Macau
 

 

 A China entrou com pragmatismo inteligente

Fernando Cruz Gomes

Sol Português

Um Encontro com a Comunicação Social, mesmo a de expressão portuguesa da diáspora, dá para anotar ideias e conceitos. Argamassados ambos na auscultação diária de quantos se cruzam connosco e vivem paredes meias com o progresso latente da terra e das gentes. E mesmo quando se vai um pouco para além das chamadas Portas do Cerco, e se entra um pouco na China, entende-se bem que Macau vive e faz viver… uma nova esperança que há-de surgir.

Para já, prepara-se, afanosamente, todo o processo que há-de tornar Macau Património Mundial. Um processo que será, necessariamente, apoiado por Portugal. É que, das “fortes” presenças da Cultura, no que toca à História ou à Arquitectura, cabe “parte de leão” à História de Portugal nesta zona do mundo. Uma “parte” que ninguém, inteligentemente, enjeita nem quer enjeitar. O que, bem vistas as coisas, dá mais uma força à grande China.

Os Jornalistas presentes em Macau tiveram ocasião de percorrer as instalações do chamado Instituto Português do Oriente e olhar – com natural satisfação – para os “trunfos” da candidatura de monumentos de Macau, de matriz portuguesa e chinesa, a património mundial da UNESCO. E decerto que vão apoiar. Têm de apoiar, melhor dizendo.

Para este como para outros efeitos, importa não esquecer que Macau foi o primeiro entreposto comercial na China desde o séc XVI. É um rico património cultural que importa preservar. E aí há que reconhecer que o Governo da RAEM tem sabido implementar medidas que visam preservar a memória arquitectónica que vem do Passado. Onde há templos com mais de 800 anos, Igrejas dos séculos XVI, XVII e XVIII, o primeiro teatro ao estilo europeu construído na Ásia. Fortes, fortalezas, residências coloniais, palácios e bairros e praças.

É uma riqueza que, de facto, faz falta ao mundo.

Entre a Índia, o Japão e a China

No magnífico edifício do Consulado-Geral de Portugal… vão sendo albergados organismos de cariz cultural que vão dando ainda mais força a este género de Portugalidade. A base é Macau. Por razões históricas que o Centro de Língua Portuguesa, por exemplo, está a levar ao mais alto expoente. Ali vão surgindo os que se interessam pelo Português como Língua e como Cultura. E há, pelo menos, 800 alunos, o que diz bem da força de uma Cultura.

Clara Figueiredo haveria de falar sobre a importância que Portugal dá ao Património. E isto tanto da parte do Instituto Camões como do próprio Ministério em si.

Entende-se que são… encontros de culturas, miscigenação de culturas. A jeito de uma certa dose de Cultura híbrida, se quiserem. E há, assim, dados que vão saltando das palavras dos oradores para a mente dos repórteres. Com momentos históricos, como aquele que nos diz que em 1580, quando da invasão espanhola se verifica a lealdade que Portugal manteve ao rei de Portugal. Por isso, o Leal Senado.

Portugal, ali em Macau, e por via de Macau, sempre espalhou Cultura entre a Índia, o Japão e a China. Que acabaria por marcar a evolução e o dinamismo das sociedades então conhecidas.

A força da Imprensa

No auditório do Consulado-Geral de Portugal em Macau, houve uma apresentação sobre a Comunicação Social da RAEM, pelo Director do Gabinete da Comunicação Social, Vitor Chan, e pelo director de Informação da TDM, João Guedes, em representação dos orgãos de comunicação social em lingua portuguesa, ali representados.

Interessante. Intercuturalidade foi como caracterizou Vitor Chan todo o desenvolvimento dos orgãos da Informação, designadamente dos três Jornais diários em Português e um semanário.

