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COMUNICADO 02/04
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A
Associação Internacional de Jornalistas acha ser seu dever congratular-se com o
ambiente de entusiasmo que está a rodear a actuação da equipa nacional de
Futebol que está a disputar o Euro 2004. Entende ser seu dever congratular-se,
especialmente, com o entusiasmo que se regista, em todo o mundo onde residem
Portugueses, o que faz vir ao de cima – cada vez mais, até no Futebol – a
certeza de que somos, de facto, 15 milhões e não apenas 10 milhões os
Portugueses no mundo.
Para
além disso, apraz-nos observar que os Jornalistas desta Associação estão a
comportar-se, em termos deontológicos e éticos, como elementos fundamentais
desta “absorção” dos 5 milhões de portugueses que residem fora das fronteiras
portuguesas.
Em
termos deontológicos e éticos, estão os Jornalistas da AIJ a dar sequência aos
apelos e tomadas de posição do próprio Sindicato dos Jornalistas, nesta como em
diversas outras matérias.
Entendemos,
assim, que Portugal começa a ser, cada vez mais, um País pluricontinental, pelo
menos em termos dos seus filhos, reconhecendo que não é apenas a residência que
nos dá direito à cidadania Portuguesa.
Paris,
25 de Junho de 2004
O Presidente O
Secretário-Geral
Fernando Cruz Gomes António Morais
Cardoso
Toronto, Canadá Paris,
França
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Portugal (do Canadá) ganhou a “maioridade” |
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Por
Fernando Cruz Gomes
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O Pedro da Silva não está cá. Se o estivesse era bem capaz de levar a
notícia aos quatro cantos do Canadá e, eventualmente, também, a outras
paragens. Não está. Já se foi há centenas de anos e, mesmo assim, nos anais do
Canadá gigante... é considerado o primeiro carteiro do País. E a notícia era,
de facto, digna de menção.
Foram precisos quase 5 séculos... mas a vitória é de Portugal e dos
Portugueses. E se os 5 séculos parecem muito... é anotar os barcos e mais
barcos que para aí vieram, quer em demanda do “fiel amigo” bacalhau, quer a
bordejar a costa, como que em demanda de mais terras e para “dar novos mundos
ao mundo”. A vitória é mesmo de Portugal e dos Portugueses, mesmo que só há 50
anos se começassem a contar os emigrantes
Portugueses que foram chegando.
A vitória é de Portugal e dos Portugueses... quando, na segunda-feira,
Mário Silva, que veio de São Miguel, nos Açores, foi eleito para o Parlamento
do Canadá. Foi o primeiro dos “nossos” que se alcandorou a tamanha dignidade.
Já tínhamos cientistas e arquitectos, empresários e professores universitários,
advogados e médicos. Tínhamos até deputados provinciais e membros do Governo de
uma Província. Mas, ao nível federal, foi agora o Mário Silva que nos deu a
todos essa mesma honra.
E logo agora que já não está por cá Pedro “Le Portugais” para espalhar
a notícia! É que era bem capaz de ser interessante dizer aos outros – a muitos
outros, espalhados por todo o País – que Mário Silva é dinâmico e activo. Sabe
estudar os problemas e dedilhar... algumas soluções. É estudioso e tem como
hábito avançar, avançar sempre. O que agora conseguiu já tinha sido preparado
nas suas andanças de conselheiro municipal.
Honra lhe seja feita! Sobretudo porque... “Portugal (do Canadá) ganhou,
finalmente, a “maioridade”. Não é mais criança. Subiu a golpes de coragem a
corda do sucesso. Mesmo com sangue, suor e lágrimas. Subiu, pronto. E mesmo que
Mário Silva esteja agora sózinho no Parlamento canadiano, o seu exemplo de
tenacidade e denodo não deixará de entrar nas mentes de muitos dos mais jovens.
E vai ter parceiros.
