O MNE QUER “AMORDAÇAR” OS ORGÃOS DE COMUNICAÇÃO
SOCIAL DA DIÁSPORA
A Associação Internacional de Jornalistas, a
congregar, desde há cerca de três anos, uma grande parte dos Jornalistas
Portugueses que trabalham na diáspora, tomou conhecimento, com a maior das
mágoas, da criação de uma revista gratuita destinada às comunidades
portuguesas. Sobretudo porque, segundo diz a notícia publicada na Lusa, os
conteúdos e a própria distribuição ficarão a cargo do Ministério dos Negócios
Estrangeiros.
No ponto de vista da Associação Internacional
dos Jornalistas, trata-se, numa primeira análise, de um atentado, e grosseiro,
à dignidade e à bolsa dos órgãos de Comunicação Social da diáspora.
Assim
sendo, vai a Associação tomar todas as providências possíveis para contrariar a
iniciativa que chega a parecer uma machadada nos órgãos de Comunicação Social,
que desde há muito tentam colaborar com os órgãos do Estado Português, sempre
na tentativa de servir o público a que os órgãos se destinam.
Tentará
que os seus membros se unam e tomem as atitudes mais propícias a fazer com que
o Ministério dos Negócios Estrangeiros recue numa iniciativa que não pode deixar
de lembrar outros tempos, quando os ditadores tentavam cercear a liberdade da
Imprensa, criando e mantendo coisas parecidas com Jornais, Rádios e mesmo
Televisões.
Se
é verdade que os ditadores nunca gostaram de Imprensa livre e eficaz, quer-nos
parecer que mal andará um Governo democrático que use os mesmos meios para
“controlar” as (des)informações que pretende veicular.
E uma publicação controlada – e mantida,
directa e indirectamente – pelo Estado Português, não pode deixar de obrigar os
Jornalistas da Diáspora portuguesa a uma profunda reflexão sobre o que tem sido
dado, em divulgação de notas e comunicados, ao próprio Estado. Reflectindo
sobre isso, não podem deixar de sentir vontade de boicotar as publicações de
todos e quaisquer elementos que emanem do Governo, através das Embaixadas e dos
Consulados. Até porque nunca estes mesmos órgãos receberam qualquer benesse do
Estado Português, mesmo por pagamento de “publicidade” de qualquer nível.
A Associação Internacional de Jornalistas
entende que, com esta revista gratuita, o Ministério dos Negócios Estrangeiros
se pretende substituir aos verdadeiros órgãos de Comunicação Social das
comunidades portuguesas, tanto mais que, como se diz na notícia, essa revista
será distribuída, gratuitamente, através das Embaixadas e Consulados, para
atingir – um sonho que ninguém, no Governo e fora dele, deixa de ter – cerca de
5 milhões de Portugueses que o querem continuar a ser.
Ninguém poderá levar a mal que se interprete
esta tentativa como um ensaio de qualquer “aprendiz de ditador” – talvez
encapuçado em empresa privada com qualquer nome – que não gosta da liberdade e
democracia que, de uma forma geral, os órgãos de Informação das comunidades
pretendem manter a todo o custo.
Interpreta esta Associação a atitude do
Ministério dos Negócios Estrangeiros como um acto de hostilidade gratuita
contra a esforçada classe de Jornalistas das comunidades portuguesas espalhadas
pelo mundo. Não poderá, assim, deixar de agir em conformidade.
Toronto (Canadá) / França (Paris), 27 de
Outubro de 2005

Fernando Cruz Gomes António
de Morais Cardoso
Presidente Secretário-Geral