COMUNICADO 02.05

 

O MNE QUER “AMORDAÇAR” OS ORGÃOS DE COMUNICAÇÃO

SOCIAL DA DIÁSPORA

 

A Associação Internacional de Jornalistas, a congregar, desde há cerca de três anos, uma grande parte dos Jornalistas Portugueses que trabalham na diáspora, tomou conhecimento, com a maior das mágoas, da criação de uma revista gratuita destinada às comunidades portuguesas. Sobretudo porque, segundo diz a notícia publicada na Lusa, os conteúdos e a própria distribuição ficarão a cargo do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

 

No ponto de vista da Associação Internacional dos Jornalistas, trata-se, numa primeira análise, de um atentado, e grosseiro, à dignidade e à bolsa dos órgãos de Comunicação Social da diáspora.

 

Assim sendo, vai a Associação tomar todas as providências possíveis para contrariar a iniciativa que chega a parecer uma machadada nos órgãos de Comunicação Social, que desde há muito tentam colaborar com os órgãos do Estado Português, sempre na tentativa de servir o público a que os órgãos se destinam.

 

Tentará que os seus membros se unam e tomem as atitudes mais propícias a fazer com que o Ministério dos Negócios Estrangeiros recue numa iniciativa que não pode deixar de lembrar outros tempos, quando os ditadores tentavam cercear a liberdade da Imprensa, criando e mantendo coisas parecidas com Jornais, Rádios e mesmo Televisões.

 

Se é verdade que os ditadores nunca gostaram de Imprensa livre e eficaz, quer-nos parecer que mal andará um Governo democrático que use os mesmos meios para “controlar” as (des)informações que pretende veicular.

 

E uma publicação controlada – e mantida, directa e indirectamente – pelo Estado Português, não pode deixar de obrigar os Jornalistas da Diáspora portuguesa a uma profunda reflexão sobre o que tem sido dado, em divulgação de notas e comunicados, ao próprio Estado. Reflectindo sobre isso, não podem deixar de sentir vontade de boicotar as publicações de todos e quaisquer elementos que emanem do Governo, através das Embaixadas e dos Consulados. Até porque nunca estes mesmos órgãos receberam qualquer benesse do Estado Português, mesmo por pagamento de “publicidade” de qualquer nível.

 

A Associação Internacional de Jornalistas entende que, com esta revista gratuita, o Ministério dos Negócios Estrangeiros se pretende substituir aos verdadeiros órgãos de Comunicação Social das comunidades portuguesas, tanto mais que, como se diz na notícia, essa revista será distribuída, gratuitamente, através das Embaixadas e Consulados, para atingir – um sonho que ninguém, no Governo e fora dele, deixa de ter – cerca de 5 milhões de Portugueses que o querem continuar a ser.

 

Ninguém poderá levar a mal que se interprete esta tentativa como um ensaio de qualquer “aprendiz de ditador” – talvez encapuçado em empresa privada com qualquer nome – que não gosta da liberdade e democracia que, de uma forma geral, os órgãos de Informação das comunidades pretendem manter a todo o custo.

 

Interpreta esta Associação a atitude do Ministério dos Negócios Estrangeiros como um acto de hostilidade gratuita contra a esforçada classe de Jornalistas das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Não poderá, assim, deixar de agir em conformidade.

 

 

Toronto (Canadá) / França (Paris), 27 de Outubro de 2005

                          

Fernando Cruz Gomes                                 António de Morais Cardoso

Presidente                                                    Secretário-Geral