O deputado Mário Silva é um dos nossos. Subiu a pulso a escada íngreme
do sucesso. Tratou por tu a perseverança e a determinação. Entendeu os pequenos
nadas ou os grandes dramas da sua comunidade. E ganhou.
Não restam dúvidas. Portugal (do Canadá) ganhou a “maioridade”. E Mário
Silva teve a parte de leão no trabalho – e já não foi amador, não – que foi
necessário levar a cabo. A ele e aos dois outros candidatos da Dovercourt – Rui
Pires e Theresa Rodrigues – que souberam “combater o bom combate” e mostrar,
afinal, os diversos ângulos da política federal... a quem, de resto, ainda não
tínhamos sido apresentados.
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Portugal é
campeão da Europa
Por
Antonio Cardoso (editorial Vida Lusa)
Só me apetece
falar de futebol. De qualquer forma não há hipótese de falar de outra coisa,
neste momento, com os portugueses desde que pela primeira vez a selecção das
quinas ganhou uma grande competição internacional.
Até as mulheres
entraram no jogo. Descobriram que afinal o futebol é uma “droga” e começam a
compreender melhor a paixão dos maridos ou dos namorados. « Somos os
melhores, o Nuno Gomes é um borracho, o Figo é fantástico, o Ricardo Carvalho é
o melhor defesa do mundo, o Ronaldo é o maior...», são alguns dos comentários
femininos que ouvi.
Agora vão com
eles aos estádios, vestem camisolas dos clubes que apoiam, gritam, aplaudem e
zangam-se em função da evolução dos jogos.
Os problemas no
Iraque, no Caucásio, no Afeganistão e noutros pontos do planeta onde continuam
a morrer milhares de pessoas vítimas da loucura dos homens, passaram para
segundo plano nos noticiários das rádios e televisões e para as páginas
interiores dos jornais.
O processo Casa
Pia, o alargamento da União Europeia, a nova Constituição, com ou sem
referendum, o euro-cepticismo dos ingleses, a fraca participação eleitoral dos
antigos e sobretudo dos novos membros de Leste ou a eleição do futuro
presidente da UE, são assuntos que nesta altura não vale a pena abordar em
Portugal porque o futebol volta invariavelmente à conversa.
Já ninguém fala
do I.R.S., dos pagamentos por conta, das filas de espera nos hospitais, dos
engarrafamentos ou dos aumentos dos preços do tabaco e da gasolina.
A euforia da
vitória influenciou positivamente o consumo, os restaurantes e cafés estão
repletos de gente e os comerciantes mostram-se sorridentes.
Os partidos que
estão actualmente no governo começam a pensar nas próximas eleições com mais
optimismo.
Pela primeira vez,
o número de divórcios baixou significativamente nos meses de Julho e Agosto, em
relação aos anos anteriores. Também o desemprego atingiu as percentagens mais
baixas de sempre, tal como o número de crimes.
Vi emigrantes que
há muitos anos deixaram de passar férias em Portugal, de novo conquistados e
com vontade de regressar definitivamente.
Ouvi de repente
um barulho estridente, era o despertador. Que chatice, não tinha vontade
nenhuma de deixar aquele sonho. Era tão bom!...
Enfim... tenho
mesmo que me levantar porque hoje é o fecho da edição da Vida Lusa de
Julho/Agosto, Portugal joga com a Inglaterra e, há muito trabalho para
terminar.
Férias felizes
e... até Setembro
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Um “tornado” ou uma
“avalanche”…
Por
Fernando Cruz Gomes
O que fará o Governo com a derrota?
A pergunta faz pressupor
diferenças. Que as há. O PSD estava, de facto, à espera de uma derrota. Nunca,
porém, a jeito de “avalanche” ou de “tornado”. A coligação Força Portugal
demonstrou estar anémica, viradinha para o seu próprio umbigo, sem olhar o Povo
ao seu redor. E tanto assim é… que só de si se pode queixar. Do seio do Partido
já se vão pedindo “cabeças”. De ministros, como é evidente, já que não há por
ali a figura do treinador… e se a houvesse cortavam-lhe a cabeça.
