usagers de Banque, para se ter uma
ideia), pois sabem que são muito poucos os que recorrem
a esse extremo para regularizar conflitos, muito menos
os portugueses, e que a imprensa generalista, também
por vezes dependente, dá pouca ênfase a esses
problemas.
Alguns demonstram grande engenhosidade para subtrair sem
autorização das contas dos clientes somas destinadas a
companhias de seguros do mesmo grupo, após redução da
devida comissão do banco. Assim, a grande maioria dos
clientes da Caixa Geral de Depósitos em França, com
excepção de alguns, talvez considerados mais eruditos,
é debitada todos os anos dum montante de 19,06 Euros,
sobe a denominação “compte de sécurité”.
Esta verba, multiplicada por uns milhares vai de
facto direitinha para a companhia de seguros Fidelidade.
Foi certamente uma boa ajuda para inaugurar as novas e
independentes instalações na Ópera, patrocinar o Parc
des Princes e dotar a companhia de meios para angariar e
assegurar contratos na área do futebol da capital
francesa, provavelmente motivados pela paixão
desportiva do seu director.
Confirmação feita pelos responsáveis do banco, um
deles garante-nos que este “seguro de vida” (que
nenhum dos nossos interlocutores clientes da Caixa diz
conhecer) “...até já tem servido... os clientes
foram devidamente informados através de uma carta em
1998 ou 99, tinham um certo tempo para dizer que sim ou
não e foram ou não debitados em função da
resposta”.
Ainda bem que os seguros servem por vezes! Quanto à
informação, o banco enviou uma proposta para esse
seguro e quem não respondeu foi debitado, ou seja
praticamente todos os clientes seleccionados. Dizemos,
“seleccionados” porque detectámos vários clientes
que respondem às condições de adesão e que nunca
foram angariados nem debitados.
Julgamos nós, que se trata de uma venda forçada que a
jurisprudência condena. Um outro funcionário
do banco disse à Vida Lusa que tinham ordens para
creditar a soma a quem reclamasse, não sem tentar
justificar e vender o produto. Reconheceu que foram
sobretudo os mais jovens a pedir a restituição das
verbas, algo que pudemos confirmar com vários clientes.
Outros, provavelmente a maioria, disseram-nos que não
tinham gostado da maneira como tinham feito
“aquilo”, mas tinham também as contas em Portugal e
não se queriam chatear com o banco por causa disso.
Por sua vez, o director da Fidelidade, Carlos Vinhas
Pereira, minimiza este procedimento avançando entre
outras justificações que “este tipo de seguros nem
sequer é rentável para a companhia e também existe
nos outros bancos”.
É caso para nos perguntar-mos porque o fazem, correndo
o risco de receber reclamações de clientes
descontentes. Quisemos verificar se esta forma de agir
seria comum a todos os bancos que propõem este produto,
mas constatámos, nomeadamente no BCP, que o cliente só
é debitado depois de ter sido informado pessoalmente e
ter assinado o documento.
Depois da perdas dos câmbios, consequentes à entrada
do Euro, os bancos portugueses tiveram obviamente de
arranjar outras fontes de receita para as colmatar.
Com a entrada em vigor da directiva europeia (ver Vida
Lusa n° 79) sobre a obrigação dos bancos comunicarem
à administração fiscal dos países de residência o
montante dos juros das contas de poupança, já se prevê
uma forte diminuição nas transferências dos
emigrantes para Portugal, que muita falta vão fazer
agora que o rating de Portugal nos mercados financeiros
foi reduzido devido à situação económico-financeira
do nosso país.
Os bancos que mantêm grandes discrepâncias entre depósitos
e empréstimos tonam-se como já escrevemos, cada vez
mais dependentes do mercado monetário que está muito
mal de saúde neste momento.
Na realidade a banca portuguesa, habituada que está a
pedir garantias muito superiores aos empréstimos
propostos (lembra-nos aquela de emprestar o chouriço a
quem dá um porco) com as taxas mais elevadas do
mercado, vê, aparentemente sem preocupação, os
clientes passarem para a concorrência francesa.
Resultado, bancos como o BCP terão provavelmente duas
vezes mais depósitos que empréstimos concedidos. A
diferença vai para o mercado monetário, com pouco
risco, mas com taxas muito inferiores às que obteria
concedendo crédito à clientela.
Lá estão as tais comissões chorudas para compensar.
É provavelmente por estas e outras razões que o BCP
pensa que a banca em França já deu o que tinha a dar.
E, depois de ter adquirido o Sotto Mayor, o Atlântico e
a União de Bancos, prepara-se agora para vender a
maioria do capital à Caisse d’Epargne.
Então o Governo português que impediu que o Sr.
Champalimaud vendesse os seus bancos aos espanhóis,
privilegiando o BCP porque, dizia Jardim Gonçalves, era
necessário termos um grande banco, agora não se
preocupa que se entregue uma boa fatia do mercado étnico
português aos franceses?
Porque não fazer agora também intervir a Caixa Geral
de Depósitos em França já que o BCP acha que o
mercado já não vale a pena?!
E a missão mais nobre da Banca Portuguesa estabelecida
em França não será apoiar as iniciativas da nossa
comunidade, como se vinha f | |