
O Sr. Carlos Pereira, do
Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, ao que parece responsável pelo
Pelouro da Comunicação Social, está agora a enviar uma espécie de questionário
aos órgãos de Comunicação Social de expressão portuguesa, espalhados pelo
mundo. Fá-lo, certamente, no sentido de querer “ajudar” a clarificar situações.
Já não é mau e a iniciativa só honra quem a ela mete ombros.
E mesmo que aceitemos – e
apoiemos – o facto do CCP considerar que os órgãos de comunicação social do
Estado (RTPi, RDPi e Lusa) ou apoiados por este, deverão ser alvo de
acompanhamento cuidado por parte do Conselho, não deixamos de dizer que andamos
todos a navegar num mar de indefinições e... enganos.
Aos órgãos de Comunicação
Social estatizados – ou quase (só) estatizados – que têm vocação para servir as
comunidades de portugueses residentes no estrangeiro criticamos nós o facto de
não terem nos seus quadros gente com “sensibilidade emigrante”. Ao CCP, que
quer “fazer obra” nesses domínios, criticamos nós – teremos de criticar – o
facto de não ter “sensibilidade” de... Comunicação Social.
O serviço proposto pela Agência
de Notícias Lusa – se é que há alguma proposta... – tem de ser visto com
olhos de ver... Se é facto que as Comunidades têm uma editoria na Lusa que foi
recentemente reforçada (passou de 1 para 3 jornalistas), não deixa de ser
facto, também, que nunca a Lusa serviu tão pouco... o que deveria servir.
Hão-de dizer-nos quantas notícias viram da emigração nos últimos seis meses...
e quantas viram nos outros seis meses anteriores.
E quanto ao reforço...
duvido. É que já nem há Editoria. Foi tudo incluído no sector Nacional, ou lá o
que é, e os nossos deputados bateram palmas, quando lá foram.
É que a tal “triangulação da Informação” deixou de existir. Isto é, para a agência de notícias... notícia é mesmo notícia. Sem os “rodriguinhos” que às vezes as nossas comunidades querem... sem aquele sentimento de que há notícias pequenas que valem talvez mais do que as grandes. Hoje, de facto, a LUSA está mais agência de notícias. “Dá” às comunidades mais informação de Portugal. O que é bom.
Perdeu, no entanto – e
isso é grave no sector das comunidades, que só existe... porque existem
comunidades – o tal “sentido da triangulação”.
Assim, Paris é bem capaz de não saber tanto como sabia acerca de Toronto, e Joanesburgo não sabe, de facto, tanto como sabia do que se passa em Newark. Embora todos sejam capazes de saber mais o que se passa no Mundo e em Portugal.
Só que, de facto, de
Portugal e do Mundo, temos nós outras formas de saber. Até por outros órgãos de
Informação eventualmente melhores e mais sofisticados que os nossos.
Os correspondentes da
Lusa, de facto, não cobrem as acções das comunidades. Mas mesmo nestes casos,
valerá a pena perguntar aos correspondentes quantas notícias ficaram por
publicar... exactamente por se ter mudado o conceito de notícias. É que, por
cada vez que se altera a Administração – ou é a Direcção? – da Lusa, surgem
logo alterações no conceito de notícias e de forma de as fazer.
A LUSA , na sua parte de
comunidades, deixou de ter, por exemplo, gente das Comunidades ao
fim-de-semana. E, no entanto, é ao fim de semana que surgem... mais coisas na
emigração (para não lhe chamar notícias).
Mas... como o CCP quer
saber só “algo”, pode ser que esteja no bom caminho. E que chegue a conclusões
“interessantes”.
E, no entanto, vale a
pena repetir conceitos “imutáveis” por muito que mudem as administrações das
RTPi, RDPi ou Lusa Comunidades.
Todos estes organismos –
chamem-lhes outros nomes, se quiserem – existem porque existem comunidades (os
tais “emigrantes”, que nós somos). Não há por lá, com ligeiríssimas excepções,
ninguém com sensibilidade emigrante.
“Dar” aos “coitadinhos da
diáspora” as coisas que se fazem em Portugal, o Fado e o Folclore, para além de
lhes servir um “belo” noticiário de Portugal e do Mundo – e por Noticiário
refiro-me ao que eles apresentam e não, por exemplo, a “noticiário” que também
o é, parecido com “Regiões” - ... não é mais do que satisfazer o “Portugal da
Saudade”. Falta agora a tal “triangulação”.
À parte, deixaremos uma
pergunta: será que repararam que os diversos “Contactos” – da África do Sul, do
Canadá, dos Estados Unidos e da Europa – só são passados na RTPi? Então... não
é preciso que TODOS os Portugueses se conheçam? Já não é preciso? É que,
passando aquilo na RTPi é bom... mas sabe a pouco. Estamos todos, talvez
alegremente, a sensibilizar-nos uns aos outros. Mas isso não é... nada.
Tudo visto, ainda que a
“vol d´oiseau”, diremos:
-
A RTP está melhor. A
RTPi está melhor. Na sua componente de serviço às comunidades afigura-se-nos
estar muito pior.
-
Idem para a RDPi. E
aqui com uma agravante. A RDPi parece que era a única que antes da grande
“remodelação” estava quase bem. Ficou pior.
-
A Lusa Comunidades
quase não existe. Há notícias de Portugal e do Mundo... que são capazes de
“servir melhor” o conceito que agora se dá ao noticiário geral. Mas em termos
de comunidades – ou de emigração, se quiserem – o serviço é muito pior.
A
jeito de parecer... já vai longo. Resta acrescentar que saudamos o CCP e Carlos
Pereira, pelo trabalho que querem fazer. Não sabemos é... se o conseguem fazer.
Oxalá.
Fernando
Cruz Gomes António
Cardoso
Presidente Secretário-Geral