Para já, nem respeito parecem ter
pela “dama de ferro” que o não é tanto assim. Pediu demasiados sacrifícios ao
povo para controlar o défice. Agora… até dela se querem ver livres muitos dos
que agora sempre “foram” críticos… ou, pelo menos não afectos às políticas do
Sr. Durão.
A verdade é que o CDS também já
começa a ser “bombo de festa”. Um dos históricos do partido majoritário da
coligação que governa Portugal, disse logo entender que é culpa do CDS esta tão
grande penalização. No interior do Partido – como dizia o mesmo histórico – não
se gosta do CDS. Imaginem! O PSD, por sua vez, pela voz e atitude do presidente
Durão Barroso, vai ter de tomar decisões muito em breve. Quer elas passem por
uma remodelação, quer não vão tão longe…
Durão Barroso terá de entender a
mensagem clara do eleitorado. Pedem-se medidas, muitas medidas, que invertam a
marcha dos acontecimentos. Importa animar o sector privado. Dar-lhe um novo
alento. E isso só poderá acontecer se o actual Governo for remodelado.
Sobretudo em sectores agora altamente penalizados. As Finanças e a Economia
parecem, assim, sectores prioritários na remodelação.
E os “barões” do partido laranja
já começam também a fazer-se ouvir. Já não tanto em surdina, como há bem pouco
tempo… mas ainda com um certo receio. E isto porque toda a gente sabe que a
meio de um qualquer mandato governativo – no Canadá como em Portugal – é altura
de fazer a “curva” de… coisas boas que leve a uma nova vitória eleitoral. E por
isso, e já que a fé a esperança são, também, elementos fundamentais no
dia-a-dia dos partidos com vocação governamental… há que esperar.
Tirar as devidas ilações é agora a palavra de
ordem. O povo português enviou sinais. E que falam bem alto. Não entender esses
sinais e não os interpretar convenientemente pode conduzir a uma derrocada. Até
porque, em “salto para frente”, há vozes que vêm da direita – leia-se CDS/PP –
que não têm pejo algum em dizer que, com a derrota de domingo, o primeiro-ministro
perdeu o controlo do "timing" e da dimensão da remodelação. Para
esta, exige-se, afinal, uma profundidade que Durão não pretenderia. O tempo
estaria, assim, a expirar e a tendência do Governo tem de ser a de subir... só
subir a partir de agora. Sob pena de “entornar o caldo...”
A vitória em 2006 só poderá
sorrir se o Governo souber explicar o que fez e o que pretende fazer. Dar
afinal uma certa “onda de esperança” que Portugal não tem vindo a experimentar.
“Melhorar a vida das pessoas” é, assim, uma exigência para quem quer ganhar um
segundo mandato.
Claro. Do “lado de lá”, para a
esquerda, funciona uma certa euforia. E mesmo assim Ferro Rodrigues, que
proporcionou o melhor resultado eleitoral do seu Partido, não parece seguro. É
que, ao mesmo tempo que anunciava a sua recandidatura… dava aso a que muitos
dos seus camaradas… avançassem com críticas. Para José Lello, “a questão
interna veio diminuir o impacto da vitória". Mas… há mesmo uma questão
interna, depois de tamanha vitória? Mais do que isso: será que não foi Ferro
Rodrigues o arquitecto de tudo isto? – A verdade é que poucos líderes
partidários aguentariam o que o actual secretário-geral do PS aguentou. Poucos
levariam o barco tão a bom porto como ele, depois das críticas internas e externas,
que tiveram ingredientes não só políticos como até pessoais.
Num e noutro dos lados, o povo –
leia-se o que deveria ser o conjunto dos representantes do povo – é mesmo
ingrato. O mínimo que se diz é que é preciso “reflectir” e que “tudo está em
aberto para o Congresso do PS”. Queriam melhor…
Gostámos, entretanto, da opinião arrancada a ferros a
José Sócrates, que é dado como a disputar o lugar de Ferro Rodrigues. Para ele,
não é, por agora, importante “o que o PS fará com esta vitória. O que interessa
é o que o Governo fará com a derrota".