João Guedes haveria de concentrar a sua comunicação na História da Imprensa, para lembrar que, como é do conhecimento geral, a imprensa nos antigos domínios ultramarinos portugueses foi proibida até à revolução liberal de 1820. Nesse passo da história – como lembrou - passou a ser permitida a publicação de jornais fora do Reino. João Guedes disse que o primeiro surgiu em Angola,  o segundo em Goa e o terceiro em Macau, isto num espaço curto de menos de dois anos.

Contou que “o primeiro jornal a ver a luz em Macau chamava-se Abelha da China e comungava os ideais progressistas da revolução do Porto”. Só que cerca de um ano e meio depois de ter sido dado ao prelo, o seu número de Agosto seria queimado em auto de fé em pleno Verão de 1823 junto à porta do Leal Senado “pela reacção absolutista que entretanto retomara o controlo da cidade, em nome de D. Miguel uns anos antes da guerra civil que haveria de afogar Portugal em tormentos durante quatro anos até ao triunfo definitivo da liberdade”.

Segundo disse, “a queima da Abelha da China foi feita oficialmente na presença dos 300 cidadãos eleitores de Macau (portugueses já se vê) que constituíam o universo dos leitores do jornal”.

A verdade é que o acto, “apesar de toda a crueza das fogueiras não foi suficientemente capaz nem de acabar com a liberdade de expressão nem com a rebeldia da comunicação social em Macau que até hoje manteve características gerais de inconformismo”.

Números elucidativos

Macau. Região Administrativa Especial da República Popular da China. 0 território possui segundo as estatísticas oficiais cerca de 460 mil habitantes. Mais de cem mil possuem a cidadania portuguesa. “Porém não nos deixemos enganar pelas estatísticas. Estes cem mil, ou mais são cidadãos portugueses por direito, mas chineses pela língua e pela cultura”.

Lembrou que, curiosamente e apesar da exiguidade dos número, certo é que cinco anos depois da transferência de soberania e quando muitos auguravam o fim dos “media” em língua portuguesa em Macau, estes continuam vivos e actuantes. E foi assim que “Macau em português ficou com três jornais diários: Ponto Final, Hoje Macau e Jornal Tribuna de Macau. Ficou com um semanário publicado pela Igreja Católica: o Clarim. Ficou com a TDM estação emissora que difunde 24 horas por dia em rádio e televisão. Em televisão emite programação própria desde as 19 horas até cerca da uma hora da madrugada. Depois disso entra em cadeia com a RTPI.

Conta que, na rádio, a Rádio Macau, emite desde as 7 da manhã até às 20 horas altura em que entra também em cadeia com a RDP Antena 1.

João Guedes interroga-se como é possível a existência de três jornais diários, um semanário, um canal de rádio e outro de televisão em português, para uma população luso-falante que não ultrapassa a barreira das dez mil pessoas, na melhor das hipóteses. Mesmo dizendo não saber responder, interroga-se sobre se será o dinamismo da sociedade civil.

Para além disso, regista que a imprensa conta com subsídios do governo superiores aos que o governo português concedia antes de 20 de Dezembro de 1999.

João Guedes terminou, dizendo que “em suma, a China, em minha opinião toma à letra o lema  “Um país, dois sistemas” e a comunicação social portuguesa é parte integrante do segundo sistema”.

 

 

 A Comunicação Social ganhou com o Encontro de Macau

Fernando Cruz Gomes

Sol Português

As peças sobre a visita a Macau vão longas. Espalhadas por estas páginas de SP representam trabalho e dedicação de muitos. E como as peças vão longas... vamos cortar no muito que haveria a dizer sobre a Associação Internacional de Jornalistas e dos Órgãos de Comunicação Social das Comunidades Portuguesas. Outra vez será... até por que o sonho já tem vários anos.

Primeiro foi o sonho. Que germinou na cabeça de muitos dos que, contando a vivência das associações dos outros, iam protelando a existência da sua própria Associação. Na sua fase mais recente... começou em finais de 2002, quando do Encontro para a Participação, que teve lugar em Lisboa. Voltou à baila mais tarde quando do II Encontro. Germinou, de novo, e aí já com a Organização da AIJ, em Janeiro de 2004, quando da campanha de promoção da ICEP. Agora, em Macau, fez-se “luz”, quando o próprio Governo entendeu que queria ter “um interlocutor válido para as relações entre os órgãos do Governo Português e os OCS das comunidades”.

