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Medalhas em saldo... Quem quer mais ?

António Cardoso

Quando fui informado que Jaime Lima Ribeiro, jornalista, fundador de vários jornais entre eles o Encontro e associações percursoras em acções sociais que beneficiaram a comunidade portuguesa em França, seria condecorado no dia 25 de Abril, regozijei-me naturalmente com este reconhecimento, a meu ver tardio, do governo português.

Tardio porque Jaime Ribeiro, chegou a França há 48 anos dedicando-se imediatamente às questões comunitárias co-fundando por exemplo a casa de Portugal de Digoin em 1958, a casa do Porto em 1964, um sindicato independente em 1968, jornais como o “Correio Português” ou o “Notícias de Portugal” em 67 e 68, a Associação dos Portugueses em França que deu origem aos Lusitanos de Saint-Maur ou o PPD, o actual Partido Social Democrata (PSD) que governa o nosso país.   

Até há alguns anos atrás estava convencido que esta “omissão”, falta de vontade ou ignorância por parte dos secretários de Estado que se têm sucedido e dos seus correspondentes diplomáticos se devia à anterior actividade política de Jaime Ribeiro.

Indaguei junto daqueles que acompanharam o seu percurso e constatei satisfeito que, todos, sem excepção, incluindo os seus maiores opositores partidários de outrora achavam estranho que Jaime Ribeiro, hoje com 80 anos, ainda não tivesse sido distinguido, manifestando-se inclusive dispostos a assinar o pedido.

Afinal foi o CCP, através do seu vice-presidente Carlos Pereira que me informou há alguns meses, ter enviado uma opinião favorável à condecoração do jornalista com a medalha de mérito das comunidades.

A cerimónia decorreu no dia 25 de Abril, em Achères, na sessão de encerramento das comemorações dos 30 anos da criação da associação Benfica de Achères e do 25 de Abril.

A minha decepção foi proporcional ao número de medalhas atribuído. Com o secretário de Estado de microfone na mão - estilo promoção num centro comercial - foi um “vê se te avias”, parecia que estavam em saldo : quem quer mais ? Uma para o professor de português que não é português, outras para os empresários da construção civil e de camionagem, mais para o presidente da associação de Achères e o de Argenteuil, para o director de uma companhia de seguros...

Ridículo, folclórico e vergonhoso, são os termos que vêm à cabeça para designar tal fantochada.

Não sei nem me interessa saber quais são os critérios para a atribuição destas medalhas, mas comparar a dedicação à comunidade de Jaime Ribeiro e a de um empresário que trabalha com a comunidade é a mesma coisa que confundir o Sr. Secretário de Estado com um caixeiro viajante ou um embaixador com um cônsul.

Afinal o meu amigo Jaime tinha razão, queria recusar a medalha por causa da maneira como os governos, este e o anterior, têm tratado o jornal Encontro. Convenci-o a aceitar. Apresento-lhe por isso, publicamente, as minhas desculpas.

 

Voto branco ?

Por António Cardoso

 Pela primeira vez tive a tentação de colocar um envelope vazio na urna de voto. Decepcionado como tantos outros eleitores pela política levada a cabo por este governo e pelo anterior, tive de fazer um esforço para pegar e inserir o impresso da lista que melhor corresponde às minha convicções.

Tenho alguma dificuldade em compreender as estratégias dos partidos políticos, nomeadamente os que estão no poder. Vejamos:

-         A alguns meses das eleições, cerca de 200.000 pessoas ficaram de repente privadas de indemnização do fundo de desemprego.

-         As promessas de redução de impostos transformaram-se em aumentos desproporcionados do tabaco e do gasóleo.

-         Continua-se à espera das prometidas reduções dos encargos sociais e fiscais para os comerciantes e pequenas empresas. O mesmo acontece em relação aos famosos incentivos para a criação de empresas. Os restaurantes vão finalmente beneficiar da redução de IVA, os outros ficam à espera.

-         Os aparelhos de radar automáticos crescem como cogumelos por todo lado, particularmente nos sítios onde são mais rentáveis e não onde poderiam ser mais úteis para a segurança.

Poderia acrescentar os problemas dos intermitentes do espectáculo, dos hospitais, dos investigadores e outros que tardam a ser resolvidos tais como o desemprego.

Tudo isto, para utilizar o já famoso slogan do Primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, desmoralizou a tal “France d’en bas”.

Quem poderá pensar ou acreditar que as pessoas que há dois anos condenaram nas urnas a gestão do governo socialista não vão proceder do mesmo modo com este.

Tendo em conta que o fecho desta edição foi no dia 25 de Março e depois do fracasso da união de algumas listas da chamada “maioria presidencial” os resultados que se adivinham são, com a provável excepção da região parisiense, largamente a favor da esquerda.

Governar é também durar e ter tempo para fazer as indispensáveis reformas. Aznar teve duas legislaturas para transformar a Espanha, resta saber quanto tempo terão Jean-Pierre Raffarin e Durão Barroso.

 

 

 

 


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