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 Nota do Presidente – 27.07.2004

Pontos (ainda) a clarificar

O novo secretário de Estado das Comunidades, Carlos Gonçalves, tem vindo, recentemente, como lhe compete, a aparecer em tudo o que é… Informação. E a falar de tudo, designadamente da sua ideia de dar seguimento ao programa governamental no que respeita às políticas direccionadas para os portugueses residentes no estrangeiro. Ainda bem que assim é, especialmente se tiver tempo e paciência para ajuizar cabalmente sobre o que estava a ser feito. E sobre o que pode ser feito.

Numa das suas declarações, Carlos Gonçalves afirmou que, mesmo continuando a trabalhar na reestruturação consular, entende que tem de haver um estudo mais aturado acerca dessa mesma reestruturação. Que noutro passo da sua afirmação fica pendente. Ou coisa que o valha.

O ensino do português no estrangeiro mereceu do secretário de Estado a vaga indicação de que a matéria em causa está na dependência do Ministério da Educação, mesmo sendo, como disse, "uma preocupação" para as comunidades. O que nem parece “inteiramente” verdade, se anotarmos que há protocolos assinados e comissões mistas a trabalhar. Há mesmo prazos já fixados, ainda recentemente, pelo então ministro Marques Mendes, quando se deslocou ao Canadá, em representação do então primeiro-ministro Durão Barroso.

Valha a verdade que, nesta como em muitas outras matérias, o titular da secretaria de Estado das Comunidades disse ter toda a disponibilidade “para dialogar e colaborar" com as entidades representativas dos portugueses residentes no estrangeiro. Todas com destaque especial, como referiu, para o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas (STCDE), de que é (ou era) dirigente,  o Conselho das Comunidades Portuguesas, os jornalistas da Emigração e o movimento associativo.

Quando se diz que “há vontade” em dialogar, por exemplo, com os jornalistas da Emigração e o movimento associativo, decerto que não há uma “grande vontade de dialogar”. Os Governos – este como os outros – quando dizem querer dialogar com o povo todo, com os jornalistas todos, com os… médicos todos, fazendo tábua rasa das associações já existentes, querem dizer que não vão, de forma alguma, privilegiar ninguém. Não há “interlocutores válidos” mesmo numa associação que já tem mais de uma centena de membros espalhados por todo o mundo. Vai dialogar… com os jornalistas, pronto!

É possível que não seja essa a intenção do novo secretário de Estado das Comunidades. É possível que, quando fala no “seu” Sindicato o faça por haver contenciosos que é preciso resolver. Não gostámos é de o ouvir dizer que vai dialogar com os Jornalistas da Emigração, quando é certo e sabido que quem assim diz... não quer dialogar com ninguém. Sobretudo porque, na declaração de Macau – que o Secretário de Estado conhece – os dois Secretários de Estado de então (um dos quais ainda no mesmo posto) considerou a Associação Internacional dos Jornalistas como “interlocutor válido do Governo Português”. Será que isto é também mais um assunto pendente?

 

 

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