E a caminhada nem foi fácil. A determinado momento, julgámos entender que o Governo Português quereria, ele próprio, organizar a tal Associação. O que, de forma alguma, poderia ser aceite. E de tal maneira... que chegámos a ter de terçar armas com alguns membros do Governo... que pareciam ter a peregrina ideia de que ao Governo compete fazer tudo. Como se fosse possível a um Governo democrático fazer um Grémio ou um sindicato, uma associação de classe ou um clube.

Desde logo dissemos que a Associação Internacional de Jornalistas está em marcha. Não vai mais parar, como aconteceu a uma ou outra tentativa  associativa que alguns de nós esboçámos num passado ainda recente. E a visita a Macau . em mais um Encontro para a Participação, com a presença de alguns de nós, deu a todos uma dimensão diferente, mais madura, mais de acordo com o que nós somos: jornalistas de todo o mundo, a falar e a escrever em Português.

De resto, somos cada vez mais os que entendemos que esta Associação é mesmo necessária.

Em Macau, tivemos um colega, José Rocha Diniz, que foi um dos nossos melhores esteios, dando-nos algumas ideias e partilhando connosco a sua rica experiência jornalística em vários Continentes.

Entendemos que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”. Mas também entendemos que há ainda muitos detractores que eram capazes de esfregar as mãos de contentes, ao verem… que nós não conseguíamos.

Mas, de facto, a declaração de Macau, que vai funxionar como se de “porta de entrada” se tratasse, vai ser o “pontapé de saida”. Ali ouvimos as palavras dos governantes e ali ouvimos, sobretudo, os quase 40 colegas interessados em avançar. De Macau, logo a seguir, chegavam-nos mais 8 colegas. Jornalistas da diáspora, entendem que devem fazer da “sua” Associação.

A “Carta de Macau”

Na carta em causa, assinada por todos os presentes, sem excepção, diz-se que, na sequência dos “Encontros Para a Participação – Comunicação Social”, realizados entre os dias 12 e 15 de Maio, na RAEM, Região Administrativa Especial de Macau, os signatários jornalistas e representantes dos orgãos de comunicação social das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo Mundo, acordam:

Conferir à Comissão instaladora da Associação Internacional de Jornalistas e dos Orgãos de Comunicação Social das Comunidades Portuguesas o mandato para até ao final do mês de Setembro procederem à legalização da dita associação em Portugal (estava apenas registada em França); conferir à Comissão Instaladora o mandato para proceder à angariação de novos associados, com o estatuto de socios fundadores, até 31 de Julho de 2004; conferir à comissão instaladora poderes para, no intuito de prosseguir a missão de maximizar os seus objectivos, assinando protocolos de cooperação com entidades públicas e privadas, nomeadamente com a Directel de Macau (que já está feito).

A Comissão Instaladora, que estava eleita, desde Janeiro de 2004, em Braga, decidiu fazer entrar mais alguns membros.

Assim: Presidente, Fernando Cruz Gomes (Canadá); vice-presidente, Manuel Adelino Ferreira (Estados Unidos); secretário-geral, António de Morais Cardoso (França); tesoureiro, Ricardo José Rodrigues (França); secretária, Angélica Torrão (Brasil). Os vogais que agora entram em funções: José Rocha Dinis (Macau), Norberto Aguiar (Canadá), Ribeiro Santos (Suiça) e Rogério Varela Afonso (África do Sul).

Os Estatutos estão agora em fase de elaboração, devendo ser apresentados à aprovação a todos os elementos da Associação no mais curto espaço de tempo.