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A
“Torre de Babel”!
Por Luís BarreiraDecorreram no
Luxemburgo, no passado Domingo, 13 de Junho, as eleições europeias e as
eleições legislativas do País.
Se, no caso das
legislativas nacionais, os estrangeiros residentes apenas se limitaram a
assistir, na condição de espectadores, a um filme para o qual não foram
convidados, mas para o qual contribuem, construindo os cenários, pagando o seu
bilhete e aguardando que ele seja um sucesso de bilheteira, no caso das
europeias, um número razoável dos já inscritos participou, elegendo os seus
deputados ao Parlamento Europeu.
E é sobre as
Europeias, enquanto cidadãos de pleno direito nesta Europa a 25, que gostaria
de expressar algumas considerações.
Em média, a
abstenção verificada nestas últimas eleições europeias, foi de cerca de 56%, ou
seja, o pior resultado de sempre.
Toda a gente o
previa, a alguns dias das eleições. Um pouco antes do acto eleitoral, uma boa
parte dos políticos vieram à praça pública suplicar aos cidadãos para votarem.
No entanto, uma grande maioria não veio e não votou!
Entretanto, e o que
é mais curioso, é que, salvo algumas excepções, o maior nível de abstenção não
se deu entre os países mais antigos da União Europeia, aqueles em que se
poderia pensar que, face ao habitual divórcio entre os cidadãos e os seus
representantes, os povos decidissem mostrar a sua apatia, desligando-se dos
seus órgãos europeus.
O que é curioso (e
perigoso...) é que a maior percentagem de abstencionistas veio de alguns dos
países que entraram muito recentemente na União, quando se esperaria que o
entusiasmo que rodeou a sua entrada tivesse, como resultado, uma ampla
participação no acto eleitoral.
A Eslováquia, a
Polónia, a Estónia, a Eslovénia, a República Checa, a Letónia, Lituânia e a
Hungria, países que representam mais de 70 milhões de pessoas, no interior da
União Europeia, tiveram níveis de abstenção superiores a 60%. Se juntarmos a
este lote alguns dos mais antigos e que também ultrapassaram, em abstenção,
essa percentagem, como é o caso de Portugal, a Holanda e o Reino Unido, com
cerca de 84 milhões de cidadãos, no seu conjunto, então a situação é ainda mais
complicada, exasperante e perigosa.
É complicada, na
medida em que, a euforia do alargamento, nem sequer mobilizou os novos países,
dos quais se esperaria que refrescassem o vigor das instituições europeias,
fazendo antever grandes dificuldades na crença destes povos, nos ideais da
União e na sua adaptação às regras de um novo jogo, que iniciaram agora.
Exasperante, porque
demonstra, mais uma vez, a ausência e a má qualidade do trabalho político,
desenvolvido pela instituições europeias e seus representantes, junto dos povos
que presumem representar.
É perigosa, na
medida em que, face ao déficit de participação popular, os eleitos não têm
legitimidade real para representar tantos milhões de cidadãos que englobam esta
Europa, enfraquecendo as instituições europeias nas suas decisões e tornando-as
presa fácil de qualquer “solavanco” político, nacional ou internacional.
Um outro facto
assinalável, na análise dos resultados destas eleições é que, a esmagadora
maioria dos cidadãos que votaram, fizeram-no, não a pensar na Europa, mas com
os olhos postos na política dos seus respectivos países, ou seja, premiando ou
penalizando os respectivos governos, pelo seu desempenho governativo nacional.
Mais uma vez se
consubstancia o divórcio, entre as pessoas e os responsáveis pela política
europeia.
Mais uma vez se
apela para o tanto que há fazer no domínio da cidadania europeia e na
valorização dos seus ideais de democracia participativa.
Mais uma vez se
alerta para os perigos de se estar a enveredar pela construção de uma “Torre de
Babel”!
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