 

Assinaturas da “Declaração de Macau”

Rogério Varela Afonso

seculo@mweb.co.za

Africa do Sul

Carlos da Silva

seculo@mweb.co.za

Africa do Sul

Viriato Jorge Soares Barreto

viriato@intekom.co.za

Africa do Sul

José António Martins

opna@ozemail.com.au

Australia

Vanessa de Sene

editor@mundolusiada.com.br

Brasil

Carlos Gonçalves

carlospascoa@terra.com.br

Brasil

Fernando Cruz Gomes

fgomes@rogers.com

Canadá

José Mário Coelho

info@omilenio.com

Canadá

António Couto

fsalvarez@cirvfm.com

Canadá

Norberto Aguiar

lusopress@sympatico.ca

Canadá

Armando Barqueiro

jornal@avozdeportugal.com

Canadá

António de Morais Cardoso

admc@free.fr

França

Artur Silva

arthsilva@aol.com

França

Álvaro José Alves da Conceição

l.decouverte@tiscali.fr

França

José Viana

vnovainfo@aol.com

Inglaterra

Alvaro Silva da Cruz

alvaro.cruz@saint-paul.lu

Luxemburgo

Luís Barreira

luis.barreira@publilatina.lu

Luxemburgo

José Firmino da Rocha Dinis

jtm@yp.com.mo

Macau

João Guedes

dipp@tdm.com.mo

Macau

Gilberto Lopes

rdmacau@macau.ctm.net

Macau

Paulo Azevedo

paa@pontofinalmacau.com

Macau

Pe. Albino Pais

clarim@macau.ctm.net

Macau

Carlos Morais José

 Jornal Hoje Macau

Macau

Sérgio Paulo Da Silva Terra

jtm@yp.com.mo

Macau

Luis Pereira

jtm@yp.com.mo

Macau

João Francisco Pinto

dipp@tdm.com.mo

Macau

Helder António Carrilho Raposo

jlusitano@netcabo.pt

Portugal

Carlos Morais

Mundo.portugues@netcabo.pt

Portugal

José Manuel Ribeiro Santos

director@luso-helvetico.ch

Suíça

Adelino de Sá

a_sa@bluewin.ch

Suiça

Victor Alves

valves@24horasinc.com

USA

Maria do Carmo Pereira

mpereira@lusoamericano.com

USA

José do Rosário Cabeceiras Ávila

portuguesetribune@sbcglobal.net

USA

Manuel Adelino Ferreira

ptimes@aol.com

USA

Adelino Pastilha

Mundo.portugues@verizon.net

USA

 

Fátima em... Macau

13 de Maio é... dia de Nossa Senhora de Fátima. E para os Portugueses... é data a celebrar.  Uma data que atravessou fronteiras e foi para toda a parte. A 13 de Maio, em Macau, os Jornalistas estavam embrenhados no seu “ritual” do dia-a-dia do III Encontro para a Participação. E não houve escolha, já que tudo estava a andar.

Mesmo assim, porém, chegaram até nós os ecos da religiosidade e fé de toda aquela gente. É que a procissão de Nossa Senhora de Fátima ganha por ali expressão de destaque. Realiza-se, todos os anos, com a procissão a sair da Igreja de São Domingos e a quedar-se na Ermida da Penha, onde é celebrada uma Missa ao ar livre.

Para além da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, de Nossa Senhora da Guia e de Nossa Senhora da Penha, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima lembra a fé mariana de tantos e tão habitantes deste Mundo. Construida em 1968, serve as pessoas do Bairro Tamagnini Barbosa, no norte da cidade. Ergue-se numa zona calma.

Este ano, a Secretário Regional Florinda Chan, católica praticante, esteve presente na procissão que é, de facto, um quase prodígio.

Para alguns de nós, que há mais de trinta anos, acompanha as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres – praticamente na mesma altura – e este ano não conseguiram, exactamente por estarem longe, a procissão de Nossa Senhora de Fátima em Macau... foi  algo de interessante.           CG

 

Macau… marco de Progresso

Fernando Cruz Gomes

O “25 de Abril”  de Macau, que, de uma certa maneira, ocorreu quando o mês de Dezembro de 1999 ia alto… deu-se em nítido benefício da terra e das gentes. Quando o repórter lá chegou esperava, talvez, encontrar um País a tornar-se mais Chinês e menos Português. Mais de acordo com as regras que de Pequim haveriam de surgir e menos de acordo com aquilo que poderia ser do interesse principal dos povos daquele pedaço de terra a pegar com o gigante que se afirma, pela positiva em cada dia que passa.

Enganámo-nos. Esperávamos a mudança de nomes de ruas e de estilos de governação. Entendíamos que era legítimo que o Português, como Língua, fosse até menosprezado. Enganámo-nos redondamente. E do nosso engano nasceu uma certa estupefacção sadia. Que nos faz abrir os olhos de espanto e entender, uma vez mais, que… o ódio não vai a lado algum. Tem pernas curtas. Domina mal o desejo que as pessoas normais têm de andar em frente.

Macau abre-se ao mundo com o que de melhor tem. Atira ao ar a certeza de que se não envergonha do Passado, mesmo que, aqui e além, tenha havido diatribes. Macau quer, ao invés, olhar o Passado para que ele possa influenciar, no melhor sentido, o Presente que há-de desembocar no futuro, simbolizado num grande rio de esperança, que há por ali, latente, em cada pessoa que conseguimos tutear. E do governante – de características chinesas, pois claro – ao mais modesto dos homens de negócio ou dos consumidores, vimos, espelhados nos olhos, uma grande dose de fé nos destinos do território.

E se é facto que isso até pode desagradar à plêiade de “extremistas” – felizmente poucos – não deixa de ser facto que o Macau novo, do progresso,  que já existe mas que não para de crescer, entende melhor a linguagem do sereno aproveitamento do que há. E ao anotarmos, em roteiros de festas de que nos falam, a Festa do Barco Dragão ou a Festa dos Espíritos Esfomeados, não deixamos de ver, igualmente, a Procissão de Nossa Senhora de Fátima (a 13 de Maio), o Ano Novo, a 1 de Janeiro. É uma simbiose de duas culturas. Que não se odeiam, porque se casam harmoniosamente.

Macau progride, assim, sem animosidades de qualquer espécie, que poderão, eventualmente, pertencer ao Passado. Bem ao contrário, anda em frente com as duas Culturas de mãos dadas. Com Ruas cujos nomes ninguém entendeu ser necessário mudar, há ruas Mário Soares e Carlos d’Assunção, Corte Real (o “nosso”) e 25 de Abril. Ruas que nasceram assim e assim estão a ficar. E há uma estátua a José Álvares, um dos exploradores que, por volta de 1513, andou por ali, pelos mares da China.

Macau, agora uma Região Administrativa Especial da República Popular da China – a integrar o conceito de “Um País, Dois Sistemas” – está a manter as suas características sociais e económicas que fizeram dela uma região impar, onde a Europa encontra a Ásia e onde as duas comunidades mais representativas, a Chinesa e a Portuguesa, ensaiam, de há muito, um tolerante estilo de vida que traz vantagens de todo o género.

Talvez por isso, em Outubro de 2003, num Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que Macau acolheu, logo ali se disse que Macau tinha vantagens singulares para o desempenho de um papel primordial como plataforma natural no intercâmbio comercial e cultural entre a China e aqueles mesmos países.

De facto, a China não dorme em serviço. E é por isso que Macau tem o Progresso como meta. Que está à vista.

 

Um timoneiro seguro que o Canadá conheceu

Edmundo Ho é o Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau. Homem que os populares com quem contactámos consideram um “timoneiro seguro” que está a ajudar a que tudo “marche em bom ritmo”, esteve, naturalmente, ligado a toda a problemática do III Encontro para a Participação que decorreu em Macau.

Na quinta-feira, dia 13 de Maio, teve um encontro com os dois membros do Governo Português que estavam em Macau.

José Cesário e Feliciano Barreiras Duarte, acompanhados do Cônsul-Geral de Portugal na RAEM, Pedro Moitinho de Almeida – que está a fazer um óptimo trabalho de ligação entre dois Governos que se estimam – estiveram no Palacete de Santa Sancha, apresentando cumprimentos ao governante.

E mesmo que os Jornalistas não tivessem podido estar presentes, a certeza de que Edmund Ho não deixou de dizer aos seus interlocutores da sua satisfação em ter em Macau os elementos da Comunicação Social dos países da diáspora e a sua pena em não poder estar presente devido a uma sobrecarregada agenda de trabalho.

Aqui... era a certeza de que o Canadá também estava presente. O Canadá onde o chefe do Executivo da RAEM esteve alguns anos, aqui tendo cursado Gestão. Talvez que o ilustre político não precisasse, mas, de facto, o País Multicultural que somos é capaz de também ter a ver algo com o que vai acontecendo em Macau.

 

A montanha pariu um rato !

Por António Cardoso

O Portugal Club é um fórum via e-mail, sediado no Brasil, que atesta as nossas caixas do correio electrónico com variadíssimas opiniões dos nossos compatriotas, cumprindo assim um papel importante no debate de ideias entre portugueses expatriados e alguns, infelizmente ainda poucos, de Portugal.

No meio de uma incrível mixórdia de temas onde predominam as críticas, por vezes justificadas à política levada a cabo pelo secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, fico por exemplo, horrorizado quando leio louvores à política de Salazar, resultado provável do desconhecimento por quem escreve, de certas realidades.

Não me apetece comentar tais insanidades e muito menos que tal debate perdure, mas existem hoje outros assuntos mais importantes, que nos interessariam certamente se o debate fosse nivelado por cima.

Neste momento circula uma “petição” par que os conselheiros do CCP se demitam em bloco.

O iniciador, o conselheiro Gabriel Fernandes, do Reino Unido, estima que a reunião da Comunicação Social da diáspora, em Macau, por iniciativa dos secretários de Estado das Comunidades e da Presidência constitui « mais » uma razão para provocar a demissão dos conselheiros referindo-se nomeadamente « à infâme e despudorosa forma de se esbanjar os dinheiros públicos em cosméticos simulacros de curso formativos -- ai está em Macau o exemplo mais recente, com uma caravana de 33 indefectíveis adeptos de um SECP caricato, que dá voltas ao Mundo a rir-se de todos nós, que assistimos, pávidos e serenos, às tropelias de José Cesário.

O Sr. Gabriel Fernandes que não me conhece provavelmente de lado nenhum, tem a ousadia de afirmar publicamente que sou, tal como 36 outros participantes nesta reunião, um “indefectível adepto do SECP”.

Vergonha, deveria ter este senhor, quando insulta pessoas que há várias décadas dão o corpo ao manifesto para manter viva a nossa cultura e a nossa língua no estrangeiro, sem qualquer apoio ou reconhecimento do governo português.

Os jornalistas e órgãos de Comunicação Social das Comunidades tentam há mais de vinte anos, constituir-se em associação para defender os seus interesses comuns. Essa possibilidade foi-lhes oferecida agora, pela primeira vez, pelo actual secretário de Estado das Comunidades.

Sugiro a este representante do CCP que faça como os bons jornalistas : antes de escrever baboseiras, verifique a veracidade das fontes e as informações que possui. Constataria por exemplo que, esta reunião de 37 jornalistas em Macau ficou mais barata ao governo português que aquela de 21 participantes que decorreu em Novembro de 2002 em Lisboa. De facto, o governo de Macau assumiu a totalidade dos custos de estadia, sendo as viagens por conta de Portugal.

Pois é... a montanha pariu um rato !

Se a Comunicação Social começasse a inteirar-se da competência que têm certos membros do CCP para exercer funções de representação das comunidades não faltariam razões para pedir a demissão de muitos.

 

 